Fonte: AssCom Sindaport / Denise Campos De Giulio
Uma nova greve poderá paralisar as atividades no Porto de Santos no próximo dia 29. A proposta será discutida em importante assembleia que acontece na noite desta segunda-feira (15) envolvendo os empregados da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), representados por nada menos do que 11 sindicatos laborais.
O encontro será realizado na sede do Sindicato dos Empregados da Administração Portuária (SINDAPORT) e reunirá os colaboradores da estatal ligados ao Sindicato dos Operadores de Guindastes e Empilhadeiras (SINDOGEESP), Sindicato dos Operários Portuários (SINTRAPORT), Sindicato dos Rodoviários (SINDROD), Sindicato dos Engenheiros (SEESP), Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados (SINDPD) e Sindicato dos Empregados Desenhistas Técnicos, Artísticos, Industriais, Copistas, Projetistas Técnicos e Auxiliares (SINDESP).
Também participam do encontro os doqueiros representados pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais (SJSP), Sindicado dos Administradores (SINASA), Sindicato dos Advogados (SASP) e Sindicato dos Contabilistas (SINCONSANTOS), além do sindicato anfitrião. Ao todo, as entidades representam cerca de 1.400 empregados.
Os portuários estão insatisfeitos com a proposta de 5% de aumento referente a campanha salarial de 2015 apresentada pela direção da Codesp. "Não querem repor nem mesmo as perdas inflacionárias constatadas no período pelo próprio Governo Federal, algo em torno de 8,80%, e isso para os trabalhadores é uma afronta", reclamou o presidente do Sindaport, Everandy Cirino dos Santos.
Ele esclarece que as negociações não evoluíram depois de algumas reuniões mantidas nos últimos dias com os mandatários da Codesp e da Secretaria de Portos (SEP). "Infelizmente não obtivemos avanços, uma vez que a empresa se diz impossibilitada de aumentar esse percentual e melhorar a proposta como um todo em razão da crise econômica, argumento que rechaçamos de imediato uma vez que não foram os trabalhadores os responsáveis por essa situação".
O dirigente denuncia que nem mesmo a data-base da categoria foi garantida durante o processo negocial. "A situação é bastante preocupante uma vez que sem a data-base outras garantias e conquistas obtidas ao longo de muitos anos ficam seriamente ameaçadas, mas isso nós não vamos permitir de forma alguma e para tanto iremos até as últimas consequências se for preciso, inclusive cruzando os braços".
Na avaliação do sindicalista, a proposta apresentada pela direção da Codesp representa um grande retrocesso na relação capital e trabalho. "Estão querendo mexer em cláusulas econômicas e sociais que constam dos acordos trabalhistas há anos, que seguramente vão refletir no bolso e na qualidade de vida dos companheiros". Segundo Cirino, alguns itens sob ameaça foram garantidos por decisões judiciais e não podem ser alterados ou retirados do instrumento normativo.
Nesse sentido, ele garante que os mandatários da Autoridade Portuária estarão contribuindo para o crescimento de seu passivo trabalhista. "Perderam a noção da boa ordem e ao que parece já nem ligam mais para as consequências financeiras, jurídicas, sociais e morais enquanto empresa pública perante a sociedade, ou seja, estão indireta e educadamente nos dizendo que vão fazer, acontecer, retirar, cancelar, não cumprir e os cambau, e ponto final, só que não é bem assim, porque do lado de cá existe uma categoria instruída, responsável e acima de tudo mobilizada".
O arrocho proposto pelo Governo Federal através da SEP não é exclusivo aos portuários da Codesp. De acordo com o presidente do Sindaport, o reajuste de 5% também foi oferecido aos trabalhadores da Companhia Docas de Vitória, no Espírito Santo. Revoltados com a proposta, eles paralisaram o complexo portuário no último dia 12 de maio reivindicando melhores salários e condições de trabalho.
Nos porto do Rio de Janeiro a situação é ainda pior, segundo o líder sindical. "Na Coderj (Companhia Docas do Estado do Rio de janeiro) tiveram a cara de pau e a desfaçatez de oferecer 10% de reposição das perdas inflacionárias, algo em torno de 0,88%, o que significa menos de 1% de aumento. Isso é provocação", esbravejou.
Diante do cenário nada favorável aos portuários que atuam nos complexos estatais, Cirino acredita que somente uma greve nacional poderá fazer o Governo Federal rever sua posição. "Não estou vendo outra saída e vamos encaminhar a nossa posição para a Federação Nacional dos Portuários (FNP) e lideranças sindicais dos demais portos, até porque se o objetivo do Governo é radicalizar, temos que dar uma resposta à altura".
A assembleia conjunta terá início às 19h, em primeira convocação, ou às 20h em segunda. "A participação dos companheiros ligados ao Sindaport e as entidades coirmãs é muito importante na noite de hoje, considerando que estaremos discutindo não apenas os termos da campanha salarial deste ano, mas também uma série de ameaças que, se concretizadas, poderão trazer consequências devastadoras para os trabalhadores".