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Visita de médico
Fonte: AssCom Sindaport / Denise Campos De Giulio


Menos de cinco horas. Esse foi o precioso tempo gasto pelo ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Maurício Quintella, em sua primeira visita ao Porto de Santos, realizada na última sexta-feira (07). No cargo desde 12 de maio, demorou quase que exatos cinco meses para dar o ar da graça no maior e mais importante complexo portuário da América Latina, responsável por 27% da balança comercial do País.
Depois de chegar à Baixada Santista em aeronave executiva que pousou às 11 da manhã na Base Aérea de Santos, o ministro deu adeus antes que os relógios marcassem 16h, encerrando assim o que a mídia local e a própria Companhia Docas de São Paulo (Codesp), através de seu portal, chamaram de "visita técnica" ao Porto de Santos.
Visita que, por outro lado, foi classificada pelos trabalhadores portuários como a popularmente conhecida "de médico", tamanha rapidez foi o bate e volta de Maurício Quintella, que depois de um breve passeio de lancha pelo canal de navegação partiu sem ao menos saber o que significa e para que serve um cabeço de cais.
Para o presidente do Sindicato dos Empregados na Administração Portuária (Sindaport), Everandy Cirino dos Santos, o titular da Pasta não deixou uma boa impressão. "Por sua complexidade e relevância no cenário mundial, o Porto de Santos e a comunidade portuária, representada por trabalhadores, empresários, autoridades e demais agentes de interação mereciam no mínimo um pouco mais de atenção e respeito por parte do ministro".
Na avaliação do dirigente, a ausência de diálogo com os vários setores que atuam no segmento verificada até o momento antecipa uma difícil relação. "Para uma gestão dessa magnitude, que trata da logística interna e das portas de entrada e saída do País, por mar, terra e ar, além de saudável para as relações o debate é imprescindível para o sucesso de qualquer planejamento".
Segundo Cirino, o "vapt-vupt" do ministro não lhe permitiu tomar conhecimento das diversas empresas operadoras portuárias e suas respectivas áreas de atividades, instaladas nas margens direita e esquerda do porto, nos municípios de Santos e Guarujá, além dos terminais de Cubatão. "Demonstrou um pífio interesse diante de tamanha responsabilidade e da grandeza que é o nosso porto".
Nem mesmo o esforço despendido pelo anfitrião Alex Oliva, presidente da Codesp, e pelos demais diretores da estatal, além do tradicional cordão dos puxa-sacos, foi suficiente para que Quintella pudesse efetivamente fazer do rápido giro uma grande oportunidade de aprendizado sobre o principal porto brasileiro, não por acaso administrado por uma estatal que se encontra sob seu comando hierárquico.
A simples entrega de uma antiga embarcação restaurada à Guarda Portuária tampouco pode justificar a meteórica inspeção do ilustre ministro escolhido por Michel Temer para capitanear três dos mais importantes segmentos da economia. Nesse sentido, as más línguas garantem que a vinda de Quintella está diretamente ligada às mudanças que se prenunciam nos principais escalões da Codesp, algo que já se tornou corriqueiro em razão dos conchavos e negociatas políticas.
E para que a próxima visita, não se sabe quando e por quanto tempo, seja mais profícua, benéfica e fértil, além de séria, objetiva e elogiável, cabe ao Sindaport se colocar a inteira disposição do mandatário Maurício Quintella, excelentíssimo senhor ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil, desejando-lhe boa sorte na difícil missão de conduzir o leme da navegação nacional e prestar a seguinte colaboração:
Porto: ancoradouro, embarcadouro;
Navio: Embarcação coberta destinada a navegar no mar ou rios;
Cais: plataforma, molhe, ponto de embarque e desembarque nos portos;
Canal: braço de mar, curso de água natural ou artificial utilizado para diversos fins, como irrigação, navegação e etc.;
Cabeço: Peça de ferro cilíndrica que se encontra no cais e serve para suportar o cabo que faz a amarração, quando os navios atracam;
Carga: o que é transportado por pessoa, animal, veículo ou barco;
Dragar: rocegar, limpar ou profundar o fundo das águas navegáveis por meios da draga;
Contêiner: cofre de carga, volumosa caixa para transporte de mercadorias, sobretudo por vias marítimas;
Porto de Santos: http://www.portodesantos.com.br/historia.php.
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