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01/04/2015 - 03h37

Governo federal e estatais puxam rombo de R$ 2,3 bilhões do setor público em fevereiro


Fonte: O Globo / RJ

É o pior resultado para o mês desde 2013; União gastou R$ 6,7 bilhões a mais do que arrecadou
 
Apesar de uma poupança de R$ 5,2 bilhões de estados e municípios, o setor público registrou um rombo de R$ 2,3 bilhões em fevereiro porque gastou mais do que arrecadou. É o pior para o mês desde 2013. Segundo o Banco Central, os gastos do governo federal e das empresas estatais foram responsáveis pelo déficit das contas públicas no mês passado. Para piorar a situação fiscal, nunca o gasto com juros foi tão alto em um mês de fevereiro por causa da política do BC de colocar papéis no mercado para conter a alta do dólar.
 
Somente a União gastou R$ 6,7 bilhões a mais do que arrecadou. Já as estatais ficaram no vermelho em R$ 828 milhões. Como o país não conseguiu pagar nenhum centavo dos juros da dívida pública, as contas não fecharam. O chamado déficit nominal foi de nada menos que R$ 58,6 bilhões no mês passado.
 
Isso porque os juros explodiram no mês passado. Em janeiro, por exemplo, o Brasil pagou R$ 18 bilhões em juros. Já em fevereiro, foram gastos R$ 56,3 bilhões. Isso porque o país gastou bastante para colocar papéis no mercado para conter a alta do dólar.
 
Para o especialista em contas públicas Raul Velloso, a poupança de R$ 5,2 bilhões de estados e municípios não está ligada a uma maior disciplina fiscal desses entes, mas ao fato de que muitos ainda não conseguiram avaliar as condições das contas públicas.
 
— Estados e municípios são mais lentos para começar a gastar. A maior parte está raspando o tacho e sequer sabem o tamanho do problema que herdaram de governos anteriores. Não é prova de disciplina fiscal — afirma Velloso
 
NO BIMESTRE, SUPERÁVIT DE R$ 18,8 BI
 
Como sempre, o Banco Central argumentou que o programa de oferta de contratos de swap — um clássico instrumento de proteção cambial — que foi apelidado de "ração diária" ao mercado não visa a dar lucro ou prejuízo para os cofres públicos. Há tempos em que o BC ganha com a variação cambial e há outros em que registra perdas. Foi o que aconteceu recentemente.
 
— Operações de swap significam dar proteção às empresas, aos empregos e à renda. A única intenção do swap é dar proteção. Esse é o principal propósito do swap. E reduzir a volatilidade é outro objetivo — disse o chefe do departamento econômico do BC, Túlio Maciel.
 
Com um desempenho no vermelho das finanças públicas em fevereiro, o superávit primário acumulado no bimestre é de R$ 18,8 bilhões. Nos últimos 12 meses, a economia que o governo faz para pagar juros da dívida ficou em R$ 35,8 bilhões. Isso representa apenas 0,69% do Produto Interno Bruto (PIB).
 
Após anos de perda de credibilidade na condução da política fiscal, a promessa da nova equipe econômica é alcançar uma economia de 1,2% do PIB.
 
Em fevereiro, a dívida pública líquida chegou a R$ 1,88 trilhão, mas em relação ao PIB caiu. A porcentagem passou de 36,6% para 36,3%. Considerando a nova metodologia de cálculo do PIB, adotada pelo IBGE, ficou em 33,76%. Já a dívida bruta alcançou nível recorde: R$ 3,39 trilhões. Passou de 64,4% do PIB para 65,5% do PIB.
 
O BC prevê que a dívida líquida brasileira ficará em 33% do PIB em março, considerando a nova metodologia do PIB, informou Maciel. O BC projeta também que a dívida bruta fechará março em 61,5% do PIB, pela nova metodologia.
 
GOVERNO CENTRAL TAMBÉM TEVE DÉFICIT
 
O Tesouro Nacional informou também nesta terça-feira que o governo central — que reúne Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central — registrou em fevereiro um déficit primário de R$ 7,4 bilhões. Foi o pior resultado para meses de fevereiro desde o início da série histórica do Tesouro Nacional, em 1997.