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19/08/2014 - 00h06

EUA propõem porto em Gaza sob vigilância internacional, diz agência


Fonte: O Globo



Na tentativa de obter um cessar-fogo duradouro entre israelenses e palestinos, os Estados Unidos propuseram a criação de um porto em Gaza sob vigilância internacional, informou nesta quarta-feira a agência de notícias EFE. Segundo uma fonte revelou sob a condição de anonimato, essa vigilância seria feita através de um “porto flutuante em frente à costa do Chipre”, e uma equipe internacional seria responsável por inspecionar as mercadorias transportadas a partir e para a Faixa de Gaza.
 
A notícia surge a horas de vencer a trégua de 72 horas iniciada na segunda-feira, e quando os esforços diplomáticos são intensificados no Cairo para evitar a continuação de um conflito que já matou 1.945 palestinos e 67 israelenses. Em Gaza, pelo menos cinco pessoas morreram nesta quarta-feira com a explosão acidental de um míssil israelense não detonado. Entre as vítimas estavam um jornalista italiano da Associated Press e seu tradutor.
 
A construção de um porto e de um aeroporto em Gaza é uma das principais reivindicações palestinas, mas é também um dos principais pontos de atrito com o governo israelense. A Liga Árabe está disposta a criar uma comissão que se encarregue da reconstrução de Gaza, através da Autoridade Nacional Palestina.
 
Segundo fontes palestinas, o Egito apresentou um documento com propostas que estão sendo estudadas pelos dois lados. O Hamas continuaria firme no desejo de um levantamento total do bloqueio imposto em 2007 à Faixa de Gaza, enquanto Israel quer a desmilitarização do grupo.
 
Mas alguns pontos já teriam começado a tomar forma. A agência palestina Maan informou que já estariam acertados a ampliação de 250 para 600 no número de caminhões que entram diariamente no território; a ampliação de três para 12 milhas a área de pesca para os palestinos; mais permissões para passar pelo posto de fronteira de Erez, controlado por Israel, especialmente para estudantes e doentes; e reabertura da passagem de Rafah, na fronteira com o Egito. Israel estaria disposto a permitir que a ANP, que voltou a formar um governo de união nacional com o Hamas, transfira dinheiro para o pagamento de funcionários do grupo que controla Gaza.
 
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, reuniu de madrugada seu gabinete de segurança para debater um possível acordo, embora enfrente a resistência dos ministros da extrema-direita.