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01/02/2023 - 11h59

Considerado uma das maiores lideranças do sindicalismo, Cirino completa 50 anos no Porto de Santos


Fonte: A Tribuna On-line
 
Everandy Cirino dos Santos ingressou na antiga Companhia Docas de Santos (CDS) em 1973

 
Uma das principais lideranças do sindicalismo portuário na Baixada Santista está prestes a completar cinco décadas de atuação no Porto de Santos e, aos 72 anos, segue a postos com suas reivindicações em defesa dos direitos da classe trabalhadora.
 
Everandy Cirino dos Santos ingressou na antiga Companhia Docas de Santos (CDS) em 1973 e há 24 anos preside o Sindicato dos Empregados na Administração Portuária (Sindaport).
 
Oriundo da Aeronáutica, Cirino serviu por três anos na Base Aérea de Santos, de 1969 a 1971. Seis meses após deixar o serviço militar, prestou o concurso da CDS, que era privada. Em maio de 1973, foi admitido nas Docas para operar carga e descarga, serviço que acabou extinto dois meses depois. “Como eu tinha experiência no quartel, me chamaram para a Guarda Portuária”.
 
Em 1986, o corintiano roxo Cirino - que nunca faz questão de esconder sua torcida - foi eleito presidente da Associação Beneficente da Guarda Portuária, instituição que representava os trabalhadores do efetivo de segurança. “Naquela época, por causa do golpe de 1964, guarda portuário era proibido de participar de sindicato e somente após a Constituição de 1988 foi permitido, então eu me tornei sócio”.
 
Sindaport
 
Sindicalizado e ainda presidente da associação, Cirino começou a se destacar como liderança entre os portuários, o que lhe rendeu o convite para compor a chapa que disputaria as eleições da diretoria do Sindaport para a gestão 1990-1993. “Em 1989, como eu era presidente da Associação da Guarda Portuária e tinha um conceito bom com os guardas da época, fui convidado para a chapa. Aceitei e fomos eleitos. Em setembro de 1990, tomei posse como diretor de patrimônio do sindicato”.
 
Daí em diante, foi um desafio atrás do outro. “Depois, passei a segundo secretário em 1993, vice-presidente em 1996 e presidente em 1999”. Desde então, Cirino tem sido reeleito no Sindaport. A última eleição ocorreu em 2021, com mandato válido até 2025. Lá se vão 24 anos à frente do sindicato. “Disputei a primeira eleição para presidente em 1999, com oposição forte do PT, mas ganhei e venho renovando o mandato. Nas últimas duas eleições, não teve oposição”.
 
Transformação
 
Ao mesmo tempo em que expandia a sua atuação sindical, Cirino acompanhava as transformações no Porto de Santos, da administração à força de trabalho. Em 1980, com o fim da concessão privada das Docas, a Autoridade Portuária foi devolvida ao Governo Federal e surgiu a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp). Mas, foi em 1993, com a Lei 8.630, a Lei de Modernização dos Portos, que houve a transformação mais impactante sobre os trabalhadores portuários, segundo ele.
 
“Antes da Lei 8.630, todos os trabalhadores do setor operacional eram empregados da Codesp. Em 1993, os trabalhadores que faziam a operação portuária passaram a responder ao Ogmo (Órgão Gestor de Mão de Obra). A partir daí, a Codesp passou a diminuir o número de empregados. Ela chegou a ter mais de 13 mil empregados e, por muito tempo, manteve em torno de 5 mil”.
 
Cirino relembra que, com a Lei 8.630, mais de dois mil trabalhadores se tornaram avulsos, sem contrato de trabalho. “Antes da lei, a Codesp era a única operadora portuária. Fiéis de armazém, encarregados de navio, anotadores, trabalhadores e encarregados de carga e descarga eram empregados da Codesp. Com a lei, viraram avulsos. E houve uma briga tremenda para isso, porque o avulso era exclusividade da estiva, conferentes, consertadores e vigias”.
 
Em meio a tantas décadas no sindicalismo portuário, Cirino diz que participou ativamente das discussões da Lei de Modernização dos Portos e da Lei 12.815/2013, na gestão Dilma Rousseff. “Participei da comissão que discutiu a Lei 12.815, que teve só um avanço para nós: o reconhecimento da capatazia como atividade operacional”.
 
O presidente do Sindaport conta ainda que outro importante avanço para os avulsos foi a prioridade na escalação de trabalho. “Nós conseguimos isso por meio da lei e da Justiça”.