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O que os sindicalistas esperam do novo Governo Dilma
Fonte: Jornal Espaço Aberto

Sindicalistas, independentemente de preferência partidária, esperam que a presidente Dilma Rousseff, reeleita para mais quatro anos na presidência da República reveja sua postura com relação aos trabalhadores. Esperam que no próximo mandato, a presidente governe com diálogo não apenas com empresários, mas também com os trabalhadores que ao longo dos anos vêm perdendo o poder de ganho e não raro a aposentadoria é apenas um indicador de idade e desrespeito a quem trabalhou e contribuiu durante anos para a previdência na expectativa de uma velhice tranquila, situação distanciada da realidade.

Sindicalistas, independentemente de preferência partidária, esperam que a presidente Dilma Rousseff, reeleita para mais quatro anos na presidência da República reveja sua postura com relação aos trabalhadores. Esperam que no próximo mandato, a presidente governe com diálogo não apenas com empresários, mas também com os trabalhadores que ao longo dos anos vêm perdendo o poder de ganho e não raro a aposentadoria é apenas um indicador de idade e desrespeito a quem trabalhou e contribuiu durante anos para a previdência na expectativa de uma velhice tranquila, situação distanciada da realidade.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Administrativos em Capatazia nos Terminais Privativos e Retroportuários e na Administração em Geral dos Serviços Portuários (Sindaport), Everandy Cirino dos Santos diz que a presidente Dilma merece um voto de confiança para imprimir sua marca na condução do País.
“Tinha duas opções de governo: PT e PSDB, minha opção foi pela manutenção do emprego, por políticas sociais, por isso meu voto de confiança na presidente Dilma. Agora espero que ela corrija o rumo da política portuária que não está cem por cento certo. Há muita coisa que precisa mudar, como por exemplo, a Secretaria de Portos (SEP). Defendo a manutenção da secretaria mas a presidente precisa colocar na sua direção, pessoa que conheça de porto, especialmente do Porto de Santos, suas características, estrutura e muito mais ainda, o trabalho portuário, do jeito que está não atende nem aos trabalhadores, nem aos empresários. Defendo a SEP na atuação do porto e da área hidroviária e que seja administrada com mais autonomia, competência e por alguém do ramo.
Está na hora de a presidente Dilma cravar a sua marca na área portuária e não mais admitir que um órgão como a SEP seja prêmio de consolação de apadrinhados, indicados, deste ou daquele. Quando a presidente Dilma assumiu a presidência do Brasil, manteve na direção da SEP pessoas que em nada contribuíram para o desenvolvimento do Porto. Exemplo: quatro aposentados do Banco do Brasil que ditam as regras da política da Codesp em cujo Conselho tem gente que desde o governo Collor vem passando por várias estatais, Cosipa, Navegação Amazônia, enfim fazendo um tour pelo Brasil, passando por vários estados. O pior é que essa gente, além de ditar normas em uma empresa que não conhece, fiscaliza as ações de quem nela trabalha".
Cara prá bater - Cirino fala ainda em moralização: “A presidente Dilma precisa moralizar o setor portuário, se livrando dos oportunistas e carreiristas, da ociosidade e da má gestão, porque afinal, quem dá a cara prá bater somos nós portuários de todas as categorias. Somos nós que enfrentamos preconceitos para levar a termo as atividades no maior porto da América Latina e não os ‘mauricinhos’ (independentemente da idade) que desfilam ditando regras, quando sequer sabem o que estão fazendo. Queremos a manutenção da SEP, que precisa passar por mudanças de forma que venha a atender as expectativas do setor”.
Oportunidade de corrigir – Para o presidente do Sindicato da Construção Civil e do Mobiliário (Sintracomos), Marcos Braz de Oliveira, o Macaé, reeleita, a presidente Dilma tem a oportunidade de corrigir uma série de equívocos, especialmente com relação ao trabalhador.
“Embora seja o setor que mais emprega no País, a construção civil encolheu nos últimos anos e quando este setor apresenta queda, o reflexo se observa nas demais áreas. Não há incentivo e grandes empresas estão deixando o Brasil para se instalar em outros países. Estamos perdendo empresas para o Paraguai e isso é preocupante, os empresários estão descrentes. A inflação bate à nossa porta todos os dias e os salários dos trabalhadores da construção e de outras áreas não acompanham a realidade, os impostos são muitos e o pequeno e médio empresário briga para se manter. É na construção civil que se verifica os mais baixos salários e embora seja uma categoria sofrida, está evoluindo. O antigo parâmetro para definição do trabalhador da construção está mudando, não é mais a ponta decadente do mercado, onde o analfabetismo imperava. Hoje na construção exige conhecimento, qualificação. Os trabalhadores estão em busca de formação. Temos gente fazendo Direito, Engenharia, Edificações e cursos técnicos”.
Para Macaé, cujo sindicato oferece cursos de qualificação profissional, a presidente Dilma poderia começar a corrigir as distorções, acabando com o famigerado ‘fator previdenciário’, já aprovado pelo Senado, mas ainda engavetado pela Câmara dos Deputados.
“Se não dá para corrigir de uma só vez esse massacre contra o aposentado, que se faça uma projeção e de forma paulatina devolva a dignidade em termos de aposentadoria decente a quem contribuiu para tentar descansar no ocaso da vida produtiva. Tenho esperança de que o Partido dos Trabalhadores, no mínimo, dê maior atenção aos reais trabalhadores que não querem ficar ricos, mas viver dignamente. Que o Governo Dilma não dê o peixe, mas ofereça a linha e ensine a pescar”.
As urnas indicam mudanças – Carlos Ratton, presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo – Regional de Santos, entende que a diferença de pouco mais de três milhões de votos que garantiram a vitória da presidente Dilma na eleição do último dia 26, é o mais significativo recado das urnas. “As urnas apontaram para a necessidade de mudanças e que a presidente deve estar atenta a isso. Não há como negar que nos últimos 12 anos (governo do PT), o País avançou na área social, governando para os mais pobres e na educação graças a mecanismos como Proune e Pronatec, que facilitam o ingresso dos jovens no ensino superior, além da abertura de novas universidades, possibilitando aos jovens de baixo poder aquisitivo, o acesso à faculdade, gerando resultados positivos para o futuro. São mais de 500 anos de Brasil e somente nos últimos, visualizamos um pouco mais de igualdade social”.
Quanto aos jornalistas, categoria que representa, Ratton diz há a grande expectativa de que a presidente contribua para que nossa profissão seja valorizada com o retorno da obrigatoriedade do diploma, situação já aprovada no Senado, mais ainda sem o aval da Câmara dos Deputados. “O diploma é o diferencial do jornalista que estudou, se preparou para exercer a profissão e de uma hora para outra, sem qualquer justificativa, se torna desnecessário como julgou o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes em 2009”. No julgamento sobre a obrigatoriedade ou não do diploma, Gilmar Mendes disse que a profissão de jornalista era igual a de cozinheira.
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