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Fundo vê Brasil com perspectiva fraca e risco de recessão
Fonte: G1
Acelerar os investimentos e renovar fôlego do consumo das famílias serão fatores-chave, afirma vice-diretor de Pesquisas do Fundo
Acelerar os investimentos e renovar fôlego do consumo das famílias serão fatores-chave, afirma vice-diretor de Pesquisas do Fundo
A perspectiva de expansão do Brasil no momento “é relativamente fraca”, “abaixo da capacidade potencial de médio prazo”, afirmou o vice-diretor de Pesquisas do Fundo Monetário Internacional (FMI), Gian Maria Milesi Ferretti, em coletiva de apresentação das novas projeções do relatório “Panorama da Economia Mundial”. Embora muito cauteloso, Ferretti não descartou a possibilidade de o Brasil viver uma recessão no conjunto dos quatro trimestres de 2014 — uma contração técnica foi registrada no primeiro semestre. Perguntado sobre este risco, o economista do FMI disse que, em vez de discutir “se o crescimento é de mais ou menos 0,1%”, preferia se focar “na perspectiva geral de crescimento”.
A recuperação dependerá muito da resolução da incerteza política associada à eleição presidencial, que contribuiu para a perda acentuada de confiança de empresários e consumidores este ano, e da queda inflação, que permitiria uma política monetária mais expansionista. Acelerar os investimentos será fator-chave para a recuperação brasileira, bem como renovar o fôlego do consumo das famílias, diz o economista.
Segundo Ferretti, o ciclo de elevação dos juros pelo Banco Central (BC) para combater a inflação alta contribuiu para a desaceleração do Brasil, que viu ceifada em 1 ponto percentual a projeção de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014, para apenas 0,3%. O impacto do aperto política monetária, avalia, continuará, dada a persistência das pressões inflacionárias e o período longo de efeito das decisões sobre juros.
Além disso, advertiu, o cenário externo já não é tão favorável ao Brasil. Os termos de troca dos produtos vendidos ao exterior caiu e a demanda internacional por commodities, como soja e minério de ferro, não é tão forte como em anos atrás, quando a economia brasileira viveu seu auge recente. A escalada do déficit em conta corrente (resultado negativo das transações comerciais e financeiras com o resto do mundo) para cerca de 3,5% evidencia este entrave, diz Ferretti.
— Combinados esses fatores, é um panorama de crescimento modesto, claramente abaixo da capacidade potencial de crescimento do Brasil no médio prazo — afirma o economista. — Queremos focar, em vez de se o crescimento é de mais ou menos 0,1%, na perspectiva geral de crescimento, e esta permanece relativamente fraca para o Brasil, permanece relativamente fraca para a região (América Latina) como um todo, E esperamos, novamente, que a resolução da incerteza política e uma inflação mais controlada pela política monetária ajudem na recuperação da confiança, favorecendo a retomada da atividade econômica.
O Brasil sofreu a mais forte revisão de projeções de crescimento entre as principais economias destacadas pelo FMI, tanto em 2014 quanto em 2015. Segundo o documento divulgado hoje, o corte para o próximo ano foi de 0,6 ponto percentual, para 1,4%. O Brasil é destaque negativo entre as nações emergentes. Seu desempenho no Brics — Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — só não é pior do que o russo. As economias chinesa e indiana são as emergentes de grande porte mais bem posicionadas.
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