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Crea-SP aponta solução para evitar colapso logístico em acessos ao Porto de Santos

Fonte: A Tribuna On-line
 
Documento foi entregue ao Governo de São Paulo, que prepara Plano Estadual de Logística e Investimentos
 
Investimentos em ferrovias e a implantação de um sistema intermodal na matriz de transportes são as soluções eficazes para evitar colapso logístico em todo o Estado, incluindo os acessos ao Porto de Santos. É o que aponta o relatório do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo (Crea-SP) entregue ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) na última segunda-feira. Trata-se de um mapeamento dos pontos críticos que impactam o transporte de cargas e de passageiros.
 
“São Paulo tem o melhor sistema rodoviário do Brasil, mas a sobrecarga existente hoje vai levar ao colapso se nada for feito. O que entregamos ao Governo é um estudo técnico que apresenta soluções possíveis de serem aplicadas para evitar isso”, afirmou o presidente do Crea-SP, Vinicius Marchese.
 
Segundo Marchese, o relatório é um compilado de estudos técnicos já desenvolvidos e que apontam macrogargalos, pontos críticos e soluções que atendam os transportes de carga e de pessoas. “Juntamos todas propostas que já foram feitas, tecnicamente viáveis, para que a gente inicie um processo de equilíbrio da nossa matriz de transporte no modal rodoviário”.
 
Marchese, que é engenheiro, lembrou que um dos gargalos mais críticos é nos acessos ao Porto de Santos. “O Porto de Santos é um ativo extremamente importante, principalmente no escoamento de produção, com acesso limitado. Além disso, a mobilidade entre as cidades da Baixada está numa situação muito ruim para as pessoas. Existe um esgotamento do Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI)”, ressaltou.
 
O presidente do Crea-SP salientou que uma das principais soluções para equacionar esse problema é investir na recuperação da malha ferroviária em desuso, mas também na construção de novas ferrovias. Atualmente, o Estado tem pouco mais de 2.500 quilômetros de ferrovias operacionais e cerca de 2.600 km ociosos e sem manutenção.
 
Por ano, a malha paulista transporta 45 milhões de toneladas de carga de um total de 1,2 bilhão, uma participação ínfima se comparada às rodovias, que escoam mais de 80% do fluxo de cargas e quase 100% dos passageiros. “É importante que se faça projetos de atualização, recuperação e modernização dessa malha ociosa e mais ferrovias. Esse é um dos principais apontamentos desse relatório”.
 
Ele avalia que o caminho para o equilíbrio da matriz de transportes é a implantação de um sistema intermodal, gerando margem de competitividade, redução de custos e ganho ambiental, com a redução das emissões de carbono. “A transposição desses modais é o que a gente precisa e, onde a vocação regional permitir, explorar outros meios, como o hidroviário, por exemplo. Essa matriz de transporte, hoje calçada totalmente no rodoviário, precisa ser equilibrada”, frisou.
 
A previsão é que, com a ampliação significativa da oferta não rodoviária de transporte de carga geral e de passageiros, será possível capturar demandas e mantê-las atendidas até 2040 a custos competitivos.
 
Em nota, o Governo de São Paulo respondeu que “vai analisar o relatório encaminhado pelo Crea-SP". Salientou também que a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) “trabalha na elaboração de um Plano Estadual de Logística e Investimentos, com análise da infraestrutura e demanda por transporte regional no Estado de São Paulo. A sustentabilidade é um dos pilares do estudo, que prevê ações e projetos de integração de todos os modais, com foco em ferroviário e hidroviário”.
 

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