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Amarradores do Porto de Santos estão sempre alertas e a postos para o trabalho
Fonte: A Tribuna On-line
Com chuva, sol ou vento, em qualquer horário, profissionais participam do dia a dia dos navios no Porto de Santos
Quando era criança, Rodrigo Farias de Moura, atualmente com 23 anos, sonhava em trabalhar no Porto de Santos. O desejo era compartilhado pelo irmão Wagner, de 28.
Há três anos, a inspiração gerada pelo pai Wagner, que trabalha em uma empresa de transportes marítimos, virou realidade pelas mãos dele: os dois passaram a ser amarradores de navios. “Entramos ao mesmo tempo, trabalhamos juntos muitas vezes na mesma equipe, caindo no mesmo trabalho”, conta Rodrigo.
O amarrador e desamarrador de embarcações coloca os cabos de amarração nos cabeços, que são blocos de ferro de forma arredondada para amarrá-los. Trata-se de um trabalho braçal feito em equipe, utilizando equipamentos de proteção individual (EPIs), comunicação verbal e gestos internacionalmente convencionados, respeitando regras e procedimentos de segurança individuais e coletivas.
Além da busca por reconhecimento e valorização dentro da cadeia de produção e os riscos inerentes à função, a constante necessidade de treinamento e cuidados com a saúde, em razão de repetidos movimentos que podem causar danos à postura, o amarrador também tem de lidar com o clima. “Com chuva, sol ou vento em qualquer horário, estamos no cais para fazer o trabalho. É o principal desafio”, lembra Rodrigo.
Como funciona
O trabalho operacional começa quando o prático, responsável pela condução do navio em segurança pelo canal de navegação do Porto, vai para o berço de atracação. Nesse momento, as equipes operacionais de amarradores estarão a postos com antecedência, verificando as perfeitas condições no local da atracação.
No momento em que a embarcação estiver próxima ao cais, as equipes divididas em igual número entre proa (frente do navio) e popa (parte de trás) terão que se comunicar em inglês com os tripulantes. Embora nem sempre seja perfeito, acaba sendo o suficiente para a compreensão.
Após este primeiro contato, é feito o lançamento de uma corda fina, chamada de retinida, para poder tracionar os cabos de amarração para os cabeços. Nesse momento, precaução e cautela são fundamentais, porque o rompimento de um desses cabos tem severas consequências para quem estiver ao alcance do impacto dele. O trabalho de amarração termina com o efetivo posicionamento do navio no berço. A partir desse momento, é que toda a cadeia logística portuária entra em ação.
“Uma atracação demora na base de 20 minutos para que todos os cabos sejam passados. Já a desatracação demora 10 minutos até que os tripulantes soltem os cabos. O padrão da empresa em que trabalhamos pede que a gente esteja no cais uma hora antes de cada trabalho”, descreve Rodrigo.
Futuro
Apesar da evolução no trabalho portuário, Rodrigo projeta que a profissão de amarrador sempre será necessária por questões tecnológicas. “Não há como máquinas fazerem esse tipo de trabalho. É algo simples, mas de precisão. Não sabemos o dia de amanhã, mas pelo jeito sempre vão precisar dos amarradores, caso estoure algum cabo ou alguma entrada ou saída urgente”, explica.
Há uma década na Autoridade Portuária de Santos (APS), inicialmente no setor de atracação e, atualmente, no Complexo Cultural do Museu do Porto, Jorge Valias de Souza vai na mesma linha. Ele também é instrutor de amarração pelo Centro de Excelência Portuária de Santos (Cenep).
“Desde 2 de fevereiro de 1892, quando o navio Nasmith atracou no Porto de Santos, foi necessária a figura do amarrador. Atualmente, todos os trabalhos de atracação são feitos por amarradores e, futuramente, mesmo com o advento da automação na maioria dos portos pelo mundo, sempre haverá a necessidade do amarrador na linha de frente. No momento em que uma pessoa estiver lendo essa matéria, em algum lugar um amarrador estará trabalhando para que a cadeia logística do Porto não interrompa suas atividades diárias”, define.
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