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25/08/2023 - 11h12

Reivindicações de fornecedores de navios são recebidas por autoridades do setor portuário


Fonte: A Tribuna On-line
 
Associação do setor realiza convenção em Brasília e lista desafios a serem superados com ajuda do Poder Público
 
Falta de uniformidade nas regras de transporte, dificuldades para acesso às embarcações e burocracias, como a ausência de plantão em órgãos públicos aos finais de semana. Essas foram algumas dificuldades levantadas pela Associação Brasileira de Fornecedores e Serviços a Navios (ABFN), em convenção nacional realizada em Brasília nesta semana. Sete empresas de Santos estiveram no encontro, que também reuniu autoridades do setor portuário. Elas receberam as demandas do setor e se comprometeram a analisar como solucioná-las.
 
Os fornecedores a navios fazem parte da cadeia logística de todo complexo portuário. Com um trabalho considerado essencial pela Organização das Nações Unidas (ONU) para a salvaguarda da vida humana no mar, eles respondem por produtos e serviços que asseguram o dia a dia das equipes a bordo de navios.
 
As empresas suprem necessidades de consumo, como alimentos, bebidas, medicamentos, materiais de limpeza, ferramentas, tintas e materiais elétricos. Dentre os serviços importantes para garantir a boa navegação, estão reparos mecânicos, remoção de resíduos, limpeza de tanques e de casco, inspeções, entregas de peças sobressalentes e serviços médicos.
 
Mas, para fazer tudo isso, há desafios a serem superados no Brasil. Para se ter ideia, há Alfândegas em portos que fecham às 17h de sexta-feira e só voltam a abrir na segunda-feira - o que não é o caso de Santos.
 
“Imagine se surge uma emergência, como uma câmara frigorífica que perde todo o gás e deixa de funcionar, necessitando de garrafas de refigeração? É algo que temos em estoque e não há como embarcar em alguns portos porque não tem quem autorize o embarque. Se a entrega for feita na segunda e o navio ainda estiver no porto, tudo o que estava na câmara terá apodrecido”, exemplifica o empresário e e ex-presidente da ABFN, Geraldo Pierotti.
 
Outros problemas dizem respeito à relação com alguns terminais privados que não permitem embarque utilizando caminhão, obrigando as empresas a fazerem isso com lancha, o que aumenta o custo.
 
“Há navios que só permitem nossa entrada entre o término da carga e a saída do navio. É uma janela muito pequena, às vezes de meia hora, para embarcar a mercadoria. Sobre tarifas, há terminais privados que cobram a entrada e portos públicos que têm tarifas altíssimas para entrar no cais. São problemas que acontecem em vários portos brasileiros, alguns em Santos”, emenda.
 
Unir normas para transporte também é objetivo da ABFN, como explica Geraldo Pierotti. “Há exigências da Anvisa, por exemplo, para que nossos caminhões tenham prateleiras, que a mercadoria seja transportada de determinada forma. Como a gente vai fazer isso? São exigências que se fazem para um supermercado ou uma mercearia, mas nosso ramo é diferente”.
 
Diálogo // O presidente da AFBN, Flavio Pierotti, considerou o encontro como um divisor de águas para a atividade, não só pela possibilidade de fazer reivindicações, como também reforçar a importância do segmento. “Destaco, em especial, a visibilidade e reconhecimento, pelas autoridades intervenientes, do que fazemos e nossa importância nessa cadeia logística. Conseguimos abrir portas para dar sequência aos diálogos e superar os desafios”.
 
O secretário Nacional de Portos e Transportes Aquaviários, Fabrizio Pierdomenico, ressaltou a importância econômica da atividade, que torna ainda mais palpável a relação Porto-Cidade.
 
“Quando falamos de fornecedores de navios, falamos de criação de emprego e renda na cidade onde tem o porto. Apesar dela não estar na operação portuária propriamente dita, é uma atividade gerada pelo porto. E a relação Porto-Cidade é exatamente isso: que a cidade se aproprie de seu Porto, dentre outras coisas”.
 
Quem também se colocou à disposição foi o diretor do departamento de Gestão e Modernização Portuária da Secretaria Nacional de Portos e Transportes Aquaviários, Otto Luiz Burlier. “Pretendemos convidá-los (fornecedores de navios) para a próxima reunião da Conaportos (Comissão Nacional das Autoridades nos Portos), que deve acontecer até o final do ano”.
 
O diretor da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Wilson Pereira de Lima Filho, valorizou o conhecimento proporcionado pelo evento. “Eu me comprometi a verificar processos que sejam de responsabilidade da Antaq”.