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Aumento do diesel impacta cadeia logística que envolve o Porto de Santos e eleva custos
Fonte: A Tribuna On-line
Preço do litro ficou 25,8% mais caro nas refinarias depois de anúncio da Petrobras e causa reflexos
O aumento de 25,8% no preço do diesel nas refinarias, anunciado pela Petrobras e em vigor desde a semana passada, impacta decisivamente na cadeia logística que envolve o Porto de Santos: caminhoneiros, transportadoras e consumidor. A elevação, vinda depois de um ano e dois meses, representa o equivalente a R$ 0,78 por litro, passando a um valor médio de R$ 3,80.
“Isso vai afetar diretamente todo o setor produtivo e, por consequência, toda a população. Vai pressionar o preço dos fretes das mercadorias e, consequentemente, provocará uma pressão inflacionária, afetando diretamente o bolso de toda a população brasileira”, afirma o economista Denis Castro.
O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Comercial de Carga do Litoral Paulista (Sindisan), André Luís Neiva, lembra que o diesel representa, em média, entre 35% e 50% dos custos da operação de transporte.
“De acordo com o Departamento de Custos Operacionais e Pesquisas Técnicas e Econômicas da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística, com esse aumento de 25,8%, é indicado o reajuste de 8% nos valores do frete. Este percentual deve variar, devido à especificidade de cada empresa”, estima.
Professora mestre e coordenadora do curso de Ciências Econômicas da Universidade Católica de Santos (UniSantos), a também economista Célia Rodrigues Ribeiro observa um outro ponto importante desta sequência. “Além de afetar o transporte de cargas, esse reajuste também impactará negativamente o transporte de passageiros, elevando os custos para as empresas do setor”.
O presidente do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos (Sindicam), Luciano Santos de Carvalho, que representa os caminhoneiros, foi procurado para falar sobre este aumento e as consequências, mas não respondeu até o fechamento desta edição.
Para cima
A estatal afirmou que “estando a Petrobras no limite da sua otimização operacional” foi “necessário realizar ajustes de preços para ambos os combustíveis (a gasolina também subiu nas refinarias: 16,2%, o equivalente a R$ 0,41 por litro e um valor médio de R$ 2,93), dentro dos parâmetros da estratégia comercial, visando reequilíbrio com o mercado e com os valores marginais para a Petrobras”.
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Sindicombustíveis Resan), José Camargo Hernandes, explica que os aumentos já chegaram aos postos e bem acima do estimado.
“Segundo as companhias distribuidoras, o impacto dos preços dos produtos importados está puxando os valores dos produtos para cima. Ocorre que, desde o início do mês, algumas distribuidoras têm promovido aumentos nos preços do diesel por conta, segundo elas, da defasagem nos preços internos x importação, inclusive com redução nas entregas desse produto aos postos revendedores”.
O dirigente prefere adotar a cautela quando o assunto envolve novos aumentos em curto prazo. “Não posso afirmar que sim nem que não, até porque os preços são livres e cada elo da cadeia, desde a produção (refino e importação) passando pela distribuição e revenda, tem a liberdade, de acordo com seus custos operacionais, de comercializar seus produtos a preços que entendam sejam compatíveis com o mercado”.
Hernandes também observa que incidem sobre os preços dos derivados outros custos de produção, notadamente os biocombustíveis, biodisel e etano anidro que entram, obrigatoriamente, na composição do produto final. “Esses produtos são oriundos do setor agrícola e também têm variáveis importantes para a definição de seus preços”.
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