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Não basta olhar à árvore, e sim, também enxergar a floresta
Fonte: Sindaport / A Diretoria

“Ver as árvores tem vários significados, pode ser enxergar um detalhe, uma sutileza, mas também, que concentramos demais nossa atenção aos pequenos detalhes e nos esquecemos do resto. Não queremos dizer que os detalhes não são importantes, é claro que são, mas não são tudo, é preciso dar um passo atrás e ver o cenário todo. Quando nos afastamos um pouco da situação, temos uma visão mais ampla e aí conseguimos enxergar a floresta” (Dra. Yeda Oswaldo)
Certos assuntos, que devem ser compreendidos num todo, não apenas numa única frase ou parágrafo, já são difíceis de nos expressarmos por um texto único. Imagina então, tratar de assuntos de grande relevância através do WhatsApp. Fica um verdadeiro “salseiro”.
Mas, para tentarmos dar um entendimento geral e uniforme sobre os acontecimentos na Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) após a posse da nova diretoria da empresa, já nos manifestamos anteriormente.
A posse de uma nova diretoria na Codesp marca o fim de um ciclo e o início de um novo. Sempre foi assim. Mas quando a mudança de diretoria marca também novos critérios de escolha e mudança de perfil dos dirigentes, os efeitos são sentidos mais rapidamente.
Essa nova Diretoria da Empresa tem um viés menos político e mais técnico. Quase todos consolidaram suas carreiras exclusivamente na iniciativa privada, com exceção do Presidente Tércio, que também já presidiu a Companhia Docas de São Sebastião.
Então é natural que logo na chegada tentem impor as práticas administrativas já conhecidas e aplicadas anteriormente, na finalidade de verem as mudanças dando resultados mais rapidamente.
No entanto, se torna essencial que esses novos dirigentes tenham toda a consciência nas diferenças entre administração pública e privada.
A administração pública tem como finalidade principal o bem comum, descrito na Constituição Federal, se ajustando aos projetos e às políticas governamentais. Assim, seu orçamento e a destinação de suas verbas seguem os objetivos do Estado, passando, portanto, pela mão do gestor público.
As premissas da administração privada são, por sua vez, empregadas na gestão de empresas privadas. Suas finalidades são mais particulares, visando o desenvolvimento da organização e o benefício de pessoas específicas, como os proprietários ou gestores e os funcionários. Alguns dos principais objetivos da administração privada são a rentabilidade, a competitividade e a integração.
Esse modelo não sofre interferência de políticos, de planos ou projetos governamentais, de modo que sua ligação com o Estado se dá por meio de legislação específica, separada daquela que orienta a administração pública.
Quais são as principais diferenças? Administração Pública e Privada.
Obtenção de recursos
| • | Administração pública: cofres públicos (impostos, taxas e contribuições); |
| • | Administração privada: pagamentos feitos pelos clientes. |
Público-alvo
| • | Administração pública: cidadão; |
| • | Administração privada: cliente. |
Tipo de controle
| • | Administração pública: Estado (controle político); |
| • | Administração privada: mercado. |
Tomada de decisões
| • | Administração pública: lenta, baseada em políticas públicas; |
| • | Administração privada: rápida, baseada em políticas empresariais. |
Criação e autorização
| • | Administração pública: instituições criadas ou autorizadas por lei; |
| • | Administração privada: organizações criadas por contrato. |
Ordenamento jurídico
| • | Administração pública: princípio da legalidade e do direito público (constitucional e administrativo), de forma que o que não é determinado por lei está proibido; |
| • | Administração privada: direito privado (civil e comercial), fazendo com que o que não está proibido pela lei seja permitido. |
Fica fácil de perceber que para a nova diretoria da empresa administrar uma empresa pública, do tamanho e da complexidade da Codesp, como se fosse uma empresa privada, será missão difícil.
Mas, medidas inéditas já foram tomadas e dão mostras do que ainda está por vir. Todos os gabinetes e salas individuais de diretores serão desmontados. Todos os diretores, inclusive o presidente, ficarão numa mesma sala, chamada de “situação”, numa grande mesa sem sequer cadeira fixa.
O número de carros para atender a diretoria será reduzido de 5 para 3, sendo para uso exclusivo e específico em transporte para reuniões ou eventos oficiais e, segundo foi informado, não mais para pegar ou levar para as residências.
Uma medida, que nos 127 anos de história do Porto de Santos nunca havia acontecido, foi a cautelar obtida pela Codesp com relação à greve dos companheiros do Sindicato dos Estivadores, concedida na Justiça preliminarmente, tratando da proibição da ocupação de espaços públicos no Porto. Nem mesmo durante os governos militares, quando fuzileiros navais dividiam espaço no cais junto aos trabalhadores portuários, tal medida judicial cautelar antecipada foi tomada.
O Sindicato dos Empregados na Administração Portuária (Sindaport) deverá continuar atento para o que é prerrogativa exclusiva da empresa e, portanto, legal de se fazer e aplicar. No entanto, para o que vier a ferir nosso Acordo Coletivo de Trabalho ou legislações específicas, as medidas judiciais, se for o caso, deverão ser tomadas.
E já começam a chegar reclamações no Sindicato sobre corte de horas extras para o setor de fiscalização. Lembrando que escalação para horários extraordinários é prerrogativa da empresa. Cabe a todos nós verificar se pessoas estranhas ao nosso trabalho estão realizando as nossas atividades.
Se, por falta de escala de pessoal em horários extraordinários, atividades essenciais e legais da empresa deixarem de ser realizadas, estaremos enviando as denúncias cabíveis para os órgãos competentes, como Ministério Público do Trabalho, Promotoria do Meio Ambiente, etc.
O fato é que o nosso próximo grande desafio será a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho, com data- base em 1º de junho. Para tanto, devemos lembrar-nos de sábios ditados dos tempos antigos como “passarinho na muda não pia”.
A Luta Continua...
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