Notícias

Sul e Sudeste têm maioria das cidades com saldos de emprego mais elevados

Fonte: DCI
 
Representantes de prefeituras veem melhora na atividade econômica e ressaltam importância de exportações; Norte e Nordeste, porém, encontram dificuldade com menor investimento público
 
A lista das 40 cidades que registraram melhores saldos de emprego formal, entre janeiro e março deste ano, tem 34 municípios das regiões Sul e Sudeste do País.
 
Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que cidades exportadoras e com participação relevante da indústria ocupam o topo do ranking de emprego.
 
É o caso de Franca, no interior de São Paulo, onde as contratações superaram as demissões em 4.685 postos no primeiro trimestre. Segundo representante da prefeitura local, a produção de calçados é o principal gerador de trabalho na região.
 
"Além de uma melhora das perspectivas para a atividade econômica, a indústria calçadista é beneficiada por um fator sazonal. Isso porque ocorrem várias admissões nos primeiros meses do ano, depois dos cortes em dezembro", diz Deyvid Alves da Silveira, diretor da divisão de indústria, comércio e serviços da secretaria de desenvolvimento de Franca.
 
Ainda que o ritmo das contratações deva cair no segundo semestre, o entrevistado projeta que a cidade deve encerrar 2017 com um saldo positivo de 2 mil vagas.
 
O crescimento da exportação de calçados também beneficia a cidade neste ano. De acordo com o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic), houve aumentos nos embarques dos três principais produtos vendidos ao exterior pelo ramo industrial. Somadas, as variedades de calçados representaram 64% dos US$ 42,499 milhões do volume exportado por Franca de janeiro a abril.
 
Situações semelhantes foram vistas em Blumenau e Joinville, as representantes mais bem colocadas de Santa Catarina no ranking de emprego. Com oito das 40 cidades que registram melhores dados neste ano, o estado lidera no País, empatado com o vizinho Rio Grande do Sul.
 
Favorecidas por incrementos nos embarques de manufaturados, as vendas para estrangeiros dos dois municípios avançaram no primeiro quadrimestre do ano.
 
"Grande parte da geração de vagas se deve à produção de fumo, da empresa Souza Cruz", diz Moris Kohl, secretário municipal de desenvolvimento econômico de Blumenau.
 
Ele calcula uma manutenção dos números positivos no mercado de trabalho para o segundo semestre. "Não teremos resultados como os anteriores à crise, mas serão melhores que os dos últimos anos."
 
Já Richard Klymyszyn, gerente na secretaria de planejamento urbano e desenvolvimento sustentável de Joinville, destaca a fabricação de produtos metálicos e mecânicos. Os dados do Mdic indicam que a exportação de peças para veículos cresce em 2017.
 
Apesar do desempenho positivo de algumas cidades do interior, quase todas as capitais de Sul e Sudeste marcam saldos negativos neste ano. A única exceção é Curitiba, onde foram acrescentadas 348 vagas no primeiro trimestre.
 
Crise ao norte
 
Nas regiões Norte e Nordeste, entretanto, a situação é pior. A primeira representante nordestina no Caged é Luis Eduardo Magalhães, cidade baiana que ocupa a 18ª colocação na lista. Depois, só na 53ª posição é encontrado outro membro da região - Dias d'Ávila, também na Bahia. Na região Norte, nenhum município aparece entre os 100 com melhores números de emprego.
 
Professor de economia da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), Antônio Carlos Alves dos Santos explica que as regiões Norte e Nordeste dependem mais do investimento público, hoje enfraquecido, e têm economia menos diversificada, o que justifica os resultados piores durante a crise.
 
Já no Centro-Oeste, 5 cidades figuram no top 40 do mercado de trabalho. Destaque para Cristalina, em Goiás, a melhor colocada.
 
Sobre o quadro da região, o professor indica que a supersafra deste ano deve favorecer os dados de mercado de trabalho nos próximos meses. A melhora não será tão grande, no entendo, por causa da forte mecanização do setor agropecuário, que reduz a demanda das empresas do segmento por mais mão de obra.
 
Entre janeiro e março, o Brasil fechou 64.378 postos de trabalho formais. O melhor resultado foi visto no Sul, com criação de 63.522 vagas, e o pior, no Nordeste, com redução de 106.277 postos.
 

Imprimir Indicar Comentar

Comentários (0)



Compartilhe



Voltar