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Associações cobram solução e afirmam que obras rápidas na Alemoa, em Santos, devem ser priorizadas

Fonte: A Tribuna On-line
 
Para representantes de empresas do Distrito Industrial de Santos, viaduto menor e projeto semafórico são prioridades
 
A resolução dos gargalos logísticos no acesso ao Distrito Industrial da Alemoa, em Santos, começa por uma sinergia dos órgãos públicos e passa pela realização de obras no local que solucionem problemas do dia a dia. É o que cobram representantes de duas associações de terminais que movimentam carga para exportação por meio do Porto de Santos. Eles também criticaram a suspensão das obras de pavimentação da Avenida Engenheiro Augusto Barata, o Retão da Alemoa.
 
O presidente da Associação Brasileira dos Terminais Retroportuários e das Empresas Transportadoras de Contêineres (ABTTC), João Ataliba de Arruda Botelho Neto, apontou que um acesso mais eficiente ao Porto depende de um projeto conjunto entre as três esferas de governo. “Todo projeto nesse aspecto deveria ser integrado entre União, Estado, Prefeitura, porque os três são corresponsáveis por esse tumulto que impera na chegada e na entrada do Porto”.
 
Ele lembrou que, há dois anos, a ABTTC e a Associação das Empresas do Distrito Industrial e Portuário da Alemoa (AMA) doaram à Prefeitura de Santos um projeto que prevê a construção de um viaduto simples, com um orçamento em torno de R$ 40 milhões, mas que ainda não saiu do papel.
 
“O projeto prevê um novo viaduto nos fundos da Alemoa, com saída para a Via Anchieta. Assinamos um termo com o prefeito, que ficou de entregar o projeto à Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp). O novo viaduto atenderia entre 1,5 mil e 2 mil caminhões por dia, o que aliviaria e muito o sistema viário local”.
 
Suspensão de obras
 
Outra crítica é em relação à interrupção das obras no Retão da Alemoa. A Autoridade Portuária de Santos (APS) entregou na terça-feira (5) o primeiro trecho concluído de obras na Augusto Barata. São 220 metros. Porém, outros 280 metros que necessitam de intervenção não terão solução rápida, pois o contrato para a realização do serviço foi suspenso até janeiro por falta de dotação orçamentária.
 
“A APS não poderia ter ido a Brasília solicitar a liberação da dotação orçamentária para concluir a obra? Não tem cabimento. É um assunto emergencial que tinha que ser tratado lá atrás, pelo presidente que saiu em março ou pela equipe nova”, apontou Ataliba.
 
Para o presidente executivo da Associação Brasileira de Terminais de Líquidos (ABTL), Carlos Kopittke, a suspensão das obras no Retão da Alemoa é inadmissível. “É preocupante que coisas assim aconteçam no maior porto da América Latina. Precisamos resolver os pequenos problemas primeiro. São 280 metros de avenida que precisam ser recapeadas e a obra vai parar por cinco meses, mesmo havendo dinheiro, mas sem dotação orçamentária?”.
 
Trânsito
 
O representante da ABTL disse ainda que uma das empresas do Distrito Industrial doou à Prefeitura de Santos um projeto semafórico que “resolveria o problema por 10 anos. A empresa pagou os estudos, o projeto foi entregue, foi assinado um termo com a Prefeitura, mas nada foi feito.
 
Para Kopittke, entre diversos problemas logísticos notados no dia a dia, o maior gargalo da Alemoa é o semáforo na descida do viaduto. "Por causa dele, os veículos perdem cerca de uma hora. Por ali, passam cerca de 15 mil veículos por dia, dos quais 90% são caminhões e muitos com carga perigosa, com destino aos terminais de líquidos. Por isso, resolver os problemas que nos impactam no dia a dia tem que ser a nossa prioridade”.
 
Tecnólogo em logística e transportes, o sócio e consultor da Agência Porto Consultoria, Ivam Jardim, salientou que “o Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI) já está saturado. O que ocorrerá agora é o aumento da frequência das vezes que se chegará ao pico e congestionamento total”.
 
Preocupação
 
Obra de grande porte vista como solução aos congestionamentos no acesso à Alemoa, a construção de um viaduto, prevista no contrato da cessionária da Ferrovia Interna do de Santos (Fips) como contrapartida ao empreendimento, passou a preocupar os representantes de associações.
 
A cessionária procurou o Estado e propôs repassar a obra ao contrato da Ecovias, como A Tribuna relevou no último domingo (3). O viaduto, originalmente orçado em R$ 200 milhões, viu seu custo saltar para R$ 400 milhões. Em troca, a Fips investiria o valor em habitação. Autoridade Portuária e Estado analisam o pedido.
 
Para o presidente executivo da Associação Brasileira de Terminais de Líquidos (ABTL), Carlos Kopittke, “esse é um projeto urgente porque resolveria grande parte da paralisação que ocorre no Retão da Alemoa, pois os veículos têm que ficar esperando a manobra do trem. Essa é uma obra que já deveria ter acontecido”.
 
Já o presidente da Associação Brasileira dos Terminais Retroportuários e das Empresas Transportadoras de Contêineres (ABTTC), João Ataliba de Arruda Botelho Neto, disse que a questão “mostra a falta de sintonia entre Autoridade Portuária, Ministério de Portos e Aeroportos, Prefeitura de Santos e Estado”.
 
Sobre o tema, o sócio e consultor da Agência Porto Consultoria, Ivam Jardim, disse que o impasse “preocupa”. “Estamos longe de chegar à solução, pois as autorizações e o licenciamento não estão sendo trabalhados, haja visto a indefinição do executor da obra”.
 
Ele reiterou que a construção de uma nova rodovia é a única saída para manter o Porto de Santos crescendo. “Sem uma maior capacidade na acessibilidade, investimentos em novos terminais e dragagem de aprofundamento não farão sentido, devido à limitação de acesso que a região terá”.
 
APS e Prefeitura explicam ações
 
Procurada pela Reportagem após as críticas dos presidentes da ABTTC e ABTL, a Autoridade Portuária de Santos (APS) esclareceu que vem cobrando, desde que a nova gestão assumiu a estatal, dotações orçamentárias para diversos investimentos, como os necessários no sistema viário da Margem Direita do Porto.
 
"Os pedidos de créditos suplementares foram feitos ao longo dos últimos meses, com solicitações enviadas em abril, maio, junho e até com gestões presenciais da diretora de Administração e Finanças, Bernadete Bacellar, em Brasília, nos ministérios da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos; da Fazenda; de Portos e Aeroportos”.
 
A APS informou também que “há um projeto de lei do Poder Executivo, encaminhado pela Casa Civil, já no Congresso Nacional, pedindo créditos suplementares para as empresas estatais, incluindo a APS. Há um pedido, de 9 de maio, da presidência da APS, que solicita dotação de R$ 1,1 milhão para a Perimetral da Margem Direita".
 
“A atual gestão tem insistido em obter dotação para fazer as obras na Alemoa, para cumprir uma tarefa que a gestão passada não fez em quatro anos”, declarou o presidente da APS, Anderson Pomini.
 
Prefeitura
 
Em nota, a Prefeitura de Santos informou que tem se empenhado em buscar soluções para melhorar as condições de tráfego no Distrito Industrial da Alemoa e detalhos os últimos passos dados pelo prefeito Rogério Santos (PSDB) nesse sentido.
 
"Em reunião no dia 1º, no Palácio dos Bandeirantes, o prefeito apresentou um plano para melhorar a fluidez do trânsito na área portuária da Alemoa. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) atendeu a essa demanda e anunciou investimento de R$ 15 milhões para obras de acesso, pavimentação e sinalização na região”.
 
A Administração Municipal informou ainda que “enviou o projeto à Artesp para a realização de estudos sobre viabilidade da implementação do referido viaduto para uma nova saída da Alemoa. O objetivo é encontrar alternativas que atendam às necessidades de melhoria do tráfego de caminhões para os terminais da região”.
 

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