Fonte: BE News
Tetsu Koike diz que iniciativas permanecem dispersas e destaca PCS de São Sebastião como exemplo
A falta de uma cultura de inovação ainda é um dos principais entraves para o avanço tecnológico do setor portuário brasileiro. A avaliação do tema é do diretor de Programa de Políticas Setoriais, Planejamento e Inovação do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), Tetsu Koike, em entrevista ao BE News. Ele destacou a implantação do PCS (Port Community System) do Porto de São Sebastião como boas práticas no setor.
Segundo Koike, o problema atual não se concentra na disponibilidade de tecnologia, de sistemas ou de profissionais capacitados, mas na ausência de mecanismos que façam com que a inovação seja incorporada de maneira permanente e estruturada pelas organizações que atuam no segmento. “Por incrível que pareça, o principal entrave é a falta de cultura da inovação. Não é tecnologia, não é sistema, não são pessoas”, afirmou.
No comparativo com outros setores, como é o caso de mineração, energia, telecomunicação, entre outros, a legislação não acompanhou os novos processos e futuras inovações nas políticas públicas. “Quando você compara o sistema portuário com outras áreas, setores de infraestrutura, petróleo e gás, telecomunicações, rodoviário, até ferroviário, o setor portuário está lá atrás, porque na sua lei não possui nenhum dispositivo, nenhum instrumento de inovação. Se não tem como fazer inovação e recursos financeiros para isso, a cultura fica enfraquecida. Esses outros setores que mencionei estão 30 anos na nossa frente”, declarou.
Entre as novidades de iniciativas da pasta, está o lançamento da primeira política pública nacional de pesquisa, desenvolvimento e inovação dedicada ao setor. Segundo Koike, a iniciativa pretende justamente criar condições para que a inovação deixe de depender exclusivamente de projetos isolados e passe a fazer parte de uma estratégia permanente do segmento.
“O Ministério vê com muito entusiasmo e muita satisfação iniciativas de inovação. O próprio PCS é uma das grandes inovações, e a gente vem trabalhando nisso. Essa política pública vem justamente preencher essa lacuna: como é que a gente desenvolve a cultura da inovação no setor”, completou.
PCS de São Sebastião
Neste cenário, Koike destacou a implantação do Port Community System (PCS) do Porto de São Sebastião (SP) como exemplo de uma iniciativa que avançou antes mesmo da criação da política nacional. Para o diretor, a experiência é estratégica por demonstrar que instalações portuárias brasileiras podem desenvolver soluções próprias para digitalizar e integrar processos.
“Não só é importante como estratégico para demonstrar que, sim, é possível o Brasil ter portos com PCS. Acho que São Sebastião partiu na frente, fez um sistema e uma solução de altíssimo nível, ‘indoor’, dentro de casa, e a baixo custo”, afirmou.
Koike destacou que o caráter inovador do projeto não se limita à tecnologia. Segundo ele, a iniciativa também envolve questões como governança e a disposição da administração portuária.
“Essa relação toda desses critérios mostra que foi uma iniciativa inovadora, e não tecnológica apenas. Ela é de governança, de vontade da sua diretoria de querer fazer. A gente vai ouvir muito mais falar sobre o PCS de São Sebastião. Teremos eventos falando disso, teremos publicações falando disso”, disse.
Por fim, o diretor ainda que o projeto desenvolvido em São Sebastião está alinhado às diretrizes que agora passam a ser estabelecidas nacionalmente pelo Ministério.
“Quando você vê essa iniciativa do PCS de São Sebastião, está totalmente integrada a essa política. Eles partiram na frente, veio antes da política pública nacional. Demonstra a iniciativa daquele pessoal de realmente fazer acontecer e hoje quem não inova fica para trás. É o mercado falando isso”, concluiu.