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Proposta de gerar hidrogênio verde no Porto de Santos é elogiada por colunistas de A Tribuna
Fonte: A Tribuna On-line
Um dos objetivos é modernizar a Usina de Itatinga e PPP baliza modelo proposto pela Autoridade Portuária de Santos
O Porto de Santos quer produzir hidrogênio verde a partir da Usina Hidrelétrica de Itatinga. Para isso, a Autoridade Portuária de Santos (APS) prepara um modelo de concessão da usina por meio de uma parceria público-privada (PPP), com lançamento do edital em 2024. O anúncio foi feito na última segunda-feira (4) pela direção da estatal.
O pacote de concessão incluirá investimentos na modernização do equipamento para expansão do fornecimento de energia e eletrificação do cais e exploração turística. O investimento previsto para a planta de hidrogênio verde é estimado em R$ 500 milhões pela APS.
Um dos objetivos é modernizar a usina para expandir a capacidade de distribuição da energia elétrica produzida. Atualmente, a energia produzida em Itatinga abastece a sede administrativa do Porto de Santos em 99% e mais dez terminais arrendatários em 35%.
A sustentabilidade está sempre em pauta e, como assunto importante que é, movimentou o setor. Por isso, colunistas de Porto & Mar, de A Tribuna, falam sobre isso, valorizando a ideia em si e a forma como ela será executada.
Gesner Oliveira, economista, professor e coordenador do Centro de Infraestrutura e Soluções Ambientais da FGV
"O anúncio feito pelo presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS) sobre a produção de hidrogênio verde no Porto de Santos, usando para essa finalidade a Usina Hidrelétrica de Itatinga, em Bertioga, tem vários aspectos positivos. Primeiro, pelo fato de se querer fazer uma parceira público-privada (PPP) com esse objetivo. Realmente, é preciso trazer o setor privado para projetos dessa natureza. Segundo, porque o Porto de Santos tem uma vocação para produção de energia renovável, de hidrogênio verde, como assinalou a própria Autoridade Portuária, até com vantagem em relação a outros locais do Brasil. E com uma possibilidade também de água de reuso, igualmente interessante para a economia circular. O Porto de Santos, ao se dedicar à produção de hidrogênio verde, água de reuso e também de amônia verde, pode se colocar na vanguarda de um projeto de desenvolvimento sustentável".
Ricardo Pupo Larguesa, engenheiro de computação, sócio-fundador da T2S, professor e pesquisador na Fatec Rubens Lara
"A iniciativa divulgada pela Autoridade Portuária é um exemplo notável de como sustentabilidade e viabilidade econômica podem coexistir. A modernização da Usina de Itatinga e a eletrificação do cais não apenas têm o potencial de reduzir significativamente as emissões de gases nocivos, mas também de tornar o Porto de Santos mais eficiente e competitivo no segmento. Isso é uma vitória tanto para o meio ambiente quanto para a economia. Além disso, acho que o projeto se destaca por seu investimento relativamente mais acessível em infraestrutura, graças à infraestrutura já existente no Porto de Santos. Isso torna o retorno sobre o investimento mais atraente para possíveis investidores e parceiros. A parceria público-privada (PPP) planejada pode trazer investimentos significativos para a região, e a possibilidade de explorar o potencial turístico da área e de exportar amônia verde oferece outras vias de geração de receita, tornando o projeto ainda mais atraente do ponto de vista financeiro".
Marcelo Neri, presidente da Federação Nacional das Agências de Navegação Marítima (Fenamar)
"O plano da direção do Porto de Santos de produzir hidrogênio verde por meio da modernização da Usina Hidrelétrica de Itatinga se alinha com a tendência global de sustentabilidade na indústria marítima. A eletrificação de navios e o uso de hidrogênio como fonte de energia são alternativas promissoras para reduzir as emissões de carbono nos portos. Essas tecnologias estão sendo testadas em portos ao redor do mundo, buscando um transporte marítimo mais limpo. A modernização da hidrelétrica por meio de uma parceria público-privada (PPP) reflete um compromisso real com a inovação sustentável, substituindo combustíveis fósseis por energia elétrica renovável. Isso representa um avanço significativo para um porto com menor emissão de carbono. No contexto em que o Brasil, com toda a sua capacidade para liderança mundial nas energias renováveis, virar uma potencia global em termos de hidrogênio verde, embora esta seja uma realidade comercial de longo prazo para o final da próxima década, e investir na produção e em projetos como estes, em larga escala, pode reduzir a dependência de gás natural estrangeiro e contribuir para o combate às mudanças climáticas. No entanto, isso requer políticas públicas sólidas e investimentos substanciais. Pensando nas duas crises globais do nosso tempo, a climática e a energética, o Porto de Pecém, no Ceará, em parceria com acionistas do Porto de Roterdã, na Holanda, já havia iniciado projetos com hidrogênio verde, mas a iniciativa do Porto de Santos também exemplifica uma abordagem visionária que outros portos podem seguir para enfrentar desafios ambientais globais, trazendo benefícios tanto para o meio ambiente quanto para a sociedade".
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