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Desemprego cai em apenas 6 estados do Brasil, diz IBGE
Fonte: Valor Econômico
Das 27 unidades da federação, seis apresentaram redução da taxa de desemprego no quarto trimestre de 2018 frente ao terceiro, conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua divulgados na última sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
As seis unidades da federação com quedas relevantes da taxa de desemprego foram Sergipe (17,5% para 15%), Pernambuco (16,7% para 15,5%) Espírito Santo (11,2% para 10,2%), Rio Grande do Sul (8,2% para 7,4%), Paraná (8,6% para 7,8%) e São Paulo (13,1% para 12,4%).
Para Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, a expectativa seria de redução da taxa de desemprego em todos os Estados, na comparação com o terceiro trimestre, considerando que o fim de ano contou com três eventos favoráveis ao mercado de trabalho: as contratações das eleições, da Black Friday e das vendas de fim de ano. A taxa nacional recuou de 11,9% para 11,6% do terceiro para o quarto trimestre.
"É um resultado desfavorável. Na região Norte, nenhum Estado teve queda de desemprego. A sazonalidade favorável não aconteceu", disse Azeredo.
Como informou o IBGE no fim de janeiro, a taxa de desemprego no país recuou para 11,6% no quatro trimestre do ano passado. Nesta manhã, o instituto divulgou os resultados detalhados do mercado de trabalho por unidades da federação e regiões do país, além de outros indicadores, como tempo de procura de emprego.
O cálculo do IBGE sobre o número de unidades de federação com queda na taxa de desemprego considera o intervalo de confiança (margem de erro) da pesquisa, ou seja, apenas variações considerada estatisticamente significativas. Por esse mesmo critério, a taxa de desemprego subiu na Bahia, de 16,2% no terceiro trimestre para 17,4% no quarto trimestre.
O caso Roraima
A taxa de desemprego em Roraima bateu recorde no fim do ano passado, ao escalar para 14% no quatro trimestre, bem acima do verificado um ano antes (9,4%). A taxa foi a mais alta já registrada no estado desde 2012, início da série do IBGE. O número vai na contramão do país.
Segundo Azeredo, a explicação provável para o resultado é o processo de imigração de venezuelanos para o Estado. Na última quinta-feira, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ordenou o fechamento da fronteira entre os dois países.
"Tudo indica que pode ser a imigração de venezuelanos que pressionou o desemprego, mas não posso afirmar com certeza porque não tenho na pesquisa informações sobre imigração. Ou seja, não sei se o desempregado é imigrante. Ele pode estar ocupado no lugar de um brasileiro", disse.
O número de pessoas desempregadas em Roraima chegou a 74 mil no quarto trimestre, bem acima dos 49 mil registrados um ano antes. Isso representa um crescimento de 51% no período. A população ocupada até cresce nessa comparação, de 52 mil para 55 mil.
Azeredo acrescenta que a Pnad Contínua visita domicílios permanentes, sem considerar a população que vive nas ruas. Dessa forma, os imigrantes que vivem em tendas improvisadas, por exemplo, não são computados na pesquisa. "Boa parte já está em domicílios", ponderou.
Pretos e pardos sofrem mais
A crise afetou mais duramente os trabalhadores de cor preta ou parda do que demais trabalhadores. Do total de desempregados existentes no país, 64,6% eram de cor preta ou parda no quatro trimestre do ano passado. Esse percentual era de 59,1% no primeiro trimestre de 2012, início da série histórica da pesquisa do IBGE.
"A crise afetou a todos, a desocupação cresceu para todos. Mas afetou ainda mais pessoas de cor preta ou parda porque a crise afetou canteiros de obra, chão de fábrica, inserções com população de cor preta ou parda mais presente", disse Azeredo.
Dados do IBGE mostram que o emprego no setor de construção civil -- formal e informal, de grandes canteiros a pequenas empreitadas -- recuou 1,7% no quatro trimestre de 2017, frente ao mesmo período de 2017. São 121 mil empregos a menos.
"A crise pegou a população de baixa renda. Houve redução expressiva nesses agrupamentos, principalmente na camada da população menos abastada", disse Azeredo.
A pesquisa do IBGE mostra que a taxa de desemprego da população que se declarou de cor branca estava em 9,2% no quarto trimestre do ano passado, abaixo da média nacional (11,6%). Porém, a de pessoas de cor preta (14,5%) e parda (13,3%) estava acima.
Desemprego de longa duração
O país tinha 5,0 milhões de pessoas em busca de emprego havia um ano ou mais no quatro trimestre do ano passado, segundo o IBGE. No quarto trimestre de 2017, esse contingente era de 5,03 milhões.
Isso significa que houve estabilidade no chamado desemprego de longa duração -- definido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) como pessoas que procuraram emprego continuamente por pelo menos um ano.
De acordo com a Pnad Contínua, o número de pessoas que procuram emprego de um a dois anos encolheu 16%, para 2,243 milhões. Mas o contingente que procura emprego há dois anos ou mais cresceu 12,1%, para 2,786 milhões.
Esse desemprego de longa duração está entre os que mais preocupa especialistas em mercado de trabalho. Pessoas há muito tempo sem vaga tendem a desistir da procura ou ficar desatualizadas profissionalmente. Quanto mais tempo demora para conseguir vaga, mais difícil fica para obtê-la.
A maior parte dos desempregados buscava emprego havia um período entre um mês e menos de um ano. Esse contingente era de 5,370 milhões no quatro trimestre de 2018, 6,8% abaixo do mesmo período do ano anterior (5,761 milhões).
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