Fonte: Folha de S. Paulo
Instabilidade eleva preços e reduz expectativa de crescimento
Entenda como o conflito pode afetar a economia brasileira.
PETRÓLEO E GÁS JÁ ESTÃO MAIS CAROS
A Rússia é um dos grandes produtores de petróleo, e um conflito militar afeta o mercado do produto. Além disso,
sanções impostas pelos EUA e
pela União Europeia também podem pressionar o preço da energia, direta e indiretamente.
Se a guerra provocar a interrupção do comércio euro-russo de combustíveis, os europeus terão que procurar energia em outra parte, em um mercado mundial que ficará ainda mais apertado e caro, a não ser que a Arábia Saudita traia a Rússia, sua aliada informal no cartel dos grandes produtores, e aumente sua produção do produto,
escreveu o colunista da Folha Vinicius Torres Freire.
Na tarde desta quarta, o presidente americano Joe Biden também anunciou sanções à Nord Stream 2 AG, empresa responsável pelo gasoduto, e seus dirigentes.
Cerca de 66% do gás e de 29% do petróleo que a Alemanha compra fora da União Europeia vêm da Rússia. Cerca de 44% do gás importado pela União Europeia vem da Rússia, assim como 25% do petróleo.
O Nord Stream 2 duplicaria a capacidade de transporte de gás natural pelo mar Báltico, possibilitando à Rússia desviar o fornecimento que hoje é majoritariamente feito por meio justamente da Ucrânia e da turbulenta ditadura aliada Belarus.
PREÇO DOS ALIMENTOS PODE SUBIR
A Ucrânia vende 17% do milho do mercado mundial, um peso relevante, embora fique atrás de EUA, Brasil e Argentina. Ucrânia e Rússia exportam 30% do trigo comprado pelo resto do planeta.
INSTABILIDADE DERRUBA O PREÇO DE AÇÕES E FAZ DÓLAR SUBIR
A busca por segurança global por parte dos investidores impulsionou o dólar, que subia mais de 0,5% em relação a cesta de moedas de seus principais parceiros comerciais. O euro, por sua vez, caía 0,8%.
Já a moeda russa, o rublo, despencou quase 8% mesmo após pausa na sua comercialização, atingindo patamar mais baixo já registrado. Banco Central russo anunciou intervenção no mercado para conter queda.
O movimento contaminou também os mercados de criptomoedas, fazendo o bitcoin cair abaixo dos US$ 35.000 pela primeira vez em um mês.
ENERGIA E DÓLAR EM ALTA PRESSIONAM AINDA MAIS A INFLAÇÃO
Além disso, já havia entre os economistas a avaliação de que a tendência para o real até o final do ano era de o real se desvalorizar (ou seja, a cotação do dólar subir), enquanto os preços das commodities tendem a continuar em patamar elevado.
Por isso, as projeções de inflação para 2022 continuam se deteriorando já mesmo antes do impacto da guerra sobre o dólar.
Os preços da indústria brasileira, que já estavam pressionados por causa do dólar muito caro até dezembro e pela persistente escassez mundial de insumos, também devem sofrer novo impacto com a alta da moeda americana.
INSTABILIDADE AFETA O CRESCIMENTO
Empresários e investidores temerosos costumam adiar novos projetos ou expansões, o que significa menor oferta de emprego.