Fonte: Diário do Litoral
O bate-papo aconteceu de forma exclusiva durante uma visita do empresário à redação do Diário do Litoral
“Ele, como atividade, é um reflexo da economia do Brasil. E ela está parada.” É assim que Antônio Carlos Fonseca Cristiano, o Caio da Marimex, define o atual momento do Porto de Santos.
O bate-papo aconteceu de forma exclusiva durante uma visita do empresário à redação do Diário do Litoral.
O exemplo utilizado por Caio é a exportação de soja para alimentar animais em todo o mundo. Segundo ele, esse modelo não representa um caminho sustentável para o futuro do país e também não gera benefícios reais para a cidade de Santos.
“Saem informações sobre recordes de tonelagem, mas e daí? O que isso deixa na cidade? Nada!”, afirmou.
Para o empresário, a melhor maneira de transformar os investimentos no Porto de Santos em ganhos efetivos seria estabelecer uma autoridade local e municipal no comando da gestão portuária.
“Não tem. E também não vai ter. Devia ser um caminho natural, porque assim seriam definidos possíveis interesses para a evolução da cidade. Hoje, não se tem isso”, explicou.
Sobre o crescimento do volume de cargas, Caio acredita que esse avanço não deve acontecer no ritmo esperado e afirma que o mundo inteiro enfrenta um período de crise.
Segundo ele, ampliar o fluxo de cargas será uma tarefa difícil. Em relação ao Brasil, o empresário reconhece que o país ainda possui espaço para aumentar a produção de grãos, mas destaca que setores capazes de gerar maior desenvolvimento, como a indústria, permanecem estagnados.
“O que vai crescer? O que deixa dinheiro na cidade e gera empregos são contêineres com matéria-prima, peças e equipamentos”, afirmou.
Integração entre Porto e cidade
Para Caio, a expressão Porto-Cidade representa um conceito importante, mas que muitas vezes acaba sendo utilizada apenas como discurso.
“Quem vai produzir o quê aqui embaixo? Que produto? Só para criar zonas de exportação? Não tem”, comentou.
Apesar das críticas, o empresário reconhece que essa integração é necessária. No entanto, afirma que, na prática, além das obras realizadas dentro da área portuária, pouco avanço ocorreu nessa relação.
Para mudar esse cenário, Caio defende a criação de uma autoridade ligada à legislação e com capacidade de atuação.
“Claro que o presidente do Porto tem [autoridade], mas falta uma ligada às leis, que bata o pé. O Brasil vive uma terrível crise de leis. STF, STJ, Congresso, Senado, AGU, entre outros, todo mundo manda, todo mundo quer ter poder, mas não fazem nada”, afirmou.
Em resumo, para o empresário, a transformação do Porto de Santos depende não apenas de novos projetos, mas também de regras claras e de uma estrutura capaz de colocar essas decisões em prática.
Porto de Santos e inteligência artificial
Na visão do empresário, as empresas do setor já estão investindo em inteligência artificial, mas talvez ainda falte uma administração mais ampla para acompanhar essa nova realidade.
Na Marimex, por exemplo, a empresa mantém um grupo de funcionários dedicado ao estudo e à aplicação da tecnologia.
O objetivo é otimizar operações e reduzir custos. Segundo Caio, a inteligência artificial pode trazer benefícios concretos para o negócio.
“Não é para fazer propaganda nem para facilitar. Essa redução proporcionada pela IA pode trazer muitos benefícios para a empresa”, afirmou.
Eficiência aduaneira
Para Caio, a atuação da Receita Federal representa um dos pilares para garantir eficiência e competitividade às operações portuárias.
Em sua avaliação, um porto eficiente não depende apenas da rapidez na movimentação dos navios, mas também da previsibilidade de toda a cadeia logística. Segundo ele, esse equilíbrio permite que as cargas avancem sem atrasos, retrabalho ou entraves burocráticos.
Com mais de 40 anos de experiência no setor, Caio afirma que os processos aduaneiros influenciam diretamente o funcionamento dos portos. De acordo com o empresário, atrasos nos controles provocam filas, aumentam os custos operacionais e reduzem a competitividade.
Além disso, ele destaca avanços como o Portal Único Siscomex/Procomex, que reduz burocracias e agiliza procedimentos, e o programa Operador Econômico Autorizado (OEA), que amplia a previsibilidade das operações e fortalece a gestão de riscos para empresas certificadas.
Legado histórico
Dono da famosa frase “Quem sobrevive no Porto de Santos, sobrevive em qualquer lugar”, Caio se tornou um dos personagens marcantes da história recente do maior complexo portuário da América Latina.
Sua trajetória começou ainda na década de 1970, quando precisou assumir os negócios do pai e construir seu próprio caminho no setor.
“Tive que arregaçar as mangas e aprendi a ser empreendedor”, relembrou.
Entre seus maiores orgulhos está a disputa pelo mercado de forma ética, sem a necessidade de passar por cima de concorrentes. Além disso, ele destaca que os clientes da Marimex encontram soluções completas para suas operações.
Parte dessa experiência e desse legado pode ser acompanhada nos artigos produzidos e publicados no site do Diário do Litoral. Nos textos, o empresário aborda temas relevantes, apresenta reflexões e compartilha sua visão sobre o futuro do Porto de Santos.