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08/04/2015 - 02h59

Dividir para governar


Fonte: A Diretoria / AssCom Sindaport - Denise Campos De Giulio



Nos últimos meses os funcionários da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) vêm sendo surpreendidos com uma enxurrada de más noticias. As promoções por merecimento que deveriam ter sido aplicadas em outubro de 2014, de acordo com o Plano de Cargos e Salários (PCES), até agora não foram efetivadas embora, segundo a lenda, tenham sido devidamente autorizadas pela Secretaria de Portos (SEP).
 
A Participação nos Lucros e Resultados (PLR), que seria paga no mês de maio, após a reunião dos acionistas, não será honrada uma vez que as metas não foram alcançadas pela direção da estatal, de acordo com a própria.
 
Como forma de mostrar serviço e até mesmo de mascarar seu fracasso retumbante em termos de gestão, não por acaso da estatal portuária que administra o maior e mais importante porto do País, os diretores querem alterar, de forma unilateral, as jornadas de trabalho de algumas categorias com a desculpa de que o corte de horas extras resultará na redução de despesas da companhia.
 
Como se já não bastasse, através da Resolução DP nº 28.2015, a direção da Codesp estabeleceu inovadores, modernos e, acima de tudo, justos critérios para a destinação, distribuição e ocupação das vagas de estacionamento na área interna da sede da Presidência.
 
Sabemos que a empresa tem a prerrogativa de estabelecer normas para o uso das suas dependências e entendemos que os mandatários gozam de inúmeros privilégios, entre eles o de estacionar seus valiosos bólidos próximo ao local de trabalho, ao contrário dos simples mortais colaboradores, o que nos leva a discordar veementemente com tal discriminação ao “baixo clero” estabelecida educada e implicitamente na resolução.
 
Além do desnecessário desconforto provocado pela parcial medida, sobretudo para profissionais de uma mesma função ou cargo, alguns contemplados com o espaço para estacionamento enquanto outros não, o mau exemplo dado pela direção da Codesp resume com clareza o crítico e preocupante momento administrativo/financeiro por que passa a Autoridade Portuária de Santos.
 
Apenas para se ter uma ideia do tamanho da insensatez, das 278 vagas disponíveis 258 serão distribuídas aos detentores de cargos comissionados, funções de confiança e aos Especialistas Portuários (EPs), ou seja, somente 20 vagas serão destinadas para as diretorias (DP, DF, DC, DI e DE), proporcionalmente ao número de funcionários nelas lotados.
 
Os companheiros EPs merecem todo o nosso respeito, contudo questionamos como ficará a situação dos vários funcionários Técnicos Portuários que laboram há vários anos nos escritórios e oficinas localizadas na área da Presidência e fazem uso dos espaços?
                
Por derradeiro, vale lembrar que na Codesp já existem vários tipos de equívocos, alguns notadamente absurdos, denunciados diversas vezes pelo Sindaport, os quais poderiam ser corrigidos caso houvesse boa vontade dos gestores que se sucedem no comando na estatal.
 
Desta forma, a cizânia deliberada mantém empregados com URP e outros não, bem como uns com URV e outros não. Na mesma toada seguem colaboradores atuando em horários extraordinários, enquanto outros não, além de outras tantas situações de apartação que geram apenas desarmonia e desavenças, principalmente diante da mais absoluta ausência de providências.
 
Ao baixar a Resolução DP nº 28.2015 a Codesp se coloca na condição de mãe e ao mesmo tempo de madrasta diante de seus empregados, e revela a faceta maquiavélica de seus administradores.