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Deputado afirma que governo dividiu centrais sindicais

Fonte: Rede Brasil Atual

Para Paulinho, unidade está comprometida neste momento. Ele admitiu 'exagero' em protestos. Presidente da Força diz que vai se empenhar na 'reconstrução'

 
Unidas em várias atividades e propostas, as centrais sindicais, com nuances, tiveram posicionamentos nem sempre uniformes na discussão recente envolvendo terceirização (Projeto de Lei 4.330, aprovado na Câmara, agora o PLC 30 no Senado), direitos trabalhistas e previdenciários (medidas provisórias 664 e 665). Uma reunião na última segunda-feira (11), na UGT, com oito centrais presentes, tentou uma rearticulação, tendo como fator comum o dia nacional de protesto, na última sexta-feira deste mês (29). Mas a plenária da Força Sindical realizada na última sexta-feira (15) voltou a causar dúvidas.
 
Atacado por parte das centrais e defendido pela Força, da qual é presidente licenciado, o deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (SD-SP), vê essa unidade comprometida no momento. E responsabiliza a presidenta Dilma Rousseff, cujo impeachment defende. "O que está dividindo as centrais é o governo. A CUT pegou a terceirização para acusar a Força de estar tirando direitos. Se não tivéssemos feito as emendas, aí sim estaríamos perdidos." Para ele, que questionou o poder de mobilização do dia 29, uma parte do movimento sindical "afrouxou" com o governo.
 
Durante sua intervenção na plenária da Força, na manhã da última sexta-feira (15), em São Paulo, ele admitiu que houve exagero nos protestos da semana, que incluíram exibição de nádegas em pleno Parlamento. "Fomos no limite. Fazer aquilo no Congresso foi um pouco exagerado, mas fizemos o que era possível fazer."
 
Sobre a terceirização, Paulinho pediu atenção a uma possível proposta de permitir parcialmente a prática em atividades-fim. Mas o deputado acredita que o debate será longo. "O projeto da terceirização vai tramitar por todas as comissões no Senado. Se for no ritmo normal, vai levar mais de um ano para chegar ao plenário."
 
Dirigentes da central defenderam o presidente licenciado, mesmo com algum incômodo causado pelas críticas de Paulinho ao PT – caso do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco, Jorge Nazareno, o Jorginho, que é filiado ao partido. Segundo ele, a base reagiu de forma negativa com o que foi exposto sobre o posicionamento da Força em relação à terceirização, no que ele considera um mal-entendido, mas as emendas apresentadas pelo deputado foram importantes. Antes da votação sobre a participação da central no ato do dia 29 – que decidiu por não se juntar a outras centrais –, Jorginho, como outros, chegou a dizer que o sindicato de Osasco estaria presente.
 
Ele também pregou entendimento entre os dirigentes. "As centrais têm de estabelecer o que nos une. As coisas não podem ser raivosas. Temos de trabalhar com racionalidade."
 
"Eu sou uma das principais pessoas que defendem a unidade das centrais", afirmou o presidente da Força, Miguel Torres, que em seguida atacou um sindicalista, sem citar nome ou central. "A posição de um dirigente sindical foi de ratazana", disse, ainda durante a plenária. No final do encontro, comentou que levará a posição da entidade de não ir ao dia nacional de protesto, mas continuará conversando com as demais centrais – há uma reunião marcada para a próxima segunda-feira (18), na sede da UGT, em São Paulo. "Meu empenho é de reconstruir essa unidade."
 

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