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Sindaport quer enredo nota dez
Fonte: AssCom Sindaport - DCG / Everandy Cirino dos Santos

Traços e Troças

Traços e Troças
O carnaval
É a maior caricatura
Na folia
O povo esquece a amargura...
O Carnaval é de fato a maior caricatura. Poucas vezes na história da festa mais popular do País se ouviu um refrão que pudesse traduzir com tamanha propriedade o sentimento de desesperança vivido pelo povo brasileiro. Já se vão 32 longos anos desde que a Salgueiro levantou as arquibancadas da Marquês de Sapucaí, em 1983, com o samba-enredo Traços e Troças.
De autoria de Celso Trindade e Bala, o clássico carnavalesco, que naquele ano deu apenas a 8ª colocação para a agremiação da Tijuca, continua mais atual do que nunca, pelo menos até a chegada da quarta-feira de cinzas, quando são resgatadas as demais 361 máscaras da diária e triste realidade.
Realidade que envergonha o cidadão de bem, diante das sucessivas denúncias e escândalos que assolam o País envolvendo o Poder Publico, e que o leva a acreditar que a eficaz atuação da Polícia Federal de nada valerá diante dos acertos e conchavos, considerando que no Brasil as ordens de prisão para políticos e asseclas são facilmente revogadas por uma corte judiciária comprometida e constituída também por indicações políticas, em alguns casos com a ajuda dos próprios condenados.
O mesmo Judiciário que diante desse paradoxo e da farra de alvarás de soltura expedidos descaradamente para diversos condenados do Mensalão, decorridos apenas um ano após as detenções, fica cada vez mais desacreditado, sobretudo após a saída do "osso duro" Joaquim Barbosa. Depois dele a Papuda nunca mais foi a mesma, até porque as prisões passaram a ser domiciliares, com direito a cerveja gelada no boteco da esquina, como se viu na última semana. A mesma cervejinha que saciou a sede do trabalhador durante quatro dias e o fez esquecer os dilemas provocados pelo "saco de maldades" apresentado pelo novo ministro da fazenda, Joaquim Mãos de Tesoura Levy.
Sim, porque durante o reinado de Momo os trabalhadores se permitiram esquecer que ao apagar das luzes de 2014, Dilma e sua intrépida trupe (não confundir com a da Mocidade de Padre Miguel) aprovaram as famigeradas MPs 664 e 665. Editadas para "cortar na própria carne", segunda a mandatária, as medidas foram lançadas sob o manto de uma pretensiosa redução de R$ 18 bilhões aos cofres da União, ajuste nas contas públicas, corte de gastos e outras falácias.
Dilma e seu paladino esqueceram-se de avisar que para conter a crise financeira e salvaguardar a economia do País a navalha da tal austeridade pouparia o segmento empresarial e sangraria impiedosamente a classe trabalhadora, segurados, pensionistas, viúvas e até mesmo os milhares companheiros que seguem perdendo seus empregos neste início do ano por conta da Operação Lava Jato e de uma economia totalmente vulnerável.
A alteração nas regras para concessão do abono salarial, seguro-desemprego, pensão por morte e auxílio-doença contrariam o discurso da presidente, que durante a campanha para reeleição emplacou o enganoso slogan: "nenhum direito a menos, nenhum passo atrás", tal qual o não menos falso e ardiloso "nem que a vaca tussa", também dito em alusão a manutenção de alguns direitos trabalhistas.
E o "saco de maldades" não parou por aí. A aguardada correção da tabela do Imposto de Renda, que não aconteceu, foi mais um duro golpe nos trabalhadores, considerando que Dilma vetou o reajuste de 6,5% aprovado pelo Congresso Nacional para 2015. A medida aliviaria a tributação dos salários e outros rendimentos, lembrando que, na prática, vetar a correção significa o mesmo que aumentar o IR. É bom lembrar que desde 1996 o contribuinte acumula um prejuízo de 68%, segundo nossos companheiros do Sindicato dos Auditores Fiscais.
Para deixar o "saco" um pouco mais pesado, o Governo também nos presenteou com o aumento de tributos sobre o combustível, operações de créditos e outros. De quebra, a Caixa Econômica Federal aumentou a taxa de juros dificultando ainda mais o financiamento para a aquisição da tão sonhada casa própria.
E como o Carnaval é de fato uma grande caricatura, vale até mesmo se travestir de mulher e desfilar no bloco Ba-Bahianas sem Tabuleiros pelas ruas do Gonzaguinha, em São Vicente, litoral de São Paulo, para que a alta da luz (ao contrário da redução prometida durante a campanha eleitoral), do dólar, da cesta básica, da inflação, entre outras maldades, sejam esquecidas momentaneamente.
Além de tudo, em Brasília, temos que assistir os foliões, ou melhor, os fanfarrões eleitos para o Congresso Nacional (Senado e Câmara dos Deputados) desfrutarem de 11 dias para curtirem o Carnaval, ao custo de R$ 279,1 milhões aos cofres públicos. O recesso é quase o triplo de dias destinados para os trabalhadores e para os menos favorecidos, que no Carnaval de 1989 foram imortalizados pelo saudoso Joãozinho Trinta na figura de farrapos abençoados pelo polêmico Cristo Mendigo.
Diante de tantos sambas atravessados escritos com notas desfavoráveis aos trabalhadores resta a certeza de que o fim da folia significa o início de um período repleto de desafios diante de outras tantas maldades que se anunciam, inclusive de mudanças na legislação trabalhista, todas prejudiciais para as classes operárias.
Por aqui, mesmo com o término do período carnavalesco, o Bloco dos Doqueiros permanecerá concentrado no barracão do Sindaport, torcendo para que o enredo "Campanha Salarial 2015" receba nota 10 por parte dos jurados da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), do Departamento de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (DEST) e da Secretaria de Portos (SEP).
Até porque, se a nota máxima não vier nos quesitos aumento real, engessados, Plano de Cargos e Salários, hora extra, PLR e outros, o bloco formado pelos companheiros da Codesp vai transformar a Av. Conselheiro Rodrigues Alves numa verdadeira passarela do samba e fazer do Porto de Santos um grande carnaval durante o ano inteiro. Afinal, é na folia que o povo esquece a amargura.
Alô comunidade... tem que ser dez, nota dez!!!!!
Everandy Cirino dos Santos
Comentários (2)
Luis R Ribeiro
Data: 19/02/2015 - 12h10
Parabens! Pela clareza das idéias e discernimentos.Forte Abraço
Luis R Ribeiro
antonio carlos paes alves
Data: 19/02/2015 - 11h56
Parabéns meu amigo. Vamos fazer os dirigentes da CODESP se sentirem como tendo a ressaca da quarta-feira de cinzas. A luta continua companheiro!Compartilhe
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