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Reunião de alinhamento para acordo coletivo

Fonte: Sindaport / A Diretoria

 
Em um programa transmitido pela Rádio Bandeirantes, com altos índices de audiência na Baixada Santista, o jornalista José Paulo fez o seguinte comentário sobre preço dos combustíveis: “preços de tarifas públicas não devem ser definidas por tecnocratas, e sim, por decisão política.”
 
Na manhã desta quarta-feira (30), grande parte da mídia reservou generosos espaços em suas manchetes para criticar a greve de 72 horas dos petroleiros que, apesar das muitas entrelinhas, pelo farto material divulgado pela própria imprensa do estado de São Paulo, não contou com a interferência do PT e da CUT.
 
Nessa estranha linha de atuação, coube à grande maioria dos jornais, programas radiofônicos e televisivos chamarem equivocadamente os bravos companheiros petroleiros responsáveis pelo movimento paredista de “oportunistas de plantão”, ignorando assim a verdadeira motivação do movimento, ou seja, de que a categoria luta não apenas contra a política de preços dos derivados de petróleo da Petrobrás bem como contra os tecnocratas do Governo Federal que querem retirar direitos e conquistas dos servidores públicos, empregados em empresas estatais e de economia mista. 
 
Infelizmente boa parte desta mesma mídia demostrou não possuir informações de bastidores para saber com riqueza de detalhes o que acaba levando determinada categoria profissional ao limite extremo que consiste no sagrado direito de greve. Um claro exemplo disso está na Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp).
 
Parece que quatro tecnocratas dentro do Governo Temer, José Alfredo de Albuquerque e Silva, Sérgio Teixeira, Maria da Glória e João Manoel Simões, que passam mais tempo com seus “bumbuns” confortavelmente sentados em salas refrigeradas, torcem pelo quanto pior melhor querendo ver o circo pegar fogo, inclusive para a queda do próprio presidente Michel Temer. 
 
A atuação dos quatro "lâmpadas" a frente de seus respectivos cargos já não deixa dúvidas e revelam que querem mesmo é levar os trabalhadores portuários, com destaque para os que atuam na Codesp, a uma grande paralisação nacional com a consequente suspensão das atividades em todos os portos públicos do país.
 
Um desses quatro "gênios do segmento", sempre muito gentil, atencioso, carinhoso, delicado e suscetível para aceitar convites para jantar, eventos sociais e etc. parece até se preocupar com a própria imagem, porém, ao que tudo indica, deixa cada vez mais evidente que está nada preocupado com os trabalhadores portuários e com uma possível decretação de greve geral nos portos do Brasil.
 
No último dia 25 de maio, o presidente e o vice-presidente do Sindicato dos Empregados na Administração Portuária (Sindaport), Everandy Cirino dos Santos e João de Andrade Marques, estiveram reunidos com o presidente da Codesp, Alex Oliva e com o superintendente de Desempenho, Riscos e Conformidade da empresa, Ozoni Argenton. Na pauta do encontro as últimas demissões promovidas pela estatal e o acordo coletivo dos empregados.
 
Como de hábito, o presidente da Codesp foi bastante direto e enfático em suas explanações. Sobre o Dissídio 2017 já instaurado na Justiça do Trabalho, foi bastante claro ao afirmar que “não vê possibilidades de se revolver de forma negociada, mas que no entanto estaria dando fiel cumprimento a decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo".
 
No entanto, sobre a Campanha Salarial de 2018, disse que esperava chegar a um bom termo e resolver a questão de forma negociada. Falou sobre a manutenção de quase a totalidade do atual acordo coletivo, com pequeno ajuste, como por exemplo a retirada da cláusula referente ao empréstimo de férias após todos retirarem conforme previsto nas cláusulas do acordo de 2017. 
 
Sobre índice de reajuste salarial, falou sobre duas possibilidades que o Governo Federal pensa em oferecer aos portuários, sendo a primeira 50% do índice de inflação para um acordo válido por um ano (2018/2019) ou adiantamento de 2% para um acordo de 2 anos (2018/2020).
 
Disse ainda que encaminharia para o Sindaport documento sobre nossa pauta de reivindicação, o que realmente aconteceu, e no ofício a Codesp informa que:
 
- A Codesp está aguardando as pautas de reivindicações dos demais sindicatos, para dar início as reuniões de negociação;
 
- Autorizada a garantia da data-base, por 30 dias, contados a partir de 1º de junho/2018;
 
- Prorrogação do Acordo Coletivo vigente, por 1 mês, a partir de 01 de junho/2018, de forma a possibilitar a continuidade das negociações.
 
Na tarde da última segunda-feira (28) fomos convocados via telefone para uma reunião agendada para o dia seguinte com o diretor de Administração e Finanças, Francisco José Adriano, e com o superintendente de Recursos Humanos, Carlos Alberto da Silva, o Cacá. Além de Everandy Cirino e João Andrade, o Sindaport esteve representado pelo secretário geral, Valdir Pfeifer, e pelo diretor social, Edilson de Paula Machado.
 
Para nossa surpresa e até espanto, o teor dessa reunião de terça foi totalmente oposto as discutido anteriormente com o presidente Alex Oliva, uma vez que José Adriano traçou o pior panorama possível, detalhando inclusive aspectos discutidos em recente reunião da qual participou na Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (SEST), do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão (MPDG), em Brasília, cujas imposições abordadas são:
 
- Possibilidade de índice 2017/18, INPC 3,35% sem retroatividade;
 
- Período 2018/19, possível 50% do INPC, se acordo assinado após 31/07, sem retroação;
 
- Adequação/alteração dos percentuais de hora extra e adicional noturno;
 
- Adequação das cláusulas de plano de saúde;
 
- EXCLUSÃO das cláusulas tíquete extra em dezembro, quebra de caixa e licença acompanhamento de 6 dias/ano. 
 
Após o surpreendente relato, de imediato Everandy Cirino deixou claro para Francisco José Adriano que diante de tal proposta a deflagração de uma greve seria inevitável. Nesse sentido, o Sindaport já está preparando ofícios que serão enviados ao presidente Michel Temer, Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Casa Civil e pasta do Planejamento, comunicando previamente que, confirmada a indecorosa proposta antecipada por José Adriano, alterando para pior o acordo coletivo vigente, não restará outra alternativa, que não a GREVE GERAL.
 
Na mesma linha, a direção do Sindaport também já iniciou tratativas junto a Federação Nacional dos Portuários (FNP) para que a campanha salarial dos colaboradores da estatal possa ser conduzida de forma nacional, decretando se necessário uma greve geral nas mesmas datas em todos os portos públicos.
 
Quem tem a caneta e mantém a palavra é o presidente da Codesp, Alex Oliva, até porque a docas paulista é a única do sistema que pagou aos empregados PLR conforme prevê as normas. Além disso, distribuiu aos diretores dividendos por metas alcançadas, conforme estabelecido na gestão portuária.
 

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