Artigos e Entrevistas

Os destaques do setor portuário de 2025

Fonte: A Tribuna On-line / Gesner Oliveira*
 
Parece que foi ontem que nos despedíamos de 2024
 
Parece que foi ontem que nos despedíamos de 2024 e iniciávamos, cheios de expectativas, os primeiros dias de 2025. Hoje, porém, este ano intenso já se aproxima do fim. Se algo ficou claro ao longo desses meses, é que 2025 esteve longe de ser um “mar calmo”, no Brasil ou no cenário internacional. Nesta coluna, busquei navegar pelas principais discussões que moldaram o setor portuário em meio à crescente volatilidade geopolítica, à pressão constante por eficiência logística e ao avanço regulatório em agendas que por muito tempo pareciam ancoradas.
 
Este ano foi palco de diversos projetos importantes para o setor portuário brasileiro – abordado na coluna de janeiro. É o caso da concessão do túnel Santos-Guarujá, leiloado em setembro, projeto que promete melhorar substancialmente a relação entre o Porto e o município de Santos. Merece destaque também a primeira concessão de canal de acesso do País (nos portos de Paranaguá e Antonina, no Paraná), a qual foi tema da coluna de outubro e deve ser exemplo para tantas outras concessões de canais nos demais portos brasileiros. Esses projetos devem tornar os portos brasileiros mais eficientes, assim como é o processo de digitalização portuária, abordada na coluna de junho.
 
No tema ambiental, tão comentado em 2024, este ano também trouxe inovações: emitiu-se o 1o Inventário de Gases de Efeito Estufa (GEE) do setor aquaviário lançado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), cobrindo cabotagem e navegação interior (2021–2023), tema abordado na coluna de fevereiro. A publicação indicou redução do volume de emissões do transporte aquaviário ao longo do período mesmo com o aumento da carga transportada, resultado de políticas de permitiram o aumento do uso de biocombustíveis pelo setor.
 
Ainda que alguns importantes projetos tenham avançado, outros relevantes ainda não saíram do papel. É o caso da primeira concessão hidroviária do Brasil: a Hidrovia do Rio Paraguai. Tratado nas colunas de março e novembro, o projeto promete revolucionar o setor hidroviário brasileiro e atiçar o apetite dos investidores. Ficamos na expectativa de que se concretize no próximo ano e que sirva de referência para outros projetos semelhantes, como a concessão da Hidrovia do Rio Madeira.
 
Outro projeto que ainda não saiu do papel, mas que gerou muita discussão, é o leilão do Tecon Santos 10. Nas colunas de agosto e setembro, enfatizei a necessidade de que restrições à participação de armadores incumbentes fossem inseridas no edital de leilão em prol de evitar ganhos excessivos de mercado por parte dessas empresas e eventual efeito negativo sobre o ambiente competitivo dos portos brasileiros. Neste mês, o Tribunal de Contas da União (TCU) recomendou o faseamento do leilão, na linha defendida por esta coluna e pela Antaq.
 
Inegável que 2025 também foi marcado pelo cenário internacional: entre os tarifaços do presidente dos EUA, Donald Trump, e a guerra comercial entre EUA e China, os portos brasileiros e mundiais tiveram que lidar com mudanças da logística global. Entre congestionamentos nos portos europeus por excesso de escoamento dos produtos chineses, tema tratado na coluna de julho, e os efeitos do tarifaço para o sistema portuário como um todo, tema da coluna de maio, a lição que fica para 2026 é clara: o mar está agitado e a adaptabilidade, seja ao clima ou ao contexto geopolítico, se tornou imperativo operacional.
 
Em 2026, espera-se que alguns temas continuem chamando a atenção. É o caso do leilão do Tecon Santos 10 e da concessão da Hidrovia do Rio Paraguai, projetos estruturantes do setor portuário brasileiro e que não podem mais ser adiados. O ambiente geopolítico também deve permanecer como tema de constante atenção, com pitadas do próprio ambiente político interno com as eleições nacionais.
 
Por fim, outro tema que não deve sair dos holofotes é a questão ambiental, que deve ganhar densidade: inventários, metas e instrumentos econômicos devem se traduzir em investimento, padronização e cobrança por desempenho ambiental no setor portuário brasileiro.
 
*Gesner Oliveira, economista, professor e coordenador do Centro de Infraestrutura e Soluções Ambientais da FGV
 
Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a linha editorial e ideológica do Grupo Tribuna. As empresas que formam o Grupo Tribuna não se responsabilizam e nem podem ser responsabilizadas pelos artigos publicados neste espaço.
 

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