Colunistas de A Tribuna comentam eventual mudança no comando do Ministério de Portos
Fonte: A Tribuna On-line
Futuro de Márcio França à frente da pasta movimenta o setor e colunistas de Porto & Mar opinam sobre o tema
A eventual saída de Márcio França do comando do Ministério dos Portos e Aeroportos causou alvoroço nas várias esferas da comunidade portuária. Ainda mais porque uma troca na pasta atingiria diretamente o Porto de Santos, já que o ministro tem ligação direta com a Baixada Santista e, com isso, relações e projetos importantes correriam o risco de ficar parados.
A medida, caso colocada em prática, abriria as portas do Governo Lula para o Centrão. A Tribuna, no entanto, apurou ao longo da última semana que o Ministério de Portos e Aeroportos não seria uma prioridade dessa corrente, já que a ideia seria ingressar em pastas que apresentam mais facilidade para apresentação de emendas parlamentares, como Saúde, Educação, Turismo e Esportes.
Como não poderia ser diferente, o assunto envolvendo o futuro de França à frente da pasta movimentou o setor e colunistas de Porto & Mar de A Tribuna comentam a seguir o tema. Nas palavras deles, diversas e importantes vertentes que convidam o leitor a mergulhar neste mundo que envolve gestão e política.
Marcelo Neri, presidente da Federação Nacional das Agências de Navegação Marítima (Fenamar)
"Nós, na Federação Nacional das Agências de Navegação Marítima (Fenamar), sempre acreditaremos que o caminho não é este tipo de mudança, que por muitas vezes experimentamos. Mesmo que por razões do natural jogo político da governabilidade, invariavelmente isso interrompe os positivos projetos em andamento para a comunidade portuária, neste caso, e para a sociedade. Dificilmente, este tipo de alteração de rota nas peças do jogo do poder trazem resultados benéficos para todos e assim nossa federação entende que uma eventual mudança neste ministério, que diretamente tem relação conosco, seria um retrocesso. Recentemente escrevi um artigo na coluna De Popa a Proa, de A Tribuna, com o título “Enfim, sonhos que parecem sair do papel”, no qual de forma otimista coloco minhas percepções de sincronicidade e sinergia para os tão sonhados projetos do túnel Santos-Guarujá e do Valongo, bem como o que estes poderiam alavancar para a cidade e o Porto em termos de integralização. Espero, ainda de forma otimista, que esta eventual mudança de governo não venha manter estes antigos sonhos em pergaminhos na gaveta. Nosso País, em algum momento, realmente precisa ter projetos de Estado e não de governo"
Maxwell Rodrigues, executivo e apresentador do Porto 360°
O que realmente queremos é que os problemas existentes no Porto de Santos sejam resolvidos: acessos, aumento de capacidade e infraestrutura. A gestão técnica não conseguiu resolver estas demandas e gerir um equipamento como o Porto de Santos com foco político também não resolverá. Precisamos entender que o Porto é estratégia para o País. Em meu último artigo em A Tribuna, na quarta-feira, eu fiz um comentário que gostaria de reforçar aos leitores: 'Podemos racionalizar aquilo que é difícil de mudar, mas uma vez que uma parcela critica e apoia uma causa, pessoas param de racionalizar o status quo, sentem que pode fazer a diferença porque não estão sozinhas e começam a fazer campanhas por mudanças. Não sabemos definitivamente se o comando vai mudar ou não, sabemos que como está não dá para ficar! Mas, quando a gente não consegue mudar algo, fazer as pazes com o mundo pode ser uma parte importante para o nosso bem-estar. Deixa como está!'"
Luis Claudio Santana Montenegro, consultor portuário, engenheiro civil e mestre em Engenharia de Transportes
"O setor portuário brasileiro adquiriu uma maturidade estável a partir da retomada do planejamento portuário estruturado no Plano Nacional de Logística Portuária (PNLP) e nos planos mestres dos portos. Esse instrumento de Estado é a ferramenta capaz de trazer estabilidade à execução das políticas públicas, independentemente das alterações políticas. Dado o momento, em que o PNLP precisa ser revigorado e estar alinhado aos planos de desenvolvimento de infraestruturas, próximos de serem anunciados pelo Governo Federal, soluções de continuidade podem ser impactantes para a segurança e estabilidade dos investimentos planejados para os portos. Tenho sido enfático na defesa de que esses investimentos, que podem ampliar nossa capacidade portuária, são essenciais e urgentíssimos. O ministro Márcio França tem a qualidade de conhecer bem o ambiente portuário e privilegiar uma equipe muito técnica e experiente na condução da Secretaria Nacional de Portos. O momento é de cautela, já que há uma sensibilidade importante em um setor tão estratégico ao nosso desenvolvimento. De qualquer forma, entendo que o presidente da República terá a sensibilidade necessária para esse momento de mudanças políticas na equipe de governo, garantindo a segurança institucional ao setor portuário"
Jesualdo Silva, presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP)
"Recebemos essas notícias com bastante preocupação, embora não tenhamos conseguido confirmar nada no Governo Federal, em função do trabalho que o Márcio França e a equipe dele vêm fazendo para o setor. Não tem sete meses que tomaram posse. Todos chegaram abertos ao diálogo e estão conduzindo várias ações que levam à ideia de que, de fato, eles estão preocupados com políticas de Estado para o setor. Ou seja, ações de caráter permanente. O setor portuário é de grande magnitude e relevância para a economia brasileira. Quando a gente fala dele, fala de soberania nacional. É um setor que exige investimentos vultosos e que precisam ser feitos com estabilidade e confiabilidade. Até agora, o ministro e a equipe deram sinalização bastante positiva ao mercado, deixando todos bastante à vontade para que se façam investimentos. O rumor dessa possibilidade de mudança gera instabilidade. E precisamos dessa estabilidade para que os investimentos sejam realizados"