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20/07/2026 - 17h28

Exportações brasileiras à UE sobem 26% após acordo Mercosul-UE


Fonte: BE News
 
Vendas brasileiras ao bloco europeu cresceram US$ 2 bilhões nos primeiros meses de vigência do acordo
 
As exportações brasileiras para a União Europeia registraram crescimento de US$ 2 bilhões (cerca de R$ 10 bilhões) nos meses de maio e junho, período que marcou o início da aplicação provisória do acordo comercial entre o Mercosul e o bloco europeu. Segundo levantamento da ApexBrasil, o avanço representa alta de 26% em relação ao mesmo intervalo de 2025.
 
No acumulado do primeiro semestre de 2026, as vendas do Brasil para os países da União Europeia alcançaram US$ 26,9 bilhões (aproximadamente R$ 137 bilhões), um aumento de US$ 3 bilhões (R$ 15 bilhões), ou 12,8%, na comparação com o mesmo período do ano anterior.
 
O presidente da ApexBrasil, Laudemir André Müller, afirma que ainda não é possível atribuir todo o crescimento ao acordo entre Mercosul e União Europeia, mas avalia que existem sinais de que a redução das tarifas já começou a estimular o comércio entre os dois mercados.
 
Segundo ele, a concentração de parte significativa do aumento justamente nos meses seguintes ao início da vigência provisória do acordo indica uma possível influência da abertura comercial. O tratado passou a ser aplicado em 1º de maio, com redução ou eliminação de tarifas para milhares de produtos brasileiros vendidos ao bloco europeu.
 
A aprovação definitiva do acordo ainda depende de etapas institucionais, incluindo a análise pelo Tribunal de Justiça da União Europeia e a votação no Parlamento Europeu.
 
A expectativa do governo brasileiro e do setor produtivo é que a nova relação comercial aumente a competitividade das empresas nacionais e ajude a diversificar os destinos das exportações em um cenário internacional marcado por instabilidades.
 
A estratégia ganhou ainda mais importância após o aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. No primeiro semestre, as exportações do Brasil para o mercado norte-americano somaram US$ 17,4 bilhões, uma queda de 13% em relação ao mesmo período de 2025.
 
Para a ApexBrasil, o momento reforça a necessidade de ampliar a presença brasileira em diferentes regiões. Segundo Müller, os Estados Unidos continuam sendo um parceiro relevante, mas o cenário global exige uma redução da dependência de poucos mercados e maior aproximação com Europa, Ásia e Índia.
 
De acordo com a agência, 72% das 2.400 empresas acompanhadas pela ApexBrasil passaram a exportar para pelo menos um novo destino desde o início das turbulências comerciais.
 
Além do crescimento no valor exportado, o acordo também contribuiu para diversificar a pauta brasileira destinada à União Europeia. Entre os produtos com maior avanço estão itens industriais, químicos, siderúrgicos e máquinas, setores considerados estratégicos por agregarem maior valor aos produtos comercializados.
 
Na comparação entre o primeiro semestre de 2026 e o mesmo período de 2025, os maiores aumentos nas exportações para o bloco europeu foram registrados pelo mel, com alta de 246,7%; partes de turborreatores, com crescimento de 141,9%; e óleo essencial de laranja, com avanço de 110,1%.
 
Também tiveram desempenho positivo as vendas de manga, que cresceram 36,5%; extrato de café, com alta de 36%; e partes para motores a diesel, com aumento de 19,1%.
 
Um estudo da ApexBrasil identificou oportunidades comerciais abertas pelo acordo para diferentes estados brasileiros. São Paulo aparece entre os líderes nacionais, com 127 possibilidades de ampliação das vendas para o mercado europeu, ficando atrás apenas de Santa Catarina, que reúne 167 oportunidades.
 
A agência considera como oportunidade produtos que já possuem produção e histórico de exportação pelo estado para algum mercado internacional e que, com a redução das tarifas, passam a ter maior potencial de entrada ou expansão na União Europeia.
 
O levantamento aponta ainda que São Paulo possui a maior base de empresas já inseridas no mercado europeu, com cerca de 4 mil exportadoras. Das oportunidades identificadas no estado, 96 estão relacionadas à indústria de transformação e 31 ao agronegócio.
 
Segundo a ApexBrasil, o resultado está relacionado ao perfil econômico paulista e ao modelo do acordo, que prevê uma abertura tarifária mais rápida para produtos industriais em comparação com alguns segmentos agropecuários.
 
A metodologia utilizada foi considerada conservadora pela agência. Para que um produto fosse incluído na análise, o estado precisava já exportá-lo para algum mercado internacional, mesmo que ainda não tivesse vendas para a União Europeia. O objetivo foi evitar a indicação de oportunidades em setores sem capacidade produtiva ou exportadora consolidada.
 
Entre os estados brasileiros, os maiores potenciais de expansão estão concentrados principalmente no Sul. Depois de Santa Catarina, aparecem Paraná, com 76 oportunidades, e Rio Grande do Sul, com 74. As três unidades federativas também possuem uma base significativa de empresas que já exportam para o bloco europeu.
 
No Nordeste, o cenário apresenta diferenças entre os estados. Ceará aparece com 69 oportunidades, Bahia com 67 e Pernambuco com 53, impulsionados por setores industriais e agroindustriais específicos. Já Maranhão, Alagoas e Piauí registram números menores, com 13, 13 e 7 oportunidades, respectivamente, refletindo uma pauta exportadora menos diversificada.