Fonte: A Tribuna On-line
Clia Brasil estima oferta de 840 mil leitos e inclusão de pelo menos quatro novos destinos
A atual temporada de cruzeiros marítimos está na reta final, mas o sucesso envolvendo as atividades do setor já abre caminho para projeções ainda mais otimistas para 2023/2024. O próximo ciclo de viagens terá oito meses de duração e uma oferta estimada de 840 mil leitos, o que representa um aumento de 6% em relação à temporada atual, que vai terminar este mês. Com isso, o setor deverá movimentar cerca de R$ 4 bilhões no Brasil. As projeções são da Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (Clia Brasil).
Na temporada 2022/2023, iniciada em outubro, trabalha-se com um número entre 650 mil e 700 mil cruzeiristas embarcados, entre brasileiros e estrangeiros. Segundo o presidente da Clia Brasil, Marco Ferraz, a projeção de oferta de 840 mil leitos e um período ainda maior de viagens, entre outubro e maio, são motivos para o otimismo demonstrado. "Com isso, a gente terá a maior temporada dos últimos 11 anos”.
Segundo Ferraz, não será a primeira vez que a temporada de transatlânticos será realizada até maio. “Em 2009, 2010 e 2011, nós já tivemos temporadas até este mês. Chegamos a receber 20 navios na temporada, com 805 mil cruzeiristas. Mas, o maior tinha capacidade para 2.600 passageiros, menor do que o navio com menor capacidade que temos agora”. Ele acrescenta que, com transatlânticos cada vez maiores, hoje o setor movimenta praticamente o mesmo número de pessoas em uma frota bem menor.
O executivo adiantou que a próxima temporada também deverá ter novos destinos na Região Sul.
“Em Santa Catarina, avançamos bastante nas conversas com Penha, que seria um destino de família para o Beto Carreiro World e São Francisco do Sul (SC), onde já operamos no ano passado e estamos tentando voltar. No Paraná, a Ilha do Mel está praticamente pronta para ser um destino e Paranaguá teve uma escala-teste nessa temporada, com tudo para voltar a operar”.
Outro destino no radar da Clia é Vitória, no Espírito Santo. “Em Vitória, a gente sempre quer operar com navios grandes e ainda não conseguimos”. Outros locais no radar da associação são Barra Grande e Morro de São Paulo, na Bahia, e Itaparica, no Rio de Janeiro. “São destinos ainda muito em início de conversação”.
Ferraz está confiante em contar com os destinos catarinenses já na temporada 2023/2024. “Eu espero que a gente já possa ter uma escala-teste na próxima temporada em Penha e em São Francisco do Sul. Vitória pode ser que demore um pouco mais, mas a gente está bem dedicado junto à Prefeitura, ao Estado, à Marinha e à Praticagem para tentar viabilizar esses destinos”.
Impacto econômico
Comparando com a temporada anterior, Ferraz estima que a temporada 2022/2023 “deve gerar R$ 3,6 bilhões de impacto econômico, pouco mais de R$ 300 milhões por navio. E, para a próxima, a gente chega próximo dos R$ 4 bilhões, com R$ 3,9 bilhões. E se você pensar que muitos desses navios embarcam em Santos, não somente passageiros, mas provisões — comida e bebida —, o impacto regional em São Paulo é o maior que tem: gasto do passageiro, onde embarca e faz trânsito e gastos das companhias, combustível, comida, bebida, taxas, impostos, folha de pagamento, salários e ganhos regionais”.
Na temporada 2019/2020, que chegou ao fim em março de 2020, um mês antes da atual, o setor movimentou R$ 2,3 bilhões. O ciclo seguinte foi cancelado devido à pandemia. Em 2021/2022, o mercado de cruzeiros movimentou R$ 1,49 bilhão, com apenas cinco navios em circulação, em um período dos mais complicados ao setor, “muito impactado por causa da variante Ômicron”, frisa Ferraz.
Santos
Entre todos os destinos de cruzeiros marítimos no Brasil, o mais visado é Santos, que concentra 60% da movimentação de passageiros por temporada. Para o presidente da Associação Brasileira dos Cruzeiros Marítimos (Clia Brasil), Marco Ferraz, trata-se do principal porto para a atividade. Por isso, ele apoia a transferência de toda a estrutura para embarque e desembarque de passageiros para o Valongo.
"Nessa temporada, em torno de 450 mil passageiros são esperados em Santos. Se imaginarmos que eles vão e voltam, são quase 1 milhão de pessoas passando por Santos. Acho que merece uma atenção especial de todos os envolvidos para que seja compatível com um serviço de alto nível, infraestrutura e logística. A gente está muito próximo das autoridades para discutir e resolver isso”.
Sobre a revitalização do Valongo e possível transferência do terminal de passageiros de Outeirinhos para lá, o presidente da Clia Brasil tem acompanhado as discussões sobre o projeto. No mês passado, ele participou de uma reunião na Cidade sobre o tema.
“Provavelmente, o ministro (Márcio França, de Portos e Aeroportos) fará essa definição com a Autoridade Portuária, o Fabrizio (Pierdomenico, secretário nacional de Portos), o Concais e conosco. Estamos aguardando essa conversa com todos os envolvidos porque a gente precisa não somente de um terminal, mas também de berços. Hoje, temos dificuldade de berços em Santos. A gente usa Outeirinhos, o cais 31 e o 32, que estão longe do Concais, e, na frente no terminal, o berço 25, onde só podem operar navios de até 290 metros”.
Para Ferraz, a transferência do terminal ao Valongo também é uma garantia de berços. “Pelo projeto, a gente poderia ter três berços para navios até 350 metros ou navios menores. Além da revitalização do Centro, tendo uma relação Porto-Cidade mais íntima. É bacana ter uma relação mais próxima junto à Prefeitura de Santos e ao Governo de São Paulo, que tanto nos apoiam. Todo mundo sai ganhando com isso”, ressaltou.