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Pátios reguladores: tecnologia holandesa em Roterdã é referência para o setor portuário
Fonte: A Tribuna On-line
Principal porto da Holanda conta com cinco estruturas, que somam 900 vagas a caminhões; Brasil de olho nas vantagens
Fundamentais para melhorar a cadência da chegada dos veículos com cargas pesadas de todo o Brasil aos portos, os pátios reguladores são parada obrigatória para os caminhões no Porto de Santos, que movimenta cada vez mais grãos e contêineres, com o crescimento constante das exportações. Uma realidade que também acontece em outros países e pôde ser conferida no ano passado pela comitiva Porto & Mar, do Grupo Tribuna, que visitou o Porto de Roterdã, na Holanda, e toda a tecnologia que o cerca.
O Maasvlakte Plaza tem 569 lugares de estacionamento e fica aberto 24 horas, atendendo ao ciclo contínuo dos terminais, sendo gratuito durante o dia e pago entre 18h e 6h. As vagas são reservadas com antecedência. Há controle de acesso, cercas e vigilância por câmeras. Além disso, estão disponíveis balcão de informações, internet wi-fi, lixeiras instalações sanitárias (chuveiros e banheiros), máquinas de lavar e de secar roupas e ainda um restaurante.
A estrutura conta ainda com posto de gasolina, serviço de lavagem para caminhões, ponto de pesagem e serviço de conserto emergencial de contêineres. “É interessante notar que, em Roterdã, 50% dos caminhões que deixam o porto se destinam ao mercado holandês, outros 40% ficam na região de Roterdã e apenas 10% cruzam a fronteira – o que, no caso de um país com as dimensões do Brasil, seria como ir até Minas Gerais”, observa o consultor portuário Marcos Vendramini.
Além do pátio de Maasvlakte, existem outros quatro para o Porto de Roterdã, sendo dois em Botlek e o outro par em Waalhaven. Somados, os cinco oferecem pouco mais de 900 vagas para caminhões.
O valor da tarifa horária é acessível, afirma Vendramini: em torno de 1,55 euro por hora (R$ 8,32), limitado ao máximo de 15 euros (R$ 80,54) para o período das 20h às 6h. Aos fins de semana, a cobrança inicia-se a partir das 20h de sábado e vai até as 6h de segunda-feira, com valor horário subindo para 1,90 euro (R$ 10,20) com limite de 19 euros (R$ 102,02). O estacionamento de carretas com contêineres refrigerados é cobrado em dobro.
No Porto de Santos...
Um dos pátios reguladores credenciados pela Autoridade Portuária de Santos (APS) é o Ecopátio, plataforma intermodal do Grupo EcoRodovias. Localizado na altura do km 263 da Rodovia Cônego Domenico Rangoni, no Parque Industrial, em Cubatão, ele tem quase 450 mil metros quadrados e 1.680 vagas disponíveis, atendendo dez terminais do Porto de Santos, sendo quatro na Margem Esquerda e seis na Margem Direita.
Hoje, o caminhoneiro aguarda no Ecopátio até receber, via comunicação eletrônica, uma notificação para se dirigir ao terminal de destino no Porto de Santos. Essa comunicação é feita pelos próprios terminais portuários de forma eletrônica pelo site do Ecopátio e chega ao caminhoneiro por SMS ou notificação no aplicativo do pátio. Ele também pode acompanhar nos totens de autoatendimento espalhados no prédio de serviços dentro do Ecopátio.
Com demanda para cargas e descargas na Margem Esquerda do Porto, o Ceparking, administrado pela empresa Terloc (Terminal Logístico Cesari), que integra o Grupo Cesari, faz a gestão logística dos atendimentos, diferentemente de um pátio de estacionamento. Os veículos chegam conforme horário agendado, todo o processo de validação do agendamento e vistoria do veículo são realizados, o que garante a segurança do processo e operações do cliente, sendo liberado para seguir com a carga e descarga.
Semelhanças e diferenças
Diretor-executivo da Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegados (Abtra), Angelino Caputo lembra que, em termos de conceito, não há muitas diferenças entre o pátio regulador de Roterdã e os principais que apoiam a operação do Porto de Santos.
“A principal diferença é que lá a frequência é principalmente de caminhões de contêineres, enquanto no Porto de Santos o foco são os caminhões que escoam nosso agronegócio. O que observamos lá é um nível maior de automação dos gates, com mais OCR (reconhecimento óptico de caracteres), balanças e escanêres, mas isso é consequência daquele perfil específico de cargas. Não temos nenhuma dificuldade técnica em implementar no Brasil qualquer tecnologia dessas, quando necessárias”.
Caputo acredita que os pátios reguladores cumprem bem suas funções e que o problema é outro. “O foco das discussões do setor tem que ser nos acessos rodoviários que levam os caminhões até esses pátios e aos portos em si, que sabidamente encontram-se estrangulados”, afirma.
Já Marcos Vendramini julga que, para se estabelecer um paralelo, tem que se considerar, inicialmente a cultura do motorista brasileiro, completamente diferente do europeu. “Há outras condições complementares, tais como o regime de trabalho, o estado de conservação do veículo, o tipo de carga e o poder aquisitivo, para ficar apenas em algumas das principais”.
Ele diz que vê com certa frequência ao longo de rodovias e, mesmo próximo a alguns portos, como o de Itaqui, no Maranhão, locais de estacionamento que possuem várias das facilidades mencionadas existentes nos estacionamentos holandeses.
“Acredito que os pátios de estacionamento da região já possuam mais que o triplo de vagas do Porto de Roterdã e o exemplo de lá seria aplicável às condições brasileiras apenas quanto a uma possível complementação de conforto e serviços a serem oferecidos aos usuários. No tocante ao dimensionamento de vagas, localização dos pátios e regime de uso, há que se utilizar os modos e costumes nacionais que levam em conta os fatores já citados”.
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