Fonte: Sindaport - Diretoria
Durante todo o ano de 2022, sempre que os dirigentes do Sindaport manifestavam-se publicamente sobre a desestatização da Cia. Docas ou buscavam apoios políticos, posicionavam-se contrários ao modelo de privatização da Autoridade Portuária e solicitavam que o processo fosse suspenso neste ano, aguardando a posse de um novo governo, em 2023.
Mesmo no final do governo atual, que tentou de todas as formas açodar o processo, nunca acreditamos que o leilão para privatizar a Cia. Docas acontecesse ainda em 2022.
E, finalmente, durante a última sessão deste ano do TCU, três ministros pediram vista, ficando para o próximo governo, com o presidente Lula já empossado, a continuidade, ou não, do processo.
Enfim a sensatez prevaleceu, não permitindo que essa decisão, de vital importância, fosse tomada no apagar das luzes do atual governo, deixando as discussões para o próximo, legitimamente eleito pelo povo brasileiro.
Mas isso não nos permite ficarmos de braços cruzados, muito pelo contrário, pois sabemos que um novo modelo de gestão das Cias Docas deve entrar na pauta de discussões do governo do presidente Lula, que em diversas ocasiões expôs sua linha de pensamento em relação ao assunto, anunciando o fim das privatizações: “Empresas Públicas vão poder mostrar a sua rentabilidade”.
Também já nos manifestamos quanto à dragagem do canal do porto, sempre com grandes entraves para sua realização contínua, entendendo que, mantida a Codesp como Autoridade Portuária Púbica, o serviço possa ser legalmente repassado para a iniciativa privada, para que não haja a descontinuidade dessa manutenção essencial.
Espaço dentro do próximo governo para sindicatos e trabalhadores portuários
Esperamos que, assim que o novo presidente e seus ministros tomarem posse, quem sabe até com a recriação da SEP - Secretaria Especial de Portos com status de ministério, os trabalhadores tenham o devido espaço para participarem de debates, não só referentes ao modelo de gestão das Cias. Docas, mas também de outros assuntos pertinentes à classe como um todo.
Durante a gestão da SEP, era praxe que a então diretoria da Codesp convidasse os representantes do Sindaport para participarem de apresentações e discussões relativas a situações que pudessem alterar a relação capital x trabalho. Se não fosse possível evitar transtornos, ao menos fazíamos sugestões e sabíamos, com antecedência, para não sermos pegos totalmente de surpresa.
Assim que forem nomeados o novo presidente e diretoria da Cia. Docas de Santos, esperamos fazer parte dos debates de todos os assuntos importantes da área para, se necessário, tentarmos convencê-los a reverem decisões da atual diretoria como, por exemplo, a injusta e discriminatória ordem para que, quando houver necessidade de jornadas extraordinárias, sejam escalados os trabalhadores mais novos, com menores salários, em detrimento dos mais velhos e mais antigos. Verdadeiro absurdo, que nos fez recorrer à justiça.
Além do desmonte das atividades de atracação e amarração, sendo os nossos representados da atracação transferidos para outras áreas, porém, os trabalhadores da amarração foram obrigados a ficar parados, à disposição, tendo prejuízos em seus proventos.
Quem sabe, para outras áreas e atividades, também consigamos que os serviços sejam reativados como o setor de ponto, por exemplo, e, se necessário, o lançamento de novo concurso público para o preenchimento das vagas dos trabalhadores que foram demitidos ou saíram através dos últimos planos de desligamento voluntário, restabelecendo desta forma o nível de empregos anterior.
Infelizmente a verdade é que, na maioria dos casos, ao longo desses últimos 4 anos, os diretores da empresa que por aqui passaram, não deixaram ou deixarão saudade, em específico o que nos disse: “vocês só irão conhecer o verdadeiro diretor quando a empresa já estiver privatizada”.
Para nosso alívio, não vivenciaremos isso, nem ele mesmo vivenciará, inclusive já deve estar fazendo as malas e arquitetando uma nova indicação, onde poderá estabelecer seu “sebo de livros”.