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14/06/2022 - 10h17

Sem aumento salarial, portuários definem greve no Porto de Santos


Fonte: SIndaport / Diretoria
 
Caso não haja negociação por parte da Autoridade Portuária de Santos, a partir das 7 horas do próximo dia 27 de junho, segunda-feira, os portuários vão cruzar os braços por tempo indeterminado. A decisão foi tomada na noite desta segunda-feira, durante assembleia da categoria na sede do SINDAPORT (Sindicato dos Empregados na Administração Portuária).
 
A categoria decidiu manter a assembleia aberta em caráter permanente. No domingo, dia 26, os portuários voltam a se reunir para discutir o movimento grevista. No entanto, caso haja nova proposta, a categoria pode ser convocada a qualquer momento.
 
“Infelizmente, apesar dos registros de lucro divulgados à imprensa, aos trabalhadores a empresa não quer pagar nem a inflação do período. Um completo desrespeito a quem trabalha diariamente para administrar o maior porto do país”, afirmou o presidente do SINDAPORT, Everandy Cirino dos Santos.
 
O dirigente ressalta que a empresa ofereceu até agora três propostas, mas nenhuma contempla aumento salarial respeitando a inflação do período. “Só queremos que o atual acordo coletivo seja mantido e a empresa conceda aumento salarial de acordo com a inflação”, enfatiza, lembrando que a cada negociação a SPA só pensa em reduzir benefícios dos trabalhadores.
 
O Departamento Jurídico do SINDAPORT vai acionar o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) e pedir mediação por parte dos desembargadores. "O pedido de mediação é a antiga mesa redonda. Vamos tentar uma melhor proposta da empresa perante o Tribunal ou até mesmo uma proposta de mediação do TRT", analisa o presidente do SINDAPORT.
 
PRIMEIRA PROPOSTA
 
Em 28 de abril, a empresa convocou os sindicatos representantes dos trabalhadores para apresentar formalmente uma proposta salarial:
 
50% do índice de inflação aproximadamente 5,65%;
 
Redução do adicional de hora extra de 100% para 80%;
 
Redução do abono de férias de 45% para aplicar a Lei de 1/3;
 
Fim das cláusulas de abono (cinco dias).
 
“Considerando a proposta “indecente” e conhecedor do sentimento da categoria, nem realizamos assembleia. Em resposta à empresa, enviamos ofício recusando a primeira proposta”, explica Everandy Cirino.
 
SEGUNDA PROPOSTA
 
Em 12 de maio, a Empresa formalizou uma nova proposta após a segunda reunião de negociação. Porém, a segunda proposta foi muito parecida com a primeira:
 
60% do índice de inflação, cerca de 7,28%;
 
Adicional de hora extra em 85%;
 
Abondo constitucional de férias nos termos da lei 1/3 e fim dos cinco dias da cláusula de abono.
 
“Novamente, tivemos a certeza de que a categoria não aceitaria a segunda proposta. Mais uma vez, enviamos ofício recusando a nova oferta”.
 
Mas, em 27 de maio, a Autoridade Portuária comunicou os Sindicatos de que o atual Acordo Coletivo, que venceria em 31 de maio, seria prorrogado para garantir todas as cláusulas vigentes. No entanto, a garantia do retroativo a 1º de junho seria dada somente se novo Acordo Coletivo fosse assinado até o dia 15 de junho.
 
TERCEIRA PROPOSTA
 
Em 07 de junho, a empresa enviou ofício ao SINDICATO formalizando a terceira proposta salarial. Mas se melhorou em alguns pontos, piorou em outros:
 
80% do índice da inflação do período, cerca de 9,22% retroativo a 1º de junho se acordo assinado até 15 de junho;
 
Adicional de hora extra de 50%;
 
Abono constitucional de férias - hoje em 45%, mas a empresa quer 40%;
 
Cláusulas de abono de dois dias.