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Edinho Araújo, o náufrago
Fonte: AssCom Sindaport / Denise Campos De Giulio

As especulações sobre a possível extinção ou incorporação da Secretaria de Portos (SEP) por outro ministério, como parte do pacote de redução de gastos públicos anunciado recentemente pelo Governo Federal, parecem estar tirando o sono e a capacidade de administrar do ministro Edinho Araújo.

As especulações sobre a possível extinção ou incorporação da Secretaria de Portos (SEP) por outro ministério, como parte do pacote de redução de gastos públicos anunciado recentemente pelo Governo Federal, parecem estar tirando o sono e a capacidade de administrar do ministro Edinho Araújo.
Protagonista de uma gestão cujo leme navega entre o péssimo e o regular, o ministro vai aos poucos submergindo na condição de administrador maior dos portos públicos brasileiros, em razão de atos pouco coerentes, falhos, ineficientes e contraditórios.
Um claro exemplo dessa simplória administração pautada pela soma de equívocos, cujos reflexos negativos são visíveis nas Docas estatais, pode ser avaliado pelo repentino anúncio da troca de dois diretores da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), na semana passada, surpreendendo a comunidade portuária local.
Ainda que as substituições nos principais escalões da empresa sejam rotineiras, ao ceder às pressões dos Betos, Marcelos, Nelsons e Baleias da vida, Edinho Araújo revelou toda sua fragilidade enquanto político, mesmo filiado ao PMDB, de Michel Temer. Vale ressaltar que, finda a era PSB, os cabeços de atracação do cobiçado Porto de Santos, via Codesp e SEP, agora também pertencem ao PR, PTB e PRB, além do PT e PMDB.
Ao permitir que dois dos melhores executivos que já passaram pelo comando da Codesp fossem tratados como simples moedas de troca em nome de conchavos e negociatas que desacreditam cada vez mais a já desacreditada política brasileira, o titular da SEP apenas ratificou sua emblemática manifestação ao tomar posse e admitir, na ocasião, que não era do ramo. E não é.
No seio da própria SEP a falta de sintonia entre o ministro e seus pares veio à tona nos últimos dias durante a escolha dos nomes que fariam parte da comitiva do governo brasileiro para uma visita oficial à Rússia e à Polônia, missão que teve início no final de semana.
Sem qualquer cerimônia, Edinho simplesmente vetou a ida do secretário-executivo da SEP, Guilherme Penin, que ocupa o cargo por indicação do PT, convidando para seu lugar o ex-presidente da Companhia Docas do Pará e seu atual assessor, Jorge Ernesto Sanches Ruiz, cotado para assumir a Chefia de Gabinete da Codesp, bem como para substituir o próprio Penin.
As incertezas, os conchavos e o fogo amigo mereceram destaque na conceituada coluna Mercado Regional, do jornal A Tribuna, de Santos, edição desta segunda-feira (14), assinada pelos competentes jornalistas, Vânia Augusto e Leopoldo Figueiredo.
Atento a essa guerra de vaidades, que poderá gerar consequências para a Codesp, a direção do Sindaport não pretende questionar a qualidade, capacidade e competência dos futuros gestores, mas sim os reflexos negativos causados à Autoridade Portuária da maior e mais importante porta de entrada do comércio exterior do país, em razão da descontinuidade administrativa motivada pela abrupta troca.
Tal preocupação se dá pela lacuna entre a data do antecipado anúncio, na última sexta-feira (11) e a de posse dos novos dirigentes, que ocorrerá no próximo dia 25, durante a reunião do Conselho de Administração (Consad) da estatal.
Até lá, a já combalida e estagnada gestão da Codesp ficará ainda mais prejudicada, não apenas por uma justificada desmotivação dos destituídos, mas principalmente pela suspensão de estudos e projetos em curso, assim como de todo e qualquer ato administrativo que poderá ou não ser anulado ou legitimado pelos designados após o dia 25.
À exemplo de alguns de seus antecessores, Edinho Araújo perde a bússola e vai se tornando apenas mais um náufrago em meio a tantos planos, consultorias, deloittes, estudos e projetos, tais como a participação dos portos no chamado Custo Brasil, a solução para a dragagem, licitações de áreas, prorrogações de contratos, redução da burocracia, investimentos, parcerias e outros, que ficaram a ver navios.
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