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Bruxa anda solta na Codesp
Fonte: AssCom Sindaport / Denise Campos De Giulio


A bruxa continua solta pelos lados da Avenida Conselheiro Rodrigues Alves, s/nº. Depois da queda do ex-assessor da presidência da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), Carlos Antônio de Souza, o Carlinhos, que ganhou notoriedade em dois vídeos que circularam na semana passada nas redes sociais relatando supostas negociatas envolvendo a estatal que administra o Porto de Santos, mais dois gafanhotos foram defenestrados ao longo da semana.
Segundo a sempre atenta "rádio peão" do Sindicato dos Empregados na Administração Portuária (Sindaport), o repelente atingiu desta vez o superintendente da área de Recursos Humanos e mais um assessor da presidência da empresa, ou seja, dois ocupantes dos chamados "cargos de confiança", cujas boquinhas se revelam cada vez mais dispensáveis.
As exonerações foram determinadas pelo presidente da Codesp, Alex Oliva, que acaba de criar uma comissão interna para apurar os vídeos, o chamado grupo de "intocáveis". Apesar da coincidência não se sabe, porém, se os novos desligamentos tem alguma ligação com os clipes protagonizados por Carlinhos, que ingressou na empresa pela porta dos fundos mediante indicação política do deputado federal Marcelo Squassoni (PRB/SP).
Por outro lado, fontes bem próximas da direção da Codesp garantem que os desligamentos já consolidados, além de outros que estão a caminho, decorreram das denúncias formuladas pelo Sindaport quanto a contratação desenfreada, e acima do permitido, de gafanhotos para ocuparem estratégicos e bem remunerados cargos na estatal portuária.
"Ao mencionar políticos de sua relação no município de Guarujá, reduto do deputado Squassoni, o ex-assessor Carlinhos revela uma provável influência de partidos políticos na Autoridade Portuária de Santos, com destaque para o PR, PP e PRB, o que acabou sugerindo ligações no mínimo duvidosas da Codesp com as legendas", explicou o presidente do Sindaport, Everandy Cirino dos Santos.
Nos vídeos, ao abordar temas de extrema relevância para o Porto de Santos e para a própria Codesp, tais como dragagem, TI e digitalização de documentos, bem como supostos valores dos contratos, na ordem de R$ 80 milhões, R$ 16 milhões e de R$ 400 milhões respectivamente, Carlinhos colocou sob suspeita os instrumentos celebrados pela estatal portuária e empresas prestadoras dos serviços por ele elencados.
Na avaliação do sindicalista, ainda que de maneira involuntária, o protagonista Carlinhos direcionou todas as atenções para os responsáveis pelos contratos em questão. "Além disso, mesmo que indiretamente, apontou o dedo para os indicados pelos três partidos políticos que, ao que tudo indica, seguem dando as cartas na Codesp, considerando que a empresa optou por não se manifestar sobre a influência política citada nos vídeos, lembrando que quem cala, consente, segundo a lenda", pontuou.
Há quem garanta que muita roupa suja será lavada na próxima reunião do Conselho de Administração (Consad), com chances reais da exoneração de gente importante do primeiro e segundo escalões da estatal em decorrência do efeito dominó que avança após o advento dos tais vídeos.
Independentemente do resultado do trabalho realizado pelos "Intocáveis" na sindicância interna, o Sindaport já notificou o Ministério Público sobre os vídeos. "É nossa obrigação colaborar com o presidente Alex Oliva no sentido de passar a limpo esse triste episódio, que lamentavelmente coloca mais uma vez o sagrado nome da Codesp nas manchetes da mídia em geral de forma negativa", concluiu Cirino.
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