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Manifestação pacífica de caminhoneiros autônomos não prejudica carga e descarga no Porto de Santos

Fonte: A Tribuna On-line
 
Categoria quer solução no trânsito e mais um acesso à Alemoa e garantia de trabalho no transporte de contêineres
 
A manifestação dos caminhoneiros autônomos, que acontece desde às 7 horas desta quarta-feira (30), na área industrial do bairro Alemoa, não prejudicou as operações de carga e descarga de mercadorias nos navios, no Porto de Santos, nem o tráfego na descida do viaduto e nos acessos aos terminais, pois não houve bloqueios nas vias. O movimento será realizado até as 19 horas, completando 12 horas.
 
A mobilização dos autônomos ocorre pacificamente, na descida do viaduto da Alemoa, sem bloqueios nos acessos aos terminais do distrito industrial e é acompanhada por equipes da Polícia Rodoviária Estadual, Guarda Portuária, Companhia de Engenharia de Tráfego de Santos (CET-Santos) e Ecovias, concessionária do Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI).
 
Segundo o presidente do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista e Vale do Ribeira (Sindicam), Luciano Carvalho, “o intuito da nossa mobilização é trazer melhorias e garantia de trabalho para a categoria”.
 
Os autônomos reivindicam soluções emergenciais nos acessos aos terminais de contêineres do maior porto da América Latina, entre outras ações de resposta a médio prazo.
 
Uma reivindicação pontual é a conclusão das obras da Avenida Engenheiro Augusto Barata, conhecida como Retão da Alemoa. “Essa obra é uma questão muito séria. Estamos tratando com a Autoridade Portuária há um ano, já enviamos diversos ofícios pedindo agilidade, inclusive, com turnos de trabalhadores nos finais de semana”, afirmou Carvalho.
 
O líder sindical apontou ainda outras questões que motivam a mobilização. “Nós queremos garantia de trabalho com a permanência da Ecoporto e da Brasil Terminal Portuário (BTP), cujas concessões estão vencendo. Nós também queremos que a Autoridade Portuária permita a instalação de empresas do ponto 1 ao 4, no Saboó, que licite o STS 10 e que seja respeitado: uma parte grão, uma parte celulose, uma parte pera rodoviária e uma parte contêiner”, pontuou.
 
Luciano Carvalho ressaltou que “a categoria que transporta contêineres vem perdendo fluxo de trabalho e cada vez mais espaço para outros segmentos. Haverá um impacto social muito grande se Ecoporto e BTP fecharem. O Ecoporto – Ponto 1 Zona Primária trabalha com diversos tipos de carga, entre elas o contêiner”.
 
“Hoje, a categoria transporta, por mês, em torno de 12 mil contêineres entre cheios e vazios no Porto de Santos, mas já chegamos a transportar 35 mil em um mês”, observou.
 
Já o diretor financeiro do Sindicam, Romero Costa, afirmou que “os congestionamentos constantes na Alemoa prejudicam os autônomos. “Por causa da obra no Retão e da Alemoa travada (trânsito), tem caminhão que fica de quatro a cinco dias para descarregar. O maior Porto da América Latina não tem estacionamento, quando o caminhoneiro chega aqui vê placa de ‘proibido estacionar’ onde só se trabalha com carga e descarga”.
 
A categoria alega que o trânsito no bairro entra em colapso diariamente e, por isso, reivindica a intervenção imediata da Prefeitura de Santos na construção do segundo acesso à Rodovia Anchieta e a regulação do trânsito de graneleiros.
 
Crateras nas vias da Alemoa
 
Outra reclamação dos motoristas autônomos refere-se às crateras no asfalto nas vias municipais de acesso aos terminais. Embora a manutenção e pavimentação dessas vias seja de responsabilidade da Prefeitura, a Ecovias providenciou um reparo paliativo, na manhã desta quarta-feira.
 
Em nota informou que “uma equipe responsável pelos serviços de conservação da Ecovias já estava mobilizada, hoje, para realizar reparos no pavimento do local, dentro do trecho de concessão, como já são realizados rotineiramente. Porém, durante os trabalhos, foram identificados alguns pontos graves ao redor que, embora estejam fora do trecho de administração da empresa, também foram incluídos na programação”.
 
A concessionária complementou que “a medida visa a segurança viária de todos os usuários que passam pelo local e também a melhor mobilidade dos veículos que, devido aos buracos, poderiam se locomover com dificuldade e, consequentemente, afetariam a fluidez no tráfego do Sistema Anchieta-Imigrantes".
 
Resposta da APS
 
Em nota, a Autoridade Portuária informou que “o movimento é pacífico, não interdita a via e a maioria das operações de embarque e desembarque de cargas nos navios não foi prejudicada. Apenas serviços de desembarque direto de fertilizantes – que dependem dos autônomos – está paralisado”.
 
Quanto às obras no Retão, a APS informou “que concluiu a primeira fase da obra de reforma da Avenida Augusto Barata, aumentando de quatro para seis as faixas de rolamento no trecho, o que amplia a fluidez do trânsito, além de aumentar a vazão da drenagem do local e outras melhorias de infraestrutura. A liberação total para o tráfego depende do nivelamento no local da transição do asfalto para o calçamento de paralelepípedos (eliminando um “degrau” na pista”). Esta intervenção será feita assim que passar o clima chuvoso, pois a umidade prejudica a estabilidade do solo”.
 
Resposta da Prefeitura de Santos
 
Procurada para comentar as alegações dos caminhoneiros, a Prefeitura de Santos esclareceu em nota que “o acesso dos caminhões rumo ao cais santista se dá pelo viaduto e corredor viário da Alemoa, que é impactado pelo movimento de veículos pesados no Sistema Anchieta Imigrantes (SAI) e também nos trechos administrados pela APS. É importante ressaltar que todo o tráfego rodoviário é feito por rodovias concedidas pelo Governo do Estado de São Paulo — entre elas, o SAI. A partir dessas vias, o trânsito passa a ocorrer pelas avenidas perimetrais e vias internas do Porto Organizado de Santos, área sob jurisdição federal”.
 
O Município acrescentou ainda que “vem solicitando junto à Autoridade Portuária e aos governos federal e estadual a construção de uma terceira ligação rodoviária entre o Planalto e a Baixada Santista no SAI (administrado pela Ecovias). O sistema atual apresenta níveis de serviço críticos, sobretudo em períodos de safra, lembrando que apenas a Via Anchieta (SAI) permite o tráfego de caminhões. No que se refere a um novo acesso ao Porto, essa obra viária está incluída como compromisso de investimento da Ferrovia Interna do Porto de Santos (FIPS)”.
 
“Destacamos, ainda, que a Secretaria de Assuntos Portuários e Emprego (Seporte) de Santos mantém contato constante com a APS visando buscar soluções para os impactos do tráfego de caminhões na malha urbana da Cidade e a garantia da eficácia das operações portuárias”, disse ainda a Administração Municipal.
 
Quanto à mobilização dos caminhoneiros na descida do viaduto da Alemoa, o Executivo municipal informou que “a CET-Santos monitora o trânsito na entrada da Cidade, na Avenida Martins Fontes e na região do viaduto da Alemoa. Não há interdições nestes trechos. Frisamos que a manifestação tem monitoramento da Polícia Rodoviária e da Guarda Portuária”.
 

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