Fonte: AssCom Sindaport / Denise Campos De Giulio
No início da noite desta quarta-feira (08), a diretoria da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), através de seu presidente, engenheiro Angelino Caputo, e do diretor de Planejamento e Controle, Luís Cláudio Santana Montenegro, acionou o presidente do Sindicato dos Empregados na Administração Portuária (Sindaport), Everandy Cirino dos Santos, e comunicou a suspensão temporária da implantação do turno de 06 horas previsto para os colaboradores lotados nos setores de Fiscalização, Atracação e Amarração.
Dentre as várias ponderações feitas pelo presidente do Sindaport, a que mais pesou para o adiamento anunciado pela Codesp foi o fato de que o trabalho de consultoria encomendado pela Secretaria de Portos (SEP) junto a empresa Delloite ainda não foi totalmente concluído, devendo demorar mais alguns meses.
A empresa trabalha na elaboração de projeto visando um novo modelo de gestão para as companhias Docas administradas pelo Governo Federal, bem como para atender determinadas exigências previstas na nova Lei dos Portos - 12.815, sancionada pela presidente Dilma Rousseff em junho de 2013.
Ao longo dos últimos meses Cirino vem fazendo gestões não apenas na Codesp, bem como na SEP e no Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) no sentido de discutir profundamente a questão. "Há tempos venho alertando que uma mudança dessa magnitude, se não for amplamente discutida com as entidades representativas, poderá trazer traumas para os empregados, demandas judiciais e até mesmo prejuízos operacionais para a própria companhia e usuários em geral".
Segundo Cirino, a alteração nas jornadas de trabalho que acaba de ser suspensa pela Codesp afetaria outros departamentos que atuam de maneira correlata aos três que seriam inicialmente atingidos. "Do jeito que foram projetados, não tenho dúvidas de que os turnos de 6 horas irão afetar significativamente o organograma da empresa".
Na avaliação do sindicalista, os estudos em andamento desenvolvidos pela Delloite precisam ser previamente analisados quando forem concluídos. "Entendo que no projeto ainda em curso devam ser considerados os prós e contras sob todos os pontos de vista na relação capital e trabalho". O dirigente teme que a mudança traga retrocesso em termos de administração para a estatal portuária.
Representante majoritário dos cerca de 1.400 funcionários da Codesp, Cirino parabenizou a diretoria. "Nos ouviram e foram extremamente sensíveis aos nossos argumentos", ressaltou o dirigente, que também considerou positivo o adiamento da implantação da jornada de 06 horas, previsto para iniciar com o pessoal da Fiscalização.
Apesar de comemorar o adiamento, Cirino demonstrou preocupação. "Temos que saber se a Codesp ainda pretende implantar tais mudanças, até porque o verdadeiro motivo para se mudar o horário praticado há décadas é simplesmente reduzir o número de horas extras, ja que a Codesp se vê obrigada a escalar seu pessoal para atender as demandas do complexo portuário".
Apesar da suspensão, ele garante que os trabalhadores envolvidos seguirão mobilizados, coesos e unidos. "Temos propostas bem fundamentadas e elaboradas para atender as demandas da empresa sem causar prejuízos aos nossos representados", finalizou.