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18/08/2023 - 11h49

Terminais cobram aprofundamento do canal do Porto de Santos


Fonte: BE News
 
Representantes apontaram desvantagens causadas às operações pela falta de calado
 
Representantes de terminais portuários instalados no Porto de Santos (SP) cobraram urgência na realização da obra que prevê aumentar a profundidade do canal de acesso ao complexo de 15 metros para 17 metros, em duas etapas, ressaltando que a discussão já tem quase uma década.
 
O tema foi abordado no painel “Principais desafios para o Porto de Santos – Análise da Concessão de Acessos”, exposto no VI Congresso Brasileiro de Direito Marítimo e Portuário, promovido pela Associação Brasileira de Direito Marítimo e Portuário (ABDM) e pela Universidade Santa Cecília, em Santos, na quinta-feira (17). O evento segue nesta sexta-feira, com encerramento às 18h30.
 
Participaram da conversa Anderson Pomini, presidente da Autoridade Portuária de Santos; Ricardo Molitzas, diretor executivo do Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp); Caio Morel, diretor executivo da Associação Brasileira dos Terminais de Contêineres (Abratec); Fabio Siccherino, CEO da DP World Santos; Antonio Carlos Sepúlveda, CEO da Santos Brasil; e Jacqueline Wendpap, diretora executiva do Instituto Praticagem do Brasil. A moderação foi feita por Natalie Nanini, diretora de Jornalismo do Sistema Santa Cecília de Comunicação.
 
Questionado sobre as desvantagens causadas pela demora em aumentar o calado do canal do Porto de Santos, o que permitiria operações com navios maiores, Sepúlveda disse que o custo maior de frete é uma delas.
 
Ele também destacou que os navios atracados no terminal chegam a esperar nove horas pela subida da maré que permita o tráfego seguro.
 
“Tem operações em que os navios movimentam 3 mil contêineres em 24 horas, 30 horas, só que o navio chega a esperar nove horas pra poder ter uma janela de maré e conseguir sair do cais. Isso consome infraestrutura”, pontuou.
 
Com a dragagem de aprofundamento concluída, esse tempo poderia diminuir para 2h ou 2h30, apontou o CEO da Santos Brasil. “Se a gente resolve isso (aprofundamento) e consegue trocar de navio a cada duas horas por berço, é como se construíssem no Porto de Santos, da noite para o dia, mais dois berços. Traria de forma quase que imediata grande eficiência ao comércio exterior brasileiro”, detalhou.
 
Fabio Siccherino, CEO da DP World Santos, destacou que a dragagem de aprofundamento, caso seja concluída, fomentaria também a cabotagem.
 
“A gente reequilibra nossa matriz logística porque consolida Santos como hub port na costa brasileira e eu consigo fazer a distribuição (das cargas) pela cabotagem”, explicou, ressaltando em seguida que se a obra não for feita, o porto pode perder o protagonismo de hub port e as cargas podem migrar para outros estados em um processo natural de mercado.
 
Questionado sobre como a Autoridade Portuária pretende lidar com a questão, Pomini garantiu que a dragagem de aprofundamento será feita em dois anos. O que falta decidir é quem fará a obra, se o setor público ou privado. Citou ainda que o debate levanta a questão sobre um possível aprimoramento na legislação visando flexibilizar a burocracia que é imposta aos gestores públicos.
 
“Nós não confiamos na gestão pública e em razão disso criamos tantas normas. Talvez se estudarmos uma forma de atribuirmos transparência, conseguiríamos devolver credibilidade aos gestores públicos”, declarou o presidente da estatal.
 
Ele reafirmou que não é contrário a nenhum tipo de concessão, mas que são necessários estudos que embasem a decisão, evitando principalmente o aumento das tarifas portuárias. Também se disse aberto a possíveis novos modelos, entre eles a possibilidade de vincular o aprofundamento do canal na parceria público-privada da construção do túnel Santos-Guarujá.
 
Para Caio Morel, da Abratec, a solução ideal seria se a dragagem de aprofundamento fosse feita pelo poder público, e a de manutenção pelo privado. “Dragagem de aprofundamento é cara e se for feita pelo privado, obviamente o preço irá subir”, citou.