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Porto de Santos cede áreas para empresa que enfrenta crise financeira; entenda
Fonte: A Tribuna On-line
Ambipar, que pediu recuperação judicial, assinou contrato com a Autoridade Portuária de Santos em dezembro
A Autoridade Portuária de Santos (APS) assinou contrato para a cessão onerosa de duas áreas de 44,6 metros quadrados (m²), na Margem Direita do Porto de Santos. O acordo com a empresa Ambipar Response Dracares Apoio Marítimo e Portuário foi assinado no dia 17 de dezembro e publicado no Diário Oficial da União (DOU) no dia 22 do mesmo mês. A empresa pertence ao Grupo Ambipar, de gestão de resíduos, que enfrenta crise financeira.
A empresa poderá usar a área pelo prazo de cinco anos mediante pagamento mensal de R$ 3,2 mil à administração portuária. A APS informou que se trata de ocupação onerosa de áreas correspondentes a dois contêineres, um de 20 pés e outro de 40, localizados na Ilha Barnabé e na Alemoa, totalizando os 44,6 m².
“Os eventuais investimentos necessários para consecução do objetivo contratual serão realizados por conta e risco da Ambipar, descabendo qualquer indenização neste sentido”, esclareceu a APS em nota.
Poluentes
Segundo a administração portuária, “as áreas serão utilizadas exclusivamente para a armazenagem de equipamentos relacionados à contenção e mitigação de poluentes químicos que possam ameaçar o meio ambiente em terra e no mar. A Ambipar pleiteou o uso das áreas para executar os planos de contingência dos terminais integrantes do Plano Integrado de Emergência (PIE) da Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegados (Abtra)”.
A APS ressaltou ainda que a Ambipar mantém contrato com a Associação Brasileira de Terminais Líquidos (ABTL), fato relevante para a localização das áreas na Alemoa e na Ilha Barnabé, que têm classificação de risco devido à operação de líquidos inflamáveis.
A empresa foi procurada, mas não quis comentar sobre o assunto.
Crise financeira
Dois dias após assinar o contrato com a APS, em 19 de dezembro, o Grupo Ambipar divulgou fato relevante informando o seu Plano de Recuperação Judicial (PRJ) que envolve todas as empresas do grupo. O processo de recuperação judicial corre na 3ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro.
A Ambipar foi fundada em 1995, no Brasil, e é voltada a soluções ambientais. Ao longo de 30 anos, tornou-se uma multinacional, com unidades em 41 países, somando mais de 23 mil funcionários.
Em 2019, a companhia fez uma reestruturação societária criando a Ambipar Environmental, para gestão de resíduos, e a Ambipar Response, atendendo emergências de acidentes químicos e ambientais. Na prática, a Ambipar recolhe, trata e reaproveita o lixo, transformando-o em outros produtos ou energia.
Em 2020, a Ambipar abriu o capital na Bolsa de Valores de São Paulo (B3). Um ano depois, as ações tinham valorizado em 50%. Em 2021, a empresa lançou a Response na Bolsa de Nova Iorque.
Em 2021, a Ambipar, que já tinha dez empresas, investiu R$ 1,5 bilhão na compra de mais 22. Entre 2020 e 2022, fez novas aquisições na América do Norte, Europa, Canadá e no Brasil. Ao todo, foram 40 compras que não deram o retorno esperado, resultando em grandes prejuízos.
Companhia teve queda de ações na bolsa
A crise financeira da Ambipar se intensificou no segundo semestre de 2025, como reflexo da emissão de green bonds (títulos verdes) em 2024 e 2025, que somaram cerca de US$ 1,24 bilhão. As operações incluíam proteção contra a volatilidade do dólar, mas o cenário mudou após a transferência de um desses contratos do Bank of America para o Deutsche Bank.
De acordo com a Ambipar, a estratégia financeira foi acionada sem a aprovação do Conselho de Administração e deixou a empresa ainda mais vulnerável. A queda acentuada dos papéis no mercado internacional piorou a situação.
Para evitar cobrança em massa de credores, a Ambipar obteve medida cautelar na Justiça, em setembro, motivada por uma operação de crédito com o Deutsche Bank e sob o argumento de riscos de cláusulas de vencimento cruzado que poderiam gerar um rombo de R$ 10 bilhões e levar à insolvência imediata do grupo. No entanto, após a medida, as ações da companhia caíram, em um ano, 95,67%.
No segundo trimestre de 2025, a Ambipar voltou a registrar prejuízo, repetindo o desempenho negativo do primeiro trimestre. Segundo o balanço financeiro, o prejuízo foi de R$ 134,1 milhões, revertendo o lucro de R$ 45,5 milhões obtido no mesmo período de 2024.
No plano de recuperação judicial, a Ambipar alega dificuldade na obtenção de créditos, informando que disso depende a restauração financeira do grupo.
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