Fonte: Folha de S. Paulo - Vaivém das Commodities
Soja e carnes se destacam nas vendas externas, mas compras de fertilizantes e de agroquímicos têm evolução maior
O agronegócio brasileiro termina o primeiro semestre com números recordes na balança comercial. As exportações do período atingem US$ 79 bilhões, 30% a mais do que em igual período anterior.
O bom desempenho de janeiro a junho elevou as receitas dos últimos 12 meses para US$ 139 bilhões, uma alta de 26% em relação a igual período anterior.
No primeiro semestre deste ano, os gastos com as compras de alimentos, adubos, agroquímicos e máquinas destinadas ao setor somaram US$ 22 bilhões, conforme cálculos da Folha, tomando-se como base os dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior).
Os gastos deste semestre superam em 66% o de janeiro a junho de 2021. Em 12 meses, as importações atingiram US$ 49 bilhões, 60% a mais.
A soja, o principal item da balança comercial do agronegócio mostra como os preços favoreceram as exportações. No primeiro semestre, o volume de vendas caiu 8%, para 53 milhões de toneladas, mas as receitas subiram 23%, para US$ 30,7 bilhões.
Do lado das importações, a pressão dos preços pode ser vista nas compras de fertilizantes e de agrotóxicos. As importações de adubos subiram 17% no período, mas os gastos tiveram aceleração de 178%.
As compras de agroquímicos subiram 38%, somando 501 mil toneladas em 12 meses, mas os gastos tiveram elevação de 48%, para US$ 4,7 bilhões no período.
As exportações de carnes também mostram uma grande pressão nos valores de comercialização. Com a demanda menor da China por carne suína, o Brasil colocou 9% a menos dessa proteína no mercado externo neste ano, mas faturou 17% a mais.
As vendas de carnes bovina e de frango tiveram volumes maiores, mas as receitas cresceram em patamares bem superiores.
Neste primeiro semestre, o país já atingiu US$ 12 bilhões em exportações de carnes. A demanda externa continua firme e, em alguns casos, a ocorrência de doenças em grandes produtores favorece o produto brasileiro.
Os Estados Unidos passam por um avanço da influenza aviária, que já atingiu 38 estados. Na Europa, além desta doença que afeta as aves, a região está sob a ameaça da peste suína africana.
Além da soja e das carnes, a balança comercial agrícola do país foi beneficiada pelas exportações de café, açúcar, algodão, celulose, madeira e cereais. Este último grupo puxado pelas vendas externas de trigo, um produto do qual o Brasil é bastante dependente.
O país caminha para um recorde nas exportações deste ano, mas também terá um peso das importações não registrado anteriormente.