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Plano de ação para trabalhadores do túnel será apresentado
Fonte: BE News
Levantamento da Mota-Engil vai definir necessidade de moradias temporárias e possíveis impactos em serviços da Baixada Santista
A empresa portuguesa Mota-Engil, responsável pela construção do túnel Santos-Guarujá, deve apresentar, ainda neste ano, um plano de ação sobre a estrutura necessária para atender aos trabalhadores que serão contratados para a obra. A informação foi repassada pelo presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Anderson Pomini, durante coletiva realizada na manhã desta terça-feira (23), na sede da estatal. A pauta do encontro destacou os investimentos feitos e os previstos para o complexo portuário nos próximos anos.
Em relação ao estudo, a proposta é esclarecer se haverá necessidade, por exemplo, de residências temporárias para esses trabalhadores; se haverá impacto na rede hoteleira, na saúde e na educação — e, em caso positivo, qual estratégia será adotada para não sobrecarregar esses serviços.
O cenário muda caso a região disponha de mão de obra suficiente, não sendo necessário, nesse caso, contratar um número significativo de profissionais de outras localidades.
A expectativa é que a obra gere 9 mil empregos diretos e indiretos durante o período de execução, que deve começar no primeiro semestre de 2027 e se estender até 2030/2031.
Segundo Pomini, esse panorama será detalhado pela Mota-Engil nas próximas etapas do projeto. “O edital traz essas questões, junto com um cronograma que está sendo seguido. Inicialmente, é a capacitação de pessoas. Inclusive, a empresa já instalou o RH (setor de Recursos Humanos) em Santos”, disse.
O presidente da APS destacou ainda que a companhia tem experiência em obras de grande porte e citou o modelo adotado em projetos executados na África.
Um dos exemplos, segundo informações do portfólio da Mota-Engil, é o Corredor Ferroviário de Nacala, que liga as cidades moçambicanas de Nacala e Moatize, conectando uma importante mina de carvão ao Porto de Nacala. Para a execução do projeto, foram construídos dois acampamentos com capacidade para cerca de 350 trabalhadores cada, com alojamentos, refeitórios e clínicas. A obra ferroviária é considerada a maior do continente africano dos últimos 50 anos.
Contudo, Pomini ressaltou que a Baixada Santista possui características distintas, com área urbana estruturada para receber trabalhadores. Nesse cenário, o mais provável durante o projeto é que parte da mão de obra seja local ou regional, podendo contar com o uso de hotéis e, eventualmente, a necessidade de construção de estruturas temporárias menores.
Quando esses estudos estiverem prontos, segundo a APS, serão apresentados à comissão constituída pelas cidades envolvidas, APS, Marinha do Brasil, Capitania dos Portos, Aeronáutica e Governo do Estado de São Paulo. “A comissão precisa aprovar o plano, porque qualquer que seja ele, terá impactos”, concluiu Anderson Pomini.
Contratações
No ano passado, a Prefeitura de Guarujá, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Portuário (Sedep), chegou a abrir um processo seletivo com mil vagas para o início das obras do túnel. O órgão ficou responsável por recolher os documentos dos interessados e encaminhá-los ao departamento de recursos humanos da Mota-Engil.
Inicialmente, no lado Guarujá, o canteiro de obras ficará no distrito de Vicente de Carvalho, ainda sem local definido.
No total, o túnel terá investimento de R$ 6,8 bilhões. Com cerca de 1,5 km de extensão, o equipamento deve reduzir o tempo de travessia entre as duas cidades para cerca de cinco minutos. Atualmente, o deslocamento é feito por balsas, o que faz com que esse tempo varie.
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