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29/10/2014 - 03h59

Encontro discute segurança cibernética para evitar ataques de 'piratas da internet'


Fonte: Santaportal



O governo federal classificou recentemente o complexo portuário santista, o maior da América Latina, como Infraestrutura Sensível Nacional, e algumas medidas para tentar proteger as informações e ações executadas diariamente devem ser adotadas pelos responsáveis pelas empresas que atuam no Porto, recintos alfandegados e órgãos do governo. Um encontro para disseminar informações e ferramentas apropriadas para esta área foi realizado em Santos.
 
A invasão de hackers nos sistemas interligados dos terminais portuários poderia prejudicar ações como a liberação de exportação e importação de cargas, roubo de informações e desvio de dinheiro. Além disso, um eventual ataque cibernético poderia prejudicar a entrada de caminhões no gates, com a paralisação das atividades, formando filas que poderiam chegar perto da cidade de São Paulo, de acordo com um dos organizadores do evento. Normalmente os riscos maiores são paralisação de operações e roubo de informação.
 
A ação foi realizada pela ConsulData e Ecossistema CyberShield, com apoio da Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegários (ABTRA) na tarde de terça-feira (28) na Associação Comercial de Santos. Com o tema "Segurança Cibernética no Cenário Portuário", o seminário debateu pontos sensíveis dos setores por especialistas em cibersegurança nacional. Um simples clique pode prejudicar toda a infraestrutura sensível do Portos.
 
Segundo o CEO da ConsulData Luis Carlos Tenório Marcondes, um eventual ataque seria muito prejudicial para o trabalho portuário. "Se houver uma invasão desse tipo, queira Deus hoje que não aconteça, as operações portuárias todas ficariam prejudicadas, um monte de dinheiro seria perdido, filas imensas de caminhão poderiam atrapalhar o trânsito", explica. As potencialidades de um ataque foram mostradas para os empresários. "Objetivo é que eles tomem mais cuidado com a sua infraestrutura de tecnologia da informação e comunicação", completa. Ainda segundo Marcondes, atualmente todos esses órgãos que podem estar vulneráveis estão interligados por um sistema da ABRTA. "Se um terminal é afetado os outros podem ser afetados por tabela", conclui.
 
O número de ataques em diversos setores econômicos e governamentais está em crescimento não só no Brasil, mas em diversas cidades do mundo. Luiz Silva, da CyberShield Defesa Cibernética, que foi um dos palestrantes do evento, explica que essas invasões dão grandes desfalques. "O Brasil ano passado sofreu um prejuízo de cerca de US$8 milhões com ataques, roubos e fraudes no geral". Para os terminais portuários a empresa está programando diversas atividades de conscientização, de treinamento, devido ao crescimento desses números, começando por Santos.
 
"Um ataque tem várias motivações. Para tirar um equipamento do ar, parar terminal, uma rodovia ou atacar para ficar simplesmente quieto e roubando informações e vender para a concorrência. O ataque pode levar a paralisação do sistema de uma empresa, atacar e fazer danos no banco de dados e fazer a empresa parar", afirma Silva. A importância de um sistema e profissionais que possam atuar para que essas invasões sejam paradas ou bloqueadas é fundamental. "Não é simples parar um ataque, mas se o terminal tiver preparado para conter essa invasão é possível. Normas e procedimentos que a empresa tem que adotar internamente com relação aos empregados delas e com o mundo externo são fundamentais. Proteção nos equipamentos, nos aplicativos, homologação de aplicativos e uma série de medidas como um teste de invasão são os primeiros passos", conta.
 
Após a realização do seminário, a CyberShield pretende preparar um curso em Santos de formação de analista de segurança da informação para capacitar os especialistas. "Esse profissional tem que estar focado nessa função, ele não pode dividir a tarefa dele como desenvolvedor de software, outras atividades e também cuidar da segurança de informação. Normalmente quando acontece isso ele não tem tempo para se dedicar 100% a isso. A empresa tem que deixar esse profissional exclusivamente para efetuar essa atividade”, afirma.
 
A ABTRA desenvolve sistemas tecnológicos para fazer com que os sistemas dos recintos alfandegários de Santos conversem com os sistemas de órgãos públicos envolvidos no comércio exterior e no Porto. "Através da tecnologia da informação ela conseguiu desenvolver ferramentas e sistemas que hoje contribui muito para o fluxo de comércio exterior para agilizar as fiscalizações que o risco do comércio pode trazer para o país", explica o secretário executivo da Associação.
 
Já Adriano Cansian, da UNESP (Universidade Estadual Paulista) e do Laboratório AME! de Pesquisa em Cibersegurança, que também participou do seminário, estatísticas sobre esse tipo de crime ainda são muito difíceis de serem definidas. "Você tem que trabalhar com estimativas porque tem várias metodologias para expor esses números, mas eles sempre são diferentes e isso acontece em vários institutos. As invasões estão acontecendo, em grande volume, mas a questão não é nem a quantidade, mas o quanto de prejuízo que elas estão gerando". Cansian diz ainda que as empresas temem que informações sobre redes que sofreram esse tipo de ataque sejam divulgadas, o que atrapalha a realização de dados confiáveis. "A estimativa de prejuízo é muito difícil de ser feita porque muitas pessoas não relatam que são envolvidas em invasão de computadores porque traz desprestígio para empresa, pode derrubar ações na bolsa. Toda vez que falamos em números é necessário tomar cuidado porque o cenário costuma ser mais complicado do que são na verdade", finaliza.