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19/06/2015 - 20h45

Depois de decretar greve, portuários recebem nova proposta salarial da Codesp


Fonte: AssCom Sindaport / Gisele de Oliveira



Após a decretação de greve pelos portuários, empregados da Codesp (Companhia Docas de São Paulo), marcada para o próximo dia 29, parece que a empresa resolveu acordar para a Campanha Salarial da categoria. 
 
O presidente do SINDAPORT (Sindicato dos Empregados na Administração Portuária), Everandy Cirino dos Santos, conta que quatro reuniões foram realizadas entre os representantes dos sindicatos dos trabalhadores e a diretoria da empresa. A última hoje, sexta-feira. A proposta oferecida oficialmente pela Codesp aos sindicatos foi a seguinte: 
 
• Acordo coletivo por dois anos, sendo de 1º junho/2015 a 31maio/2017;
 
• Reajuste salarial e demais cláusulas econômicas de 8% a partir de 1º de junho de 2015 e de 7% a partir de 1º de junho de 2016;
 
• Manutenção das demais cláusulas do acordo anterior.
 
De pronto, o SINDAPORT informou a Codesp e os demais sindicatos que não abrirá mão da manutenção integral do atual Acordo Coletivo de Trabalho. E também do reajuste dos salários com base no índice oficial de inflação, podendo ser até o que o DEST vem praticando nas negociações dos acordos coletivos, ou seja, INPC que foi 8,37%.
 
Everandy Cirino lembra que nas duas primeiras reuniões, a Codesp ofereceu 5% de aumento salarial e não reconheceu a data base, que é 1º de junho. Já na terceira reunião, que aconteceu nesta semana, após a decretação de greve, a empresa melhorou a questão salarial, mas não ofereceu nada oficialmente. “Nas reuniões anteriores, realizadas nos dias 09, 12 e 17 deste mês, a Companhia não garantiu nem reconheceu a data base da categoria, com a alegação de confiar que o acordo seria assinado ainda durante este mês. Já sobre o índice oferecido ser abaixo da inflação, a Codesp alegou ser uma determinação do Governo Federal por meio do DEST (Departamento de Coordenação e Governança das Empresas Estatais), o que prontamente os sindicatos discordaram e rechaçaram”, lembra o presidente do SINDAPORT.
 
Mesmo com a nova proposta da Codesp, o líder sindical ressaltou durante  a reunião que participará na próxima semana, em Brasilia, de reunião com representantes dos sindicatos dos demais portos do país e com a Federação Nacional dos Portuários. A greve geral, em todos os portos, não está descartada". O sindicalista também vai se reunir com representantes da Secretaria Especial de Portos. 
 
“Informamos a Codesp que a assembleia com a categoria no dia 25 de junho está mantida, bem como o restante do calendário aprovado pelos trabalhadores. Acreditamos que a Codesp tem condições de melhorar o índice salarial, pois a diferença é pequena e a empresa pode chegar ao que a categoria almeja, ou seja, o IPCA praticado pelo Governo. Até porque, a diretoria da Codesp vem falando que tem confiança no fechamento do Acordo Coletivo ainda neste mês de junho. Acreditamos que a Companhia não quer trazer prejuízos para a comunidade portuária por causa de um índice tão pequeno. Afinal, é melhor concluir a negociação sem uma paralisação no porto”, avalia o líder sindical. 
 
Contraproposta
 
Após a apresentação da proposta pela Codesp, o SINDAPORT deixou expos uma contraproposta para avaliação da empresa. O sindicato aguarda que a Codesp dê uma resposta até, no máximo, às 20 horas do dia 25, data da assembleia.  
 
A contraproposta do SINDAPORT foi a seguinte: 
 
• Salários e demais cláusulas econômicas corrigidas a partir de 01 de junho deste ano pela aplicação do IPCA no percentual de 8,37 %, incidente sobre os valores de 31/05/2015.
 
• Já na data base do ano que vem, em 01/06/2016, os salários e demais cláusulas econômicas devem ser corrigidas  em 7%.
 
• Que a partir de 01/06/2015 seja antecipado 50%, ou seja, 3,5% referente ao índice de correção salarial de 7%, a ser aplicado a partir de 01/06/2016; ou na hipótese da inflação do IPCA na data base de 01/06/2016 ser superior ao percentual de 7%, o percentual que exceder será objeto também de negociação para a data base de 01/06/2017.
 
“Entendemos o momento difícil e delicado pelo qual passa o Brasil e o Governo Federal e, por isso, estamos dispostos a defender a proposta da Codesp junto a categoria. Não vamos avançar em novas conquistas, mas não abrimos mão da  manutenção do atual acordo coletivo com o índice de inflação”.
 
Sobre a manutenção da cláusula que trata da Complementação de Aposentadoria, e vem sendo alvo de bastante discussão, o SINDAPORT expos que tem conhecimento da Nota Técnica do DEST nº 293, e do ofício da Secretaria Especial de Portos, enviado para a Companhia, sobre a devida aplicação dos reflexos do novo Plano de Cargos e Salários sobre as complementações de aposentadorias. “Esperamos que os cálculos e os pagamentos devidos sejam agilizados”. 
 
A assembleia com os portuários está marcada para a próxima quinta-feira, dia 25 de junho, às 20 horas, no SINDAPORT, para homologação da greve por tempo indeterminado que terá início às 6 horas do dia 29 de junho.