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Sabe de nada, inocente!
Fonte: Sindaport / Denise Campos De Giulio


A semana que se aproxima do fim parece não ter sido nada positiva para dois dos políticos que representam a Baixada Santista no Senado Federal, que por motivos ainda não esclarecidos acabaram se envolvendo em episódios lamentáveis e até mesmo vexatórios.
Na segunda-feira (19), dia marcado pela baixa frequência uma vez que a grande maioria dos representantes do povo ainda está chegando à Brasília para trabalhar, coube ao deputado federal Beto Mansur (PRB/SP) o triste papel de protagonista daquele que já entrou para a história da Câmara como o chamado "Golpe da Madrugada".
Com o presidente da República, Michel Temer, cumprindo agenda internacional e o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM/RJ), substituindo-o no Palácio do Planalto, coube ao parlamentar santista comandar a sessão que teve como único objetivo anistiar os políticos que se utilizaram do procedimento popularmente conhecido como "caixa dois" em suas eleições passadas.
De 2007, o projeto de lei aborda a criminalização de doadores e recebedores de recursos "paralelos" destinados às campanhas, cuja irregularidade atualmente é prevista pela legislação eleitoral. O ponto fulcral da proposta reside na ideia deliberadamente destinada a frustrar e até mesmo neutralizar as delações dos mandatários e executivos da Odebrecht e da OAS, que no curso da temida Operação Lava Jato ameaçam caguetar deus e o mundo na própria Câmara, no Senado, no Executivo, Judiciário e os cambau.
Na qualidade de primeiro secretário da Casa, Mansur fez figas e jurou de pés juntos que não sabia do conteúdo do tal PL, apesar de pautá-lo para a votação de um plenário às moscas e ainda por cima ao apagar das luzes daquela sombria sessão de segunda-feira. Frágil argumento para quem ocupa tão importante cargo no Poder Legislativo da União, diante de uma manobra execrável, oportunista e descabida, mas que não deu certo, sobretudo na atual conjuntura. A continuar assim, "sem saber nada", é melhor desocupar a moita e entregar o cargo.
Squassoni
Não menos preocupante para o eleitorado local, com destaque para o de Guarujá, foi a denúncia formulada por um empresário do município que afirmou ter emitido em favor do deputado federal Marcelo Squassoni (PRB/SP) nove notas fiscais frias, no valor de R$ 3,5 mil cada, sem que suas empresas tivessem prestado um único serviço sequer.
Já protocolada no Ministério Público Federal, a acusação veio a público em entrevista concedida por José Eduardo dos Santos, proprietário da TESS - Tecnologia e Sistemas de Segurança, ao jornal o Estado de S. Paulo e à rádio CBN, na terça-feira (20). "Em agosto de 2015 eu fui procurado para emitir notas fiscais de minha empresa para que ele pudesse arcar com compromissos de campanha. Ficou combinado que seria como segurança eletrônica e manutenção preventiva. Nós não prestamos o serviço", disse o dono da empresa.
Por sua vez, o deputado desmente o empresário, contra quem registrou queixa na Polícia Federal mediante a apresentação de cópias de documentos. "Esse cidadão está fazendo um jogo por causa de dinheiro. Ele quis me extorquir. Denunciei isso na Polícia Federal", afirmou o parlamentar. Disse que o serviço foi executado e prometeu enviar provas à reportagem, mas ainda não o fez.
Ex-vereador da conhecida Pérola do Atlântico por três legislaturas, Squassoni afirmou estar sendo vítima de uma armação política, motivada por uma extorsão de dinheiro por parte do empresário, e que estaria enviando à reportagem dos dois veículos de comunicação provas de que os serviços, contratados para o período de agosto de 2015 e fevereiro de 2016, foram efetivamente executados. "As notas fiscais foram devidamente apresentadas, pagas e reembolsadas pela Câmara dos Deputados após minuciosa análise de documentação, como é de praxe", afirmou a assessoria do parlamentar.
Dias após protocolar a denúncia ao MPF, durante a madrugada um motoqueiro disparou vários tiros contra o escritório do empresário guarujaense, que prontamente fez um boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia local sobre o ocorrido. "Não posso atribuir a ele (Squassoni), mas sem sombra de dúvida é muita coincidência." Santos disse estar escondido em um flat em São Paulo, segundo ele, por precaução. Parte das notas da TESS estão registradas na prestação de contas de Squassoni no Portal da Transparência.
Por fim, vale ressaltar que apesar de prontamente contestada a denúncia acendeu a luz amarela na equipe de campanha de Celso Russomanno, candidato a prefeito e São Paulo pelo PRB, da qual Squassoni é coordenador. Por aqui, a "gafanhotagem" que habita a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) por obra dos dois deputados anda pra lá de preocupada, considerando que ambos são conhecidos no segmento portuário por suas indicações para a estatal que administra o maior porto do País.
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