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Entidades repudiam eventual troca de comando no Ministério de Portos e Aeroportos

Fonte: A Tribuna On-line
 
Para eles, atividade portuária é estratégica para o País e não pode ficar à mercê de composições políticas
 
Os rumores sobre uma eventual saída de Márcio França do comando do Ministério de Portos e Aeroportos, medida que abriria as portas do Governo Lula para o Centrão, preocupam representantes do setor portuário. Para eles, a atividade portuária é estratégica para o Brasil e não pode ficar à mercê de composições políticas.
 
A possibilidade de substituição foi divulgada inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo e detalhada ontem por A Tribuna. Oficialmente, o Ministério de Portos e Aeroportos não se manifesta sobre o tema. Contudo, A Tribuna apurou que a pasta não seria uma prioridade do Centrão, que mira o ingresso em ministérios em que é mais fácil a apresentação de emendas parlamentares, como Saúde, Educação, Turismo e Esportes.
 
Tratando a questão como rumor, o diretor-executivo da Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegados (Abtra), Angelino Caputo, disse na noite de ontem esperar que Márcio França permaneça no comando da pasta. “As políticas definidas na atual gestão demandam tempo para serem implementadas e uma mudança, agora, seria um retrocesso”.
 
Justamente para blindar os negócios e investimentos em infraestrutura do setor é que a Federação Nacional das Operações Portuárias (Fenop) formalizou uma proposta tanto para o Governo Bolsonaro quanto para o Governo Lula para que “as administrações portuárias dependam de um parecer prévio do Conselho de Autoridade Portuária (CAP), garantindo efetivamente uma proteção às eventuais flutuações políticas”, como disse o presidente da Fenop, Sérgio Aquino.
 
Ele ressaltou que, embora os rumores não tenham confirmação no Palácio do Planalto, trata-se de algo preocupante “porque a infraestrutura e a atividade portuária são estratégicas para o Brasil, para o comércio exterior, para a competitividade do País e não deveriam ser tratadas como meras composições de governo. Infraestrutura é questão de Estado”.
 
O presidente da Fenop salientou que a equipe montada por França tem sido reconhecida pelo setor. “O secretário executivo Roberto Gusmão e o secretário nacional de Portos e Transportes Aquaviários, Fabrizio Pierdomenico, são profissionais da área". Além disso, para ele, a gestão Márcio França tem valorizado a relação do porto com a cidade, algo que só ocorreu há muitos anos, com o então ministro de Portos Pedro Brito. “A gente espera que isso seja apenas um boato”, finalizou.
 
O diretor-executivo do Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado de São Paulo (Sindamar), José Roque, também ressaltou que decisões políticas podem impactar diretamente um setor que afeta diretamente a economia nacional. “Possíveis mudanças provenientes de concessões e acordos políticos podem prejudicar todo o trabalho desenvolvido até o momento e não acrescentam nada quanto ao desenvolvimento das atividades portuárias”.
 
Para ele, os portos brasileiros devem ser geridos por técnicos. "Tivemos, na última gestão, uma administração preocupada em sanear irregularidades e efetuar melhorias nos procedimentos administrativos e operacionais. Sempre que ocorrem mudanças no comando do Porto, voltamos à estaca zero, já que os novos gestores implantam sua visão de negócio e de administração ao assumirem. Porto não é para aventureiro, mas para profissionais que atuam e possuem profundo conhecimento da área”.
 

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