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Jornada da Sustentabilidade: um caminho para os portos brasileiros

Fonte: A Tribuna On-line
 
Guia de Melhores Práticas conta com 83 ações e adesão de autoridades portuárias de Santos, Paraná e Rio de Janeiro
 
Lançado no final de março, em Brasília, o Guia de Melhores Práticas de Sustentabilidade Portuária: a Estratégia ESG está cada vez mais presente nos portos brasileiros, dentre eles o de Santos. A pesquisa, que versa sobre práticas de sustentabilidade adotadas nos complexos portuários nacionais, foi realizada pelo Grupo de Pesquisa LabPortos, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), em parceria com a Associação de Terminais Portuários Privados (ATP) e a Associação Brasileira das Entidades Portuárias e Hidroviárias (Abeph).
 
Coordenador técnico e organizador do guia, o doutor em engenharia naval e oceânica Sérgio Cutrim, professor da UFMA e coordenador do LabPortos, lembra que a Jornada da Sustentabilidade é extensa e completa, que abrange 83 ações para diferentes estágios de maturidade de sustentabilidade institucional. Entre elas, Cutrim reforçou dez ações práticas e prioritárias para as organizações.
 
As condutas passam pela criação de um comitê de sustentabilidade, bem como de uma política envolvendo o tema e de um programa de engajamento dos stakeholders (partes interessadas) baseado nos temas materiais. E continua com a expansão dos projetos sociais e ambientais a partir das condicionantes das licenças de operação e de inserção das metas de sustentabilidade na remuneração variável de todos os colaboradores.
 
Não bastasse isso, estão incluídas também a adoção de certificações específicas do setor portuário, como a EcoPorts (principal certificação ecológica do setor), e a criação de hub de inovação aberta e incubadora de startups, bem como de Port Centers, segundo a metodologia da AIVP (ONG que reúne participantes urbanos e portuários, para melhorar a relação entre cidade e porto por cooperação mútua).
 
Também estão entre os procedimentos: incentivo da atração de navios ecologicamente mais eficientes com tarifas reduzidas usando o Environmental Skip Index (Índice de Salto Ambiental) e publicação de relatórios de sustentabilidade segundo o padrão GRI (Global Reporting Initiative, organização internacional sem fins lucrativos e pioneira no desenvolvimento de uma abrangente estrutura desses relatórios).
 
“Algumas destas ações já estamos verificando em alguns portos brasileiros. O Porto Sudeste, localizado na Ilha da Madeira, em Itaguaí, no Rio de Janeiro, criou um Port Center chamado Casa Porto. Além disso, a Portos do Paraná, gestora dos portos de Paranaguá e Antonina, foi a primeira pública a obter a certificação internacional EcoPorts. O Porto do Itaqui, no Maranhão, inclui em seu programa de remuneração variável e participação nos lucros metas e indicadores de sustentabilidade para todos os colaboradores. E o Porto de Santos publica seu relatório de sustentabilidade de 2021 usando o padrão GRI”, exemplifica Cutrim.
 
Cuidados e novas lideranças
 
Diretor-presidente da ATP, Murillo Barbosa lembra que, por meio do Comitê de Sustentabilidade, a ATP criou, em 2021, um banco de dados interno com informações relativas às ações ambientais, sociais e de governança de seus associados. “O Guia vem reforçar o compromisso da ATP e de seus associados no desenvolvimento de novos padrões de qualidade e desempenho, visando garantir a evolução portuária de maneira sustentável, e investindo em medidas que visam à aplicação de práticas sustentáveis na cadeia portuária”, afirma.
 
Presidente da Abeph, Luiz Fernando Garcia observa que os portos públicos brasileiros têm um compromisso claro com o cuidado com o meio ambiente e o desenvolvimento econômico. “Muitos de nossos associados trabalhavam questões neste sentido mesmo antes do conceito ESG se popularizar”, completa, acrescentando que o Guia de Melhores Práticas de Sustentabilidade Portuária é uma potencial ferramenta de referência, em especial, para os novos gestores portuários.
 
Garcia lembra que a Jornada da Sustentabilidade, constante no documento, é uma proposta de modelo. “Cada porto vai adaptando e implementando com base na sua realidade, no seu modelo de negócio e no seu dia a dia. A Abeph tem este papel, de fomentar o debate, a realização de pesquisas e a cooperação entre eles. Acreditamos que partilhar ideias e experiencias, como faz o Guia, aumentam as oportunidades de crescimento do setor portuário como um todo”, recomenda.
 
Coordenador técnico e organizador do guia, Sérgio Cutrim analisa que o momento é de transição das lideranças atuantes no setor público portuário. “Para estes novos líderes, surge um grande desafio, como construir um legado para suas instituições, promovendo a sustentabilidade, ao mesmo tempo enfrentando desafios relacionados à inovação, mudanças climáticas e contribuição dos portos para o desenvolvimento econômico e social regional”, afirma.
 
Cutrim é um dos que aguardam “com esperança e fé o desenvolvimento portuário brasileiro baseado na sustentabilidade e na inovação". "Estamos comprovando cada vez mais o alinhamento do Guia com o capitalismo de stakeholders e com a gestão mais moderna nos portos brasileiros”, completa.
 

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