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13/07/2023 - 11h17

Em busca de maior produtividade no setor portuário, hub de startups faz parceria com Cingapura


Fonte: O Estado de S. Paulo - Coluna do Broadcast
 
Voltado a operações marítimas e portos, Cubo Maritime & Port foi criado pelo centro de empreendedorismo do Itaú em parceria com Wilson Sons, Porto do Açu e Hidrovias do Brasil
 
Criado há um ano pelo Cubo Itaú - centro de fomento ao empreendedorismo -, o Cubo Maritime & Port acaba de fechar parceria com o hub portuário Pier71, de Cingapura, para internacionalização de startups e desafios conjuntos.
 
O Cubo Maritime & Port é um hub de startups voltado para operações marítimas e portos com a parceria da Wilson Sons, Porto do Açu e Hidrovias do Brasil. Nesse um ano, quase dobrou o número de startups, de 12 para 23, que receberam aportes de R$ 25 milhões em 2022, com faturamento de R$ 86 milhões, informaram os executivos das empresas envolvidas. “As empresas do nosso hub daqui vão conseguir publicar desafios no hub do Pier71 e vice versa. Essa troca de ativos, essa simetria da indústria, que também tem desafios lá fora, vai aumentar a competitividade dos portos brasileiros”, disse o presidente do Cubo Itaú, Paulo Costa. O Cubo Itaú reúne 440 startups de diversas áreas.
 
Outra colaboração acertada entre as iniciativas dos dois países é a instalação de um estande conjunto das startups marítimas e portuárias de Cingapura e Brasil na próxima edição, de 2024, da Intermodal South America, realizada este ano em março, em São Paulo. Haverá ainda a possibilidade de residência temporária de startups brasileiras em Cingapura, com apoio da Pier71. O Cubo Maritime & Port também deve lançar um projeto voltado ao desenvolvimento de startups focando em questões ESG. Um dos focos deve ser a descarbonização. E outras soluções que estarão no radar para integração de shiptechs, operações remotas ou autônomas de navios e equipamentos portuários, além de colaboração e compartilhamento de dados.
 
No Brasil, um navio leva cinco dias para atracar e, em outro países, apenas um
 
O diretor de Transformação Digital da Wilson Sons, Eduardo Valença, destacou que, quando se compara o Brasil com outros países, se observa um grande valor que pode ser destravado com soluções inovadoras, que podem acelerar o aumento de produtividade, eficiência, e sustentabilidade dos portos brasileiros. Em média, o navio no Brasil demora cerca de cinco dias para atracar, enquanto em outros países esse tempo é de um dia. ”Com tecnologia e inovação, podemos reduzir esse tempo. Se reduzir em algumas horas já é possível destravar muitas operações sem ter que fazer grandes investimentos de infraestrutura civil ou aumento de berço. Trabalhar com o hub de Cingapura vai muito nesse sentido”, afirmou.
 
No caso da Wilson Sons, a companhia fez, no final do ano passado, um aporte financeiro na Argonáutica, adquirindo participação minoritária na startup brasileira que desenvolveu a tecnologia inovadora do “calado dinâmico” (que otimiza a carga dos navios e a atracação nos terminais portuários). Em parceria com a Argonáutica, a Wilson Sons implantou o novo sistema operacional da sua Central de Operações de Rebocadores (COR), em Santos (SP). O novo sistema iniciou neste mês o monitoramento em tempo real da frota de 81 rebocadores da companhia ao longo da costa brasileira. Uma das vantagens é a integração com fontes externas de dados, possibilitando checar as condições meteorológicas dos portos, como maré, corrente e vento, segundo o executivo.
 
Segundo Valença, com a parceria internacional, o hub brasileiro terá acesso a mais de 500 startups que desenvolvem projetos para a indústria marítima e de portos no mundo. Já o diretor de Administração Portuária do Porto do Açu, Vinícius Patel, destacou que é preciso fortalecer o setor marítimo e de portos como um todo, para o País ganhar escala. Ele diz que, no Brasil, a regulação do setor é um das razões da demora da inovação. Para estabelecer um novo terminal portuário, por exemplo, é necessário conseguir aprovação de 29 diferentes órgãos. ”Temos conseguido empurrar o sistema, mas, idealmente, temos que ser empurrados pelo sistema. No Porto de Antuérpia, na Bélgica, parceiro do Açu, o regulador fomenta, seja via pesquisa, via recursos, discussões. Este é um dos nossos pontos de discussão”, diz.
 
Ideia é criar uma cadeia produtiva do setor portuário
 
Patel afirma que a infraestrutura portuária já tem um nível de saturação grande no País. Por meio de iniciativas como o Cubo Maritime & Port é possível agilizar mudanças buscando a produtividade e a sustentabilidade sem grandes investimentos. “Esse é o primeiro passo. A ideia é que tenhamos uma cadeia de fato, onde tenha um ambiente não só de solução, mas de muito problema, de muita discussão, porque com isso se busca inovação para substituir as soluções de hoje, que não são boas”, comenta.