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Maquinistas falam com orgulho do trabalho que traz riqueza ao Porto de Santos

Fonte: A Tribuna On-line
 
Profissionais que atuam há décadas no setor revelam rotina de transportar todo tipo de carga pelo Brasil
 
Quando se escolhe uma profissão, em geral o que se tem em mente é uma vaga ideia do caminho que ela pode proporcionar. Ao longo dessa viagem é que ocorre o desvendar de tudo aquilo que não está nos livros, o chamado despertar da vocação. Com os maquinista de trem de carga, a viagem é literal e permite conhecer paisagens Brasil afora, transportando riquezas de um ponto ao outro, quase sempre com o Porto de Santos na rota. É na estrada de ferro que um condutor vivencia a ventura da vida, ao sabor da experiência.
 
Funcionário da Rumo Logística, Marcos Antonio Soares tem 59 anos de idade e dedica 39 à profissão de maquinista. “É uma satisfação enorme. São quase quatro décadas conduzindo locomotivas. Chegar ao Porto de Santos e olhar pela janela, conduzindo uma composição que abastece o principal porto da América Latina, é motivo de orgulho para qualquer profissional. Sou muito feliz em ser maquinista e ter a oportunidade de contribuir com um porto tão importante para a economia do País”.
 
O interesse do filho, que também é maquinista, é motivo de orgulho para Soares. “Eu posso dizer que essa é uma paixão que passou de pai para filho, literalmente. Para minha alegria, eu tenho um filho que abraçou a mesma profissão e também conduz os trens que chegam ao Porto de Santos”. O filho dele, Marcos Antônio Mendes Soares, tem 33 anos e atua na profissão há quatro anos.
 
Quem também enche o peito para falar da profissão é o maquinista Isaque dos Santos Costa, de 41 anos, hoje na MRS. Ele atua há 16 anos no setor e gosta tanto do que faz que se diz apaixonado pela área. “Está além de ser só uma profissão, é algo que faz parte da minha vida. Quanto mais eu exerço essa profissão, mais me apaixono. Cada condução me proporciona novos desafios, de forma dinâmica".
 
Ser maquinista é algo que deixa Isaque orgulhoso. “Eu me sinto importante por participar de algo muito relevante para o progresso do Brasil. O trem é um dos meios de transporte mais importantes do País, levamos diversas cargas e algumas delas, inclusive, são matérias-primas para diversos produtos. Santos é um dos pilares da infraestrutura nacional e segue em constante evolução, sendo o maior porto da América Latina, e saber que a indústria ferroviária influencia de alguma maneira é gratificante”.
 
Exercendo a atividade há duas décadas na VLI, Wesley Passos do Patrocínio, de 39 anos, se diz realizado com tudo o que conquistou sobre os trilhos do Brasil. “Comecei com apenas 19 anos e hoje sou muito realizado. Tudo o que conquistei foi graças à ferrovia, por isso também sou muito grato. Não me vejo fazendo outra coisa. É um privilégio conhecer várias regiões do País conduzindo uma locomotiva e conhecer paisagens que somente o maquinista tem acesso, pois são lugares onde só existe uma ferrovia. Também é muito bom estar sempre em movimento, sem rotina”.
 
Ele também reflete sobre a importância do trabalho que exerce. “Fico imaginando o volume de cargas que já transportei em 20 anos e o quanto já contribuí diretamente para o progresso do País. As riquezas do Brasil passam pelas ferrovias e isso é motivo de muito orgulho para mim. Eu me sinto importante como um elo dessa corrente, que é a logística. Em Santos, a cada ano aumenta o número de vagões trazidos pelas locomotivas e a movimentação nos terminais portuários. É o País produzindo cada vez mais e isso passa por ferrovias e portos”.
 
Wesley conta o quanto a sua profissão já inspira sua filha, de apenas 13 anos. “Ela já sabe o quanto a ferrovia é importante para o Brasil. Se ela quiser trabalhar no setor ferroviário, ficaria muito feliz, ainda mais por saber que é um segmento que só tende a crescer junto com a economia. Ela também terá o meu apoio se quiser ser maquinista. Inclusive, há muitas mulheres na profissão”.
 
Treinamento
 
Atuando há 40 anos no setor ferroviário, sendo 18 conduzindo locomotivas, José Antonio Ravenna, de 58 anos, hoje transmite os seus conhecimentos para as novas gerações ao dar treinamentos para formação de maquinista e manobradores ferroviários na Universidade Corporativa Cesari (UCC). Em paralelo, cuida do planejamento macro operacional no terminal ferroviário do Terminal Logístico Cesari (Terloc). “Na década de 1980, a antiga Fepasa implantou o curso de formação para maquinistas, que durava 14 meses, com aulas teóricas e práticas em um extinto depósito de locomotivas, no Interior do Estado”.
 
De lá para cá, ele viu a transição a partir das locomotivas elétricas com longarina de madeira, passando pela chegada das máquinas Dash 9 (a diesel, elétricas, computadorizadas) e, agora, as locomotivas AC44. “Passei por diversas áreas, fui maquinista, maquinista instrutor, supervisor do CCO em Campinas, supervisor de tração, supervisor de pátios e terminais, analista operacional e, atualmente, sou especialista em operações ferroviárias”.
 
Ravenna acredita que já lecionou para mais de mil novos maquinistas. Para se tornar um bom maquinista, ele aponta que o fundamental é a disciplina. “É uma carreira, muitas vezes, ingrata, pois há trabalho em dias e horários que um profissional comum não trabalha, pois normalmente sua jornada de trabalho ocorre em turnos, o que pega noites, finais de semana e feriados”.
 

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