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Santa Casa, novos tempos e desafios
Fonte: A Tribuna / Editorial


Tomou posse o novo provedor da Santa Casa de Santos, Ariovaldo Feliciano. Ao assumir o cargo, anunciou que pretende fazer com que todos os serviços do hospital voltem a funcionar imediatamente e pagar as suas dívidas, da ordem de R$ 200 milhões, no prazo de dois anos.
São afirmações fortes, que demonstram disposição de enfrentar a atual crise e superá-la. Merecem crédito e apoio, principalmente a partir do anúncio feito pelo novo provedor de que será feita ampla e rigorosa reforma administrativa no hospital, de modo a implantar um modelo empresarial de gestão.
A história da Santa Casa de Santos, que tem quase 500 anos, foi marcada por crises sucessivas e recorrentes. O discurso feito na transmissão do cargo feito pelo ex-provedor, Felix Alberto Ballerini, mostra bem essa difícil trajetória. Com a morte de Braz Cubas, ocorrida no final do século 16, longo período de dificuldades surgiu, que se prolongou até 1730, quando cabia ao provedor assumir pessoalmente os prejuízos ocorridos.
No século 19, começaram as pendências com os governos, que não pagavam a Santa Casa, fato que se prolongou ao longo do tempo. E houve momentos particularmente difíceis, como em 1982, quando o hospital ficou fechado por oito meses, só se resolvendo quando Antônio Manuel de Carvalho assumiu a provedoria, em 1983.
Em vários momentos, foi decisivo o apoio externo, como na crise de 1982. Nesse caso, Ballerini destacou que a retomada das atividades da Santa Casa, com redução das dívidas à metade, aconteceu a partir da ajuda Associação Comercial, firmas exportadoras de café, agências de navegação, armazéns gerais, e das entidades de serviço e trabalhadores.
Mas isso não se sustenta no longo prazo. O retorno a difíceis situações anteriores demonstra que, embora o apoio de empresas e sociedade civil seja importante, não é suficiente para garantir o funcionamento regular do hospital. Da mesma forma, a contribuição da maçonaria, que, segundo o novo provedor, volta ao controle da administração da Santa Casa, é bastante positiva, trazendo a possibilidade de articulação com importantes segmentos da Cidade e região, mas, sozinha, não será capaz de assegurar a estabilidade financeira da instituição.
O caminho seguro está na gestão eficiente e profissional do hospital, envolvendo a administração de seu patrimônio. Passa, principalmente, por assegurar repasses do Sistema Único de Saúde em níveis maiores, como pretende o novo provedor, que anunciou que irá reivindicar o enquadramento de procedimentos já realizados como de média e alta complexidade.
Ariovaldo Feliciano e sua equipe têm um grande desafio à frente. Devem ter respaldo de todos agora, especialmente de médicos e fornecedores com os quais há dívidas, mas precisarão demonstrar mudanças e avanços, rapidamente.
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