Fonte: AssCom Sindaport / Denise Campos de Giulio
Os reflexos de uma aparente busca por um ajuste econômico que até agora se mostrou eficaz tão somente na carne e no bolso da classe trabalhadora vem revelando facetas e situações inusitadas, de forma que o corte de despesas anunciado em fevereiro pelo ministro 'mãos de tesoura' da Fazenda, Joaquim Levy, na ordem de R$ 80 bilhões, começa a atingir proporções inimagináveis e em alguns casos cômicas.
Uma delas retrata a tese popular de que no Brasil é perfeitamente possível uma banana comer o macaco, seja qual for o tipo da fruta ou a espécie do primata. Considerando que ambos possuem um mesmo ancestral, segundo Charles Darwin, os trabalhadores brasileiros já começam a tirar do próprio bolso, literalmente, para ajudar o Governo Federal a custear suas estatais.
Dessa forma, de uns tempos para cá a teoria evolucionista vem sendo adotada pelos empregados da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) com certa regularidade, uma vez que boa parte do material de escritório utilizado na atividade cotidiana passou a integrar o orçamento familiar dos doqueiros que atuam sobremaneira nas UFOs (Unidades de Fiscalização de Operações) .
A lista contém clipes, pastas, perfuradores de papel, papéis-carbono, cadernos, envelopes, grampeadores, pranchetas, almofadas para carimbos, porta carimbos, réguas, papéis e fitas adesivas, pastas AZ, elásticos, estiletes, grampos e formulários diversos.
E ainda, tesouras, organizadores de mesas e de gavetas, malotes, guilhotinas, espirais para encadernação, sacos plásticos, bobinas em geral, percevejos, pastas canaleta, borrachas, canetas, lápis e até mesmo os blocos de anotações para elencar o que falta nos escritórios do cais, Tráfego e outras unidades, diferentemente do que acontece na sede da presidência da Codesp, onde há sobra dos apetrechos.
Apesar dos insistentes pedidos dos companheiros visando a regularização da caótica e vexatória situação, a diretoria responsável segue indiferente e sem dar qualquer sinal de que atenderá as inúmeras requisições de serviços. Cabe o alerta de que algumas notas fiscais referentes as compras poderão ter desdobramentos mais sérios para a estatal portuária.
Para o presidente do Sindicato dos Empregados na Administração Portuária (Sindaport), Everandy Cirino dos Santos, a contenção de despesas promovida pela Codesp segue a linha adotada pela equipe econômica de Dilma. "Da mesma forma que o Governo debita da conta dos trabalhadores as despesas públicas decorrentes dos mal feitos da classe política, a direção da Autoridade Portuária de Santos faz praticamente o mesmo com seus colaboradores".
Na avaliação do dirigente, os efeitos 'nefastos' da política gerada em Brasília se estenderam às demais instituições publicas. "Assim como Dilma não reduz o número de ministérios, muitos dos quais sem qualquer relevância e que só existem para abrigar aliados partidários, a Codesp também prefere sangrar o bolso de seus empregados ao invés de cortar os gafanhotos que só estão na empresa graças aos apadrinhamentos políticos".
Segundo o sindicalista, diante da falta de condições para o exercício do trabalho os colaboradores deveriam cruzar os braços. "Não se trata de incitação a qualquer tipo de paralisação das atividades, mas de uma consequência óbvia, ou seja, se a situação chegou a este ponto isso não é um problema dos trabalhadores, mas sim da Codesp.
Representante majoritário dos empregados, o Sindaport orienta seus associados a não arcarem com qualquer tipo de despesa que seja devida à Codesp. "Cada macaco deve permanecer no seu galho e acima de tudo com as suas respectivas responsabilidades", concluiu o líder sindical. Com a palavra o diretor de Administração e Finanças da Codesp, Alencar Costa.