Notícias
Qualidade do trabalho piora e desemprego deve continuar subindo
Fonte: Folha de S. Paulo
O resultado da taxa de desemprego, que no trimestre encerrado em abril atingiu 8%, mostrou que há uma piora na qualidade do trabalho com migração maior para informalidade e atividades autônomas em relação a igual período do ano passado. Os dois modelos não são protegidos pelas leis trabalhistas e, portanto, mais sensíveis às mudanças da economia.
O resultado da taxa de desemprego, que no trimestre encerrado em abril atingiu 8%, mostrou que há uma piora na qualidade do trabalho com migração maior para informalidade e atividades autônomas em relação a igual período do ano passado. Os dois modelos não são protegidos pelas leis trabalhistas e, portanto, mais sensíveis às mudanças da economia.
Ao movimento somase uma queda de pouco mais de meio milhão de pessoas no volume de trabalhadores com carteira assinada no intervalo de um ano. Também caiu, em quase 300 mil pessoas, a quantidade de trabalhadores sem carteira. Os dados são da Pnad Contínua, divulgados na última quarta-feira (3) pelo IBGE.
A queda dos trabalhadores sem carteira seria benéfica se houvesse uma migração para a formalização, mas, segundo o IBGE, o grupo que cresceu – trabalhadores por conta própria e empregadores – é também majoritariamente informal.
As duas categorias tiveram crescimento absoluto, mas viram suas rendas encolherem entre o trimestre encerrado em abril e igual período do ano passado.
"Temos a perda de emprego sem carteira e aumento de trabalho na forma de empregadores, que podem estar informais, e trabalhadores por conta própria, também não registrados. Ou seja, você pode estar revertendo esse trabalho com carteira em trabalhos informais", afirmou Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Renda do IBGE.
O país fechou o trimestre encerrado em abril com 36 milhões de trabalhadores com carteira assinada, queda de 1,5% em relação ao verificado em igual período de 2014 – 552 mil pessoas perderam seus empregos no período. A queda dos sem carteira foi ainda maior, de 3,7%, e a quantidade absoluta fechou em 10,3 milhões. Foram 384 vagas fechadas no período.
Na ponta oposta, o contingente de trabalhadores por conta própria cresceu em 1,02 milhão de pessoas e atingiu 21,9 milhões – a alta em relação ao verificado um ano antes foi de 4,9%. A renda dessa categoria de trabalhador, que historicamente é mais baixa que a de quem tem carteira assinada, caiu 3,3% na comparação anual e ficou em R$ 1.429, contra R$ 1.757 do trabalhador formal.
Os empregadores, que são pessoas que empregam pelo menos uma pessoa, não necessariamente formal, também cresceram em quantidade e fecharam o trimestre em 4,03 milhões de pessoas, alta de 9%. Foram 333 mil pessoas que ingressaram na categoria que, no entanto, teve uma baixa de 0,8% na renda, que fechou em R$ 4.861.
De acordo com Azeredo, o que pode estar ocorrendo é a migração para a autonomia dosde mitidos no último ano e o ingresso de membros dessa família na fila do emprego.
Chefes de família que perdem emprego, por exemplo, migram direto para o trabalho autônomo, enquanto outros membros da família entram na fila por uma oportunidade, fator que pode explicar, em parte, o aumento da desocupação – desempregados que estão à procura de emprego.
"Quando aquelas pessoas chefes de família perdem o emprego, elas voltam ao mercado, em geral, como trabalhadores por conta própria. Elas montam o próprio negócio, ainda que seja não registrado, para poder continuar com seu sustento".
TENDÊNCIA
A taxa de desemprego medida pela Pnad Contínua é feita em bases trimestrais, mas com divulgação mensal. O trimestre divulgado na última quarta-feira foi o encerrado em abril, um mês, portando, à frente do primeiro trimestre deste ano.
Segundo Azeredo, a alta do indicador mostra que o desemprego tem avançado para além dos três primeiros meses do ano. A queda de 1,4% no PIB do primeiro trimestre em relação a igual período de 2014 também teve impacto na taxa de desemprego divulgada na última quarta – o trimestre encerrado em abril tem dois meses ainda do primeiro trimestre, que são março e fevereiro.
"[O resultado] Demonstra que o país já inicia o segundo trimestre com indicação de que o ritmo de desemprego de mantém", afirmou Azeredo.
Comentários (0)
Compartilhe
Voltar





Versão em pdf
