Fonte: A Tribuna On-line
No encontro Porto & Mar, no Grupo Tribuna, lideranças destacaram a urgência de obras estruturantes para evitar colapso em acessos
Autoridades públicas defenderam integração regional entre os municípios e o Porto, e pediram foco e objetividade em soluções concretas para gargalos históricos em mobilidade, logística e planejamento urbano, nesta quinta-feira (26), durante o Encontro Porto & Mar, promovido pelo Grupo Tribuna.
Na abertura do evento, o deputado federal Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), que preside a Frente Parlamentar Mista de Portos e Aeroportos (FPPA), sintetizou o cenário ao afirmar que “não adianta bater recordes no mar e passar vergonha na terra”, em referência aos entraves nos acessos terrestres.
Barbosa destacou os números expressivos do Porto de Santos — 186 milhões de toneladas movimentadas, crescimento de 3%, 5.708 navios e lucro próximo de R$ 1 bilhão —, mas alertou para o risco de colapso logístico. “Esse aumento de capacidade operacional exige infraestrutura adequada, e é isso que está prestes a não acontecer na nossa Região”, disse.
O parlamentar defendeu prioridade a projetos como a terceira pista da Rodovia dos Imigrantes, o túnel Santos-Guarujá, o Aeroporto Civil Metropolitano e o Tecon Santos 10. “A melhor versão é aquela que vai ser executada”, afirmou, cobrando celeridade e foco em resultados.
A integração também foi destacada pelo prefeito de Guarujá, Farid Madi (Pode), ao tratar do túnel entre Santos e Guarujá como eixo estruturante. “Não vai desenvolver só Guarujá ou Santos, mas toda a Baixada Santista, promovendo uma integração definitiva”, afirmou.
Farid ressaltou ainda a preocupação com a execução das obras e a qualificação profissional. “Serão cerca de 5 mil trabalhadores na obra do túnel, e precisamos garantir que a mão de obra local esteja preparada”, disse, mencionando ainda a proposta de criação de um centro de capacitação no município.
Já o prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão (MDB), reforçou que o desenvolvimento precisa ser equilibrado e integrado a outras vocações econômicas. “Temos o porto, a logística e a indústria, mas também uma segunda matriz muito forte que é o turismo”, afirmou.
Mourão destacou que entraves na mobilidade prejudicam a qualidade de vida de centenas de trabalhadores da região diariamente e a eficiência econômica. “Não existe qualidade de vida quando o trabalhador leva duas horas no trânsito” e “não há fluxo econômico eficiente com disputa entre caminhões, ônibus e carros”, disse, ao criticar a limitação das vias atuais.
Representando o prefeito de Santos, Rogério Santos (Republicanos), o secretário de Governo, Fábio Ferraz, destacou o papel do poder público na articulação de soluções. “Cabe a nós, no poder público, não só participar, mas buscar soluções para que os empreendedores possam fazer com que o nosso Porto continue apresentando bons resultados”, afirmou.
Ferraz classificou o momento como estratégico. “Talvez seja uma oportunidade única para o desenvolvimento regional”, disse, ao citar a carteira robusta de projetos em andamento.
O prefeito de Cubatão, César Nascimento (PSD), não pôde comparecer ao encontro por motivo de saúde. Representando o gestor, o secretário de Indústria e Comércio de Cubatão, Fabrício Lopes, defendeu a integração entre porto, indústria e logística como base para o crescimento sustentável. “Não existe indústria sem porto, não existe porto sem indústria e não se conectam essas duas partes sem o setor logístico”, declarou.
Lopes afirmou que Cubatão planeja criar um corredor porto-indústria que poderia ser conectado à terceira pista da Imigrantes, à Alemoa, em Santos, e ao Porto.
Por fim, o secretário espera que “a região avance com projetos como a Zona de Processamento de Exportação (ZPE), em Santos, ampliando a capacidade de produtos manufaturados e geração de empregos”.
Conexão
O presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Anderson Pomini, destacou a importância da integração entre o Porto e os municípios da região — estejam ou não dentro da poligonal — como condição essencial para aprimorar os acessos e garantir o escoamento eficiente das riquezas que chegam ao complexo. A avaliação foi feita durante a palestra de abertura “O papel do agente público e o desafio na gestão das autoridades portuárias”.
“O Porto de Santos representa um elo dessa cadeia logística. Por melhor que seja sua infraestrutura, ele não resolve sozinho se não estiver conectado e não se desenvolver em conjunto com as cidades e com os demais modais que atravessam os estados e diversos municípios”, afirmou. Ele defendeu a modernização do marco legal portuário e a revisão de normas vigentes.