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Primeiro projeto de túnel entre Santos e Guarujá foi apresentado há 96 anos
Fonte: A Tribuna On-line
Em 23 de janeiro de 1927, A Tribuna reproduziu imagens de um memorial preliminar elaborado pelo engenheiro Enéas Marini
O primeiro projeto de túnel entre Santos e Guarujá de que se tem notícia foi apresentado no começo de 1927. Em 23 de janeiro daquele ano, A Tribuna reproduziu imagens de um memorial "preliminarmente elaborado" pelo engenheiro e arquiteto Enéas Marini — o mesmo que propôs uma ligação submarina entre o Rio de Janeiro e Niterói, mas que se concretizou em forma de ponte, em 1974.
Marini, representante da Sociedade Casa de Arquitetura, Construções e Operações Territoriais, pretendia ligar Santos, Itapema (antiga denominação do Distrito de Vicente de Carvalho) e a comunidade da Bocaina (núcleo que deu origem ao distrito). Estatística de origem não indicada citava que, no primeiro semestre de 1926, haviam atravessado o estuário, em ida e volta, 268.424 pessoas.
Esse túnel partiria de uma área nos fundos do Cemitério do Paquetá, próximo à bacia do atual Mercado Municipal, e chegaria à estação das barcas de Guarujá, "com um curso de 900 metros de extensão e a uma profundidade máxima de 20 metros", com "espaço para duas linhas" para veículos, como carros e bondes, e "dois passeios laterais de 1,10 metro de largura" para pedestres.
"Com os meios de ação de que a engenharia dispõe atualmente, a firma proponente e o autor do presente projeto obrigam-se (...) a executar e entregar ao tráfego público a via submarina projetada no preliminar estudo que acompanha este relatório, em dois anos, contados da data da concessão pelos poderes públicos, sendo os trabalhos atacados simultaneamente em ambos os extremos", noticiava-se. Ficaria pronto em dois anos.
O construtor dizia contar "com os necessários capitais do País e do estrangeiro" para a execução da obra. Em troca, pedia "favores" aos "poderes públicos", como concessão do túnel pelo prazo mínimo de 30 anos, juros sobre parte do custo da obra, desapropriações de imóveis para a construção e isenções de impostos federais, estaduais, municipais e de importação de materiais para construção.
O custo do empreendimento era estimado em 30 mil contos de réis. Com base em pesquisa do jornalista Laurentino Gomes, autor do livro '1808', sobre a transferência da corte portuguesa para o Brasil, um conto de réis equivaleria a R$ 123 mil (em 2007). Sem outras correções monetárias, os 30 mil contos de réis corresponderiam a R$ 3,690 bilhões.
Nas décadas seguintes, o plano de ligação seca foi intercalado entre promessas de túnel ou de ponte, com mudanças de traçado constantes. Em agosto 1972, o então governador Laudo Natel prometia para aquele ano editais para uma ponte. Em maio de 1979, o prefeito nomeado Carlos Caldeira Filho falava num túnel submarino do Valongo à Ilha Barnabé.
Mas, em outubro do mesmo ano, a Dersa citava uma ponte entre a Praça Palmares, no Macuco, e o Pae Cará, em Vicente de Carvalho, para janeiro de 1983. Em 1988, o então prefeito Oswaldo Justo havia ido a Brasília e conseguido que o Ministério dos Transportes estudasse a viabilidade econômica de um túnel entre a "sede" de Santos e a Área Continental da Cidade.
Entre as diversas mudanças de posição e em outros entes federativos, o então governador José Serra anunciou o projeto de uma ponte estaiada entre as duas cidades. Foi em 2010, com a apresentação de uma maquete. Faz cerca de dez anos, no entanto, que o Estado planeja a construção de um túnel ou, de forma paralela, com possível execução, também, de uma ponte. E, ontem, chegou-se ao PAC.
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